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Crítica do filme O Destino de Uma Nação

Winston Churchill incomoda muita gente

Lu Belin

por
Lu Belin

Segunda, 15 Janeiro 2018
Fonte da imagem: Divulgação/Universal Pictures
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Muitos Winstons Churchills então, incomodam muito mais. Quem parece não se cansar, no entanto, é a indústria do audiovisual, que toda hora faz questão de contar a história do ex-Primeiro-Ministro, sempre sob uma nova perspectiva, sempre com um novo recorte temporal.

Depois de “Churchill”, lançado em 2017 com Brian Cox no papel principal, 2018 chega trazendo “O Destino de Uma Nação”, filme de Joe Wright (O Solista, Ana Karenina) com roteiro de Anthony McCarten (A Teoria de Tudo).

Dessa vez, acompanhamos Churchill a partir da sua nomeação para o cargo de Primeiro Ministro, quando tem à frente a difícil missão de comandar o país britânico em plena Segunda Guerra Mundial, com as forças militares alemãs rumando sobre os países vizinhos e ganhando terreno em toda a Europa.

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Só que Churchill não tem nada de lorde inglês em seus modos e a fama que o precede não é exatamente a de um bom comandante em tempos de guerra. Por isso, sua indicação não foi bem aceita entre os membros do parlamento, nem sequer do seu próprio partido, o que só aumenta seu desafio.

Extremamente belo, incrivelmente longo

Se você pretende assistir a “O Destino de Uma Nação” e quer saber o que esperar, acho que esse título define de maneira bem resumida o longa-metragem. E eu não usei longa-metragem à toa. Os 125 minutos de filme passam devagaaaaar, graças à maneira cheia de detalhes com que a história é contada.

São pausas e silêncios muito bem posicionadas, momentos de reflexão aos quais o protagonista se submete enquanto lida com seus assuntos e que ajudam e muito a construir o personagem. Mas boy, como cansa.

Por outro lado, ninguém compra o ingresso de um filme sobre o Winston Churchill esperando se deparar com uma história modernosa, colorida e divertida. Se for assim, melhor ir ver o filme do peléViva: a vida é uma festa”, né? Então se você está embarcando nessa canoa, melhor saber de quantos paus ela é feita.

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E é aí que reside o mérito da coisa toda. Ser longo e arrastado nem sempre é um problema, a menos que você seja um apressadinho. E o que faz com que esta produção em específico seja lenta e um pouco cansativa é também o que ajuda a torná-la tão bonita.

O Destino de Uma Nação” constrói um Churchill todo recortado, a partir de detalhes. É a ponta da bengala que ajuda a segurar o camarada em pé, é a inscrição emocionada na caixa de cigarros, é o foco na pele iluminada contra as sombras, que ajudam a enxergar cada poro falso do ator. Tudo isso é cuidadosamente filmado e editado, com recortes e movimentos de câmera até bastante ousados.

Um festival de closes no Churchil, enquadramentos contra a luz, muito zoom out – inclusive vários deles feitos de cima. O diretor não economizou nos movimentos e nos jogos de luz e embarcou em uma paleta de cores estruturada sobre tons quase sépia, em ambientes mal iluminados, como se a história inteira se passasse em um bunker. O resultado foram algumas cenas muito bonitas e artísticas, uma bela fotografia, mas um pouco de sono.

E o Oscar vai para...

... o maquiador do Gary Oldman! Um japa chamado Kazuhiro Tsuji, que, embora diga que cinema não é a sua praia, assinou a maquiagem de filmes como “O Planeta dos Macacos” e “O Curioso Caso de Benjamin Button”, entre vários outros.

O cara é realmente um artista e duvido demais que qualquer um reconheceria o Sirius Black por trás de tanta massinha de modelar, daquela careca tão característica e da pancinha improvisada. Mas a verdade é que Gary Oldman passou pelo processo de maquiagem mais de 60 vezes para gravar o filme, e cada sessão durava em média três horas e 15 minutos, de acordo com uma entrevista do Tsuji ao site Deadline.

E o resultado ficou incrível, especialmente porque, atrás de toda essa parafernália, o ator – que não se parece nadinha com o Churchill na vida real – conseguiu ficar muito parecido com a figura e, mais do que isso, manter toda a sua expressividade facial.

O Destino de Uma Nação

Importante reforçar que a perfeição da maquiagem é apenas engrandecida pelo ator, que manda benzaço na pele do primeiro ministro. Aliás, Gary é tão competente que muita gente (myself included) nunca tinha se ligado que ele era britânico, de tão bem que o Comissário Gordon esconde o sotaque da terra natal em outros trabalhos.

Ainda assim, é preciso mais do que nascer britânico para dar vida a Winston Churchill, uma figura tão emblemática e tão reconhecida na história da Inglaterra e, por que não, do mundo. Os trejeitos, a teimosia, a personalidade forte, grosseira, com uma boa dose de excentricidade e maus modos.

É interessante a forma como cada ator deu seu toque à interpretação nas tantas vezes que Churchill já voltou à vida no cinema e na televisão, mas a atuação de Gary Oldman, já premiada com um Globo de Ouro, é sem dúvida uma bela leitura que vai competir com força também no Oscar.

Fonte das imagens: Divulgação/Universal Pictures

O Destino de Uma Nação

Nunca, nunca, nunca se render!

Diretor: Joe Wright

Duração: 118 min

Estreia: 11 / Jan / 2018

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Lu Belin

Eu queria ser a Julianne Moore.

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