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Crítica do filme Planeta dos Macacos: A Guerra

A macacada reunida!

por
Fábio Jordão

10 de Agosto de 2017
Fonte da imagem: Divulgação/20th Century Studios

É preciso uma grande inteligência para construir um novo mundo, mas somente seres muito primitivos são capazes de destruir seu lar e seus congêneres por motivos tão banais.

Nós já aprendemos nos dois primeiros filmes dos símios que os humanos são capazes de grandes feitos, mas também ficou claro que somos os responsáveis por toda essa história que pode acabar em choro — ou até na nossa aniquilação.

No terceiro episódio desta saga, César e seus macacos são forçados a enfrentar situações ainda mais árduas, que são intensificadas pela presença de um coronel muito astuto. O subtítulo do filme já é bastante revelador nesse sentido, mas há mais do que você pode imaginar ou vislumbrar no trailer.

Depois da jornada para provar seu intelecto superior, o líder dos primatas entra de cabeça em uma batalha contra sua consciência e seus instintos mais obscuros. O resultado de “Planeta dos Macacos: A Guerra” é uma conclusão bastante intensa e cheia de reviravoltas que fazem a plateia refletir sobre a humanidade — ou a ausência dela.

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Nota: você que está caindo de paraquedas nesse universo e está com preguiça de fazer aquela maratona, pode até ir direto para o cinema, pois o final da trilogia tem um pequeno resumo antes de começar a guerra para valer. Agora, se você quer a experiência completa (que vale muito a pena) alugue os dois primeiros títulos.

Cada macaco no seu galho

Com um tom muito diferente daquele visto em “A Origem” e “O Confronto”, este terceiro episódio não serve como explicação ou um grande punhado de cenas de ação desenfreadas. É claro que o grande foco é a tal guerra, mas talvez ela não seja bem como você imagina. A pegada aqui é muito mais intimista na guerra pessoal de César.

Trata-se de uma odisseia em busca de um ponto de equilíbrio para o personagem central, que se vê já cansado dessa batalha sem fim. Diante dos fatos recentes, o protagonista nada simpático — porém cheio de razão e bom senso — precisa correr atrás do prejuízo, na tentativa de encontrar um mínimo de justiça.

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Outro ponto que deixa o andamento da história atraente é a forma destoante na abordagem da guerra. O terceiro episódio da saga dos micos inteligentes foca em alguns pormenores do lado adversário, não que tal desdobramento seja suficiente para ganhar a empatia do público pelos humanos, porém há ótimos argumentos aqui para teorias.

Paralelamente aos nomes principais da história, o roteiro faz desvios propícios para apresentar novos e coerentes personagens que dão substância ao andamento da carruagem. Temos tanto um ponto de fuga para o lado emocional quanto um adendo mais cômico — algo incomum na franquia, mas que veio a calhar nesse caso.

Assim, apesar de reunir a macacada para a guerra, esta finalização da saga também se mostra muito próxima das diferentes perspectivas dos macacos e dos humanos. É um filme coeso em sua construção e surpreendente em vários momentos. Você vai da reação boquiaberta, passa por situações fofas e chega aos momentos mais intrigantes em poucas situações.

Se embananado por bobeira

Qualquer deslize no roteiro de uma continuação — principalmente se estamos falando de um encerramento de uma saga —pode ser um grande enrosco em um trabalho de anos. Às vezes, uma cena alongada ou detalhes pouco relevantes resultam em um desperdício de esforço e no cansaço da plateia.

Este definitivamente não é o caso na grande maior parte de “Planeta dos Macacos: A Guerra”, porém há determinados trechos que claramente agregam pouco ao contexto e deixam a trama num ritmo mais lento. Falta banana para a macacada realmente partir para o “vamo vê” e isso resulta num filme longo e, às vezes, pouco cativante.

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Aliás, eis aqui outro ponto que simplesmente não colou: a dramaticidade. É certo que nem todo filme é projetado para deixar o público aos prantos, contudo é perceptível que algumas situações, mesmo que muito forçadas, não parecem alcançar o impacto planejado. A empatia com César e seus amigos é constante, porém nem as cenas chocantes nos fazem demonstrar tamanha tristeza com os personagens.

Talvez, em parte, o problema esteja na computação gráfica, que mesmo incrivelmente realista, nos impede de crer que estamos vislumbrando macacos de verdade. No entanto, pode ser que a própria evolução dos símios e todo esse cenário de guerra é que causem essa estranheza de sentimentos para com as situações. A trilha sonora até tenta forçar a barra, porém não vamos além de um simples “putz, que cena tensa”.

Sempre válido ressaltar o incrível trabalho de Andy Serkis, que contracena muito bem com os demais atores que entregam ótimas performances aos macacos. Todavia, parte do sucesso neste título fica por conta de Woody Harrelson, que dispensa comentários e simplesmente rouba a cena em várias ocasiões.

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Muito se deve também ao roteiro bastante expressivo em seus diálogos, mesmo que muitos sejam apresentados apenas de forma corporal. Em questão de produção, trata-se de uma obra cuidada nos mínimos detalhes, com cenários de tirar o fôlego. A fotografia fica incrível com a paisagem permeada por neve e árvores, que criam uma paleta de cores bem contrastante. Isso sem falar nas fantásticas cenas repletas de arte, com o por do sol delineando a silhueta dos macacos.

No todo, “Planeta dos Macacos: A Guerra”  é uma conclusão épica que nos deixa com a pulga atrás da orelha em vários momentos e satisfeitos pelo brilhantismo em várias gingadas. Mais do que recomendado ver na telona!

Fonte das imagens: Divulgação/20th Century Studios

Planeta dos Macacos: A Guerra

Eles evoluíram. E nós?

Diretor: Matt Reeves
Duração: 142 min
Estreia: 3 / Ago / 2017

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