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Crítica do filme O Círculo

É uma cilada, Bino

por
Lu Belin

29 de Junho de 2017
Fonte da imagem: Divulgação/Imagem Filmes
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Mae Holland (Emma Watson) é uma jovem ambiciosa e de origem simples, que finalmente consegue uma oportunidade de trabalho no Google na companhia que é o hit do momento: O Círculo, corporação que dá nome ao filme dirigido e roteirizado por James Ponsoldt, a partir do livro de Dave Eggers (que também é roteirista de “Onde Vivem Os Monstros” e “Negócio das Arábias”).

Com a ajuda de uma amiga que já trabalha na empresa, Annie (Karen Gillan), Mae se torna uma espécie de versão fina de uma operadora de telemarketing. Lá, ela se depara com toda a sorte de inovações tecnológicas possíveis e imagináveis, de simples gadgets úteis no dia a dia, até sistemas avançados de escaneamento corporal, cujos sistemas e invenções compõem uma grande rede social.

Comandado pelos empresários Stenton (Patton Oswalt) e Bailey (Tom Hanks), O Círculo é a empresa dos sonhos de Mae, não apenas pela perspectiva profissional, mas porque tem potencial para oferecer o que ela mais precisa no momento: um plano de saúde estendido a seu pai (Bill Paxton), que possui Esclerose Múltipla.

Péssima ideia, Hermione

Superado o deslumbramento inicial com todas as maravilhas high-tech da companhia, Mae começa a ter contato com os primeiros conflitos que vêm junto com a tecnologia. A exigência da interação virtual com os colegas, a superexposição, a negação ao direito à privacidade, entre tantos outros problemas.

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Mas é quando a falta de respeito à privacidade chega aos seus amigos e familiares que ela começa a perceber a enrascada em que pode ter se metido. Pois bem, a trama tinha até que bastante potencial - tanto que foi abraçado por um puta elenco - mas a questão é que nem mesmo um elenco cheio de estrelas é capaz de salvar um filme quando o roteiro é cheio de furos.

Primeiro, porque mesmo atores experientes e reconhecidos como os próprios Emma Watsn e Tom Hanks estão bem longe de atingir suas melhores performances em “O Círculo”. Outros nomes relativamente conhecidos, John Boyega (o Finn de "Star Wars: O Despertar da Força") e Ellar Coltrane (o Mason, de “Boyhood: Da Infância à Juventude”), pelo contrário, seguem na mesma linha, entregando uma interpretação que beira ao medíocre.

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Além disso, o argumento do longa por si só não funciona muito bem e o roteiro não ajuda em nada. O longa-metragem é todo construído em cima de justificativas pouco plausíveis, situações forçadas e muitos pontos contraditórios, ao mesmo tempo em que a mensagem final que o filme passa também é bastante confusa.

Assim, um filme que tinha tudo pra colocar uma discussão interessante parece perder muito tempo tentando fugir dos clichês, mas termina por ser ele mesmo uma reprodução do que já é bem convencional. A impressão que fica é que o “O Círculo” chegou atrasado em uma discussão que, embora não esteja esgotada, já está muito avançada, seja em ambiente real ou virtual: a da tecnologia e seus impactos positivos e negativos sobre a vida das pessoas em comunidade.

Black Mirror wannabe

Já que o roteiro e as atuações ficam devendo e a trilha sonora passa quase que despercebida no filme, “O Círculo” acaba se agarrando à representação das tecnologias para passar uma noção de filme futurista.

O problema é que as coisas que são apresentadas ali não estão exatamente muito longe do que vivenciamos na atualidade.

O próprio Círculo traz todos os elementos característicos das empresas moderninhas com espaços altamente tecnológicos de trabalho, arquitetura que valoriza os ambientes de interação entre colegas e uma paleta de cores que se baseia majoritariamente no branco e no vermelho. Nada de muito diferentão, certo?

Além disso, o filme usa e abusa daquele recurso modernoso de colocar trechos de conversas pulando na tela, para que o público consiga ver não apenas o que a personagem está fazendo, mas o que as pessoas estão dizendo pra ela em suas mensagens e redes sociais.

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Apesar da possibilidade de se tornar um pouco cansativo para o espectador, que não consegue ler tudo o que está sendo escrito, a ferramenta funciona para passar essa ideia de que estamos o tempo todo expostos a um turbilhão de informações e de a comunicação chega a você, quer queira, quer não.

No fim, se você já estiver um pouco cansado das voltas desnecessárias que o filme dá, esse recurso vai se tornar só mais um ponto incômodo da produção.

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Vejam, não se trata de um filme essencialmente ruim. Se você não estiver buscando verossimilhança e não se importar com furos como o fato de uma grande empresa de tecnologia não se preocupar com a segurança das próprias informações, vai com fé que você vai gostar. Já os públicos mais exigentes com um roteiro redondinho podem se decepcionar.

A questão é: se você vai se propor a fazer um filme que discute o impacto da tecnologia sobre a privacidade das pessoas em pleno 2017, o mínimo que pode fazer é usar argumentos mais tangíveis e coerentes. Não dá pra se esconder atrás da licença poética pra tudo.

Fonte das imagens: Divulgação/Imagem Filmes

O Círculo (2017)

Conhecimento é poder!

Diretor: James Ponsoldt
Duração: 110 min
Estreia: 22 / Jun / 2017

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Lu Belin

Eu queria ser a Julianne Moore.

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