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Crítica do filme O Fabuloso Destino de Amélie Poulain

Não é apenas mais um de amor

por
Juliane Krainski

12 de Abril de 2016
Fonte da imagem: Divulgação/Miramax
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O filme conta a história de Amélie Poulain (Audrey Tautou), uma moça que carrega o peso de uma infância solitária, na qual foi privada de contato com outras crianças e sofreu grande influência de seus pais superprotetores e antissociais. Ela passa pelos anos iniciais da vida fechada em seu próprio universo de imaginação, esperando chegar o dia em que tenha idade suficiente para sair de casa. Assim, quando atinge a maioridade, Amélie passa a morar sozinha e trabalhar como garçonete no Café Dois Moinhos. 

Certo dia, Amélie encontra em seu apartamento uma antiga caixa de recordações e decide procurar pelo dono do objeto. Notando a comoção do homem ao se deparar com este pequeno tesouro de seu passado, a protagonista passa a ter uma nova visão da existência, tomando para si a missão de colocar ordem na bagunça da vida das pessoas. 

A Poesia das Cores e Sons

A película de Jean-Pierre Jeunet apresenta uma fotografia marcante e iluminação impecável. Em diversos momentos a sobreposição das cores verde e vermelho confere às cenas uma atmosfera fantasiosa, bastante delicada e ao mesmo tempo muito intensa, dando vida aos cenários. Segundo o diretor, a mistura de cores e contrastes foi inspirada na obra do artista brasileiro Juarez Machado e talvez essa seja a característica mais peculiar do longa, o item que imprime sua identidade. 

Já a trilha sonora de Yann Tiersem é a coroação perfeita para tamanho cuidado estético, uma obra à parte. O som predominante do piano, em grande parte do filme é o que aponta o ritmo e agrega emoção às cenas, com canções deliciosas de serem ouvidas. É a melodia ideal para o telespectador que é levado a passear pelas estações de metrô parisienses e pelas ruas do bairro Montmartre. Não à toa esse quesito foi premiado com o César (o Oscar francês).

E a bagunça na vida dela? Quem vai pôr ordem?

Característico por filmes com temáticas muito sérias e intelectuais, o cinema francês encontra em O Fabuloso Destino de Amélie Poulain um respiro, a entrada para algo até então pouco explorado na indústria cinematográfica francesa. O filme foge do convencional à medida que é leve, divertido, poético e não se propõe a ser fonte de reflexão a respeito de questões sombrias. Mas ao mesmo tempo, o que tinha tudo para se equiparar a uma comédia romântica aos moldes hollywoodianos, foge dessa linha por ser roteirizado e executado de maneira muito inteligente, com foco nos detalhes e sutilezas.

Quando Amélie começa a fazer pequenas gentilezas para as pessoas ao seu redor, busca desviar o foco da própria vida, repleta de desventuras e solidão. No entanto, é justamente nesse ponto que a personagem se depara com soluções para seus problemas pessoais, encontrando inclusive a possibilidade de abrir-se para o amor. O filme nos mostra como é possível cultivar e apreciar os pequenos prazeres do cotidiano, mesmo quando a realidade é severa.

 

Fonte das imagens: Divulgação/Miramax

O Fabuloso Destino de Amélie Poulain

Confira o trailer deste filme dirigido por Jean-Pierre Jeunet

Diretor: Jean-Pierre Jeunet
Duração: 122 min
Estreia: 8 / Fev / 2002

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Juliane Krainski

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