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Crítica do filme Personal Shopper

Terror fora de moda

Fábio Jordão

por
Fábio Jordão

Segunda, 20 Março 2017
Fonte da imagem: Divulgação/Imovision
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Filmes com temática post mortem costumam ser um tanto previsíveis, já que seguem um dos seguintes vieses: investigativo ou explorativo. Nessas tramas, personagens como jornalistas, escritores, padres ou detetives são comuns nessa obras, mas é raro ver algum título que tem uma personal shopper como protagonista.

O novo longa-metragem de Olivier Assayas vem justamente para apresentar uma nova forma de fazer terror, a começar pela profissão um tanto desnorteada da protagonista. Nesta história, conhecemos Maureen Cartwright (Kristen Stewart), uma jovem que ajuda uma socialite a fazer suas comprinhas em lojas chiquérrimas.

Acontece que a personal shopper não tem apenas talentos fashionistas; ela também se destaca por seus poderes mediúnicos. Em luto pela morte de seu irmão gêmeo, ela busca a casa em que ele morava em Paris, determinada a fazer contato com ele, mas essa jornada pode não ser tão simples, ainda mais na atual situação emocional de Cartwright.

Parece promissor? Bom, o trailer  de "Personal Shopper" vende bem a ideia, ainda que seja difícil ligar os pontos. Todavia, se você quer poupar tempo, já posso adiantar que o resultado fica bem aquém das expectativas. Tal qual a prévia exibida nos vídeos de divulgação, a trama se mostra bagunçada, ainda que tenha alguns momentos de tensão.

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O problema é o mesmo de cerca de 75% dos filmes com algum potencial de levar inovação às telonas - um dado que inventei baseado em tantos títulos que já me desiludiram nos últimos tempos. O filme decepciona a plateia ao sofrer com problemas de roteiro, algo que não estraga algumas sequências aterrorizantes, mas que atrapalha o resultado final.

Contatos imediatos do WhatsApp

Como um desfile de moda, "Personal Shopper" chega causando com uma coleção belíssima, exuberante e chique de roupas que para muitos pode ser de um gosto um bocado duvidoso (ainda mais com roupas de lantejoula e trajes tão bizarros quanto). Apesar de casar com parte do roteiro e ajudar na produção geral, é difícil encontrar um propósito nessa elegância, já que este não é um elemento marcante para a protagonista.

Apesar disso, a profissão da personagem, ainda que não seja muito difundida, funciona até determinado ponto para dar liga com outras passagens. Logo, a história deixa de ser algo superficial e passa a ter mais profundidade. O problema é a forma como o filme tenta enganar o público, usando de artimanhas tecnológicas que apenas deixam o script mais confuso e pouco funcional.

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Longas conversas no celular intercaladas com as ótimas atuações de Stewart são deveras angustiantes. No entanto, é inegável que o roteiro poderia abusar mais de elementos sobrenaturias, em vez de apelar para o uso de tecnologia. É difícil levar a sério um filme desse tipo que tenta usar mensageiros à la WhatsApp como argumento para assombração ou de terror psicológico.

Existe sim um grande terror nesse tipo de ambiente, o qual é conhecido como campanhas virtuais (e que até isso já foi usado de forma tosca no recente "O Chamado 3"). No caso de "Personal Shopper", essa artimanha não funciona tão bem para desenvolver o ponto máximo da trama, o que só piora a homogeneidade da história. O desvio de foco, inclusive, prejudica bastante o que deveria ser o centro das atenções: o sobrenatural.

Roupas chiques, execução pobre

O filme parece uma grande vitrine estampada com retalhos de roteiros que somente foram jogados num mesmo texto. A mistura do mundo têxtil com o espiritual simplesmente não faz sentido e forçar a barra com uma pegada exagerada de tecnologia só torna a coisa mais bagunçada, algo pouco admirável se o script não tem a pretensão de ligar os pontos.

O lado sobrenatural do filme funciona muito bem e as cenas de exploração em meio à penumbra são horripilantes. Novamente, o destaque todo fica para Kristen Stewart, que domina todo o filme com uma atuação excelente. Para uma atriz pouco expressiva, ela até que se mostra muito convincente. Não espere nada além de depressão e medo da parte dela, porém atente bem ao fato de que ela está imersa neste mundo sombrio e perigoso.

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O orçamento precário simplesmente não permite que o espectador se entregue tanto ao medo. Com fantasmas de procedência duvidosa, o filme mais passa vergonha do que tem perspectivas animadoras de convencer o público do real perigo. Os acertos nesse aspecto ficam por conta das boas ideias na direção e a ausência de trilha sonora.

Há chances de que fashionistas de plantão e cinéfilos ligados em obras um tanto diferentes encontrem em "Personal Shopper" algo digno de admiração. No entanto, a plateia em geral possivelmente vai se decepcionar com os rumos desengonçados e a falta de substância do roteiro assustador. Você não pode deixar de perder!

Fonte das imagens: Divulgação/Imovision

Personal Shopper

Eles fizeram uma promessa

Diretor: Olivier Assayas
Duração: 105 min
Estreia: 9 / Mar / 2017

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