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Crítica do filme Predadores Assassinos

Eles vão te caçar até você cansar!

Fábio Jordão

por
Fábio Jordão

Quarta, 25 de Setembro de 2019
Fonte da imagem: Divulgação/Paramount Pictures
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Não é preciso ser um cinéfilo para perceber que há um mar de filmes (e oportunidades de fazer dinheiro fácil) com criaturas marinhas aproveitando situações oportunas para encher suas respectivas panças ou simplesmente para caçar por diversão. Na verdade, essa onda de filmes com predadores selvagens começou há algumas décadas e teve grandes títulos como “Tubarão” que marcaram época.

Todavia, as marés nem sempre foram favoráveis para outros monstros considerados reis do mundo animal: os crocodilos. Há alguns exemplos de filmes protagonizados por répteis famintos, mas esses são exceções e não muito famosos. Assim, “Predadores Assassinos” chega para tentar conquistar seu lugar em águas internacionais e fazer uma moral com um público que já está cansado dos Sharknados.

Curiosamente, a distribuidora do filme até tenta esconder essa informação na sinopse oficial, mas o cartaz e o próprio trailer não omitem tal detalhe, o que na verdade vem a calhar para chamar a atenção da garotada que adora um bom filme de caçadores ferozes da natureza. Contudo, a tática de esconder ao máximo essa surpresa é um tanto óbvio: garantir o máximo de ineditismo para o público.

Uma coisa interessante foi a forma como o roteiro foi montado, aproveitando para criar uma trama coerente e para unir dois tipos de filme em um só. Tudo começa quando um furacão atinge a Flórida e Haley (Kaya Scodelario) ignora as ordens das autoridades e vai procurar seu pai desaparecido (Barry Pepper). Assim, os dois ficam presos na inundação e logo descobrem que a chuva é o menor dos problemas.

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Essa ideia de misturar desastre natural e criaturas sinistras num mesmo local pode parecer um tanto forçada, mas “Predadores Assassinos” tem suas táticas para nos convencer e o faz de forma inteligente para prender nossa atenção — e, depois de um tempo, isso nem importa, porque o negócio é ver a bicharada fazendo a festa. Para quem não quer muitos detalhes adicionais, vale dizer que este é um filme completo de monstrão e certamente a história envolta em sustos vai fisgar você!

À toa na Lagoa

Essencialmente, a sinopse acima resume bem toda a trama da película, de modo que os poucos minutos de introdução são apenas uma contextualização para o miolo do longa-metragem, que realmente foca na dinâmica entre caça e caçador. Assim, analisando do ponto de vista de roteiro, o filme “Predadores Assassinos” realmente não tem muito o que contar, já que a ideia é entreter pelo susto e não pela história.

A parte interessante desse processo de “encher linguiça” é que o filme realmente faz uma ponte legal entre os dois gêneros propostos (desastre e predadores). Para quem é fã de filmes nesses estilos, certamente a união das duas ideias vai parecer coerente e permitirá, ao menos, desfrutar de boas cenas em meio aos fortes ventos e à inundação que se mostra incessante a cada instante.

Agora, é importante frisar que está tudo bem criar uma história com um mínimo de argumentos para chegar num clímax que anime a plateia. O problema é que o script dos irmãos Rasmussem dá rodeios desnecessários (e mesmo espichando, o filme ainda fica curto) e constrói personagens de forma forçada para tentar convencer o público do porquê da dupla protagonista estar submersa nesta situação um tanto inusitada.

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Ok, eventualmente, alguns argumentos vão servir para desenvolver os protagonistas, mas não temos nada de genial no roteiro. Para falar a verdade, o uso de flashbacks e toda a trama familiar acaba sendo irritante mesmo, pois o público não quer saber disso e nem tem tempo para se afeiçoar aos dois, uma vez que não estamos tratando de personagens famosos.

Nadando de braços aberto no terror

Bom, se por um lado “Predadores Assassinos” se afoga aos poucos em bobeiras na história, por outro ângulo temos uma composição de terror bem diversificada e até inovadora em alguns pontos. Dada a prisão do script num mesmo lugar, o script tem algumas cenas bem ousadas, tanto do ponto de vista técnico quanto da premissa de criar sustos em momentos oportunos.

Além do timing preciso nas aparições dos monstros, o filme conta com uma montagem inteligente, que abusa da fotografia permeada por penumbras, bem como de lugares que ficam ocultos ao espectador. Tudo isso cria um clima de tensão constante, que parece nunca terminar, criando um grande clímax do meio do filme até o final.

Vale mencionar que as cenas mais assustadoras não abusam da técnica de jump scare, mas se valem da construção das situações inusitadas, que fazem com que tenhamos uma perspectiva bem ampla de tudo que está acontecendo. Uma coisa bacana é que o roteiro dá conta de trazer algumas explicações científicas, que permitem à plateia ter noção de para quais locais devem manter seus olhos fixos.

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E, no fim do dia, o filme “Predadores Assassinos” sabe brincar com o perigo, trazendo muitas cenas bem montadas (com bons efeitos visuais e uma trilha sonora no capricho) e faz isso sem economizar no banho de sangue. Um filme que cumpre bem os principais requisitos para se encaixar na categoria “filme de bichão faminto” e que certamente vai ser um prato cheio para ver na telona!

Fonte das imagens: Divulgação/Paramount Pictures

Predadores Assassinos

Tem alguma coisa na água!

Diretor: Alexandre Aja

Duração: 87 min

Estreia: 26 / Set / 2019

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