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Crítica do filme Quando as Luzes se Apagam

Roteiro inseguro se perde no escuro

Fábio Jordão

por
Fábio Jordão

Quinta, 18 Agosto 2016
Fonte da imagem: Divulgação/Warner Bros. Pictures
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Quando David F. Sandberg exibiu o curta-metragem “Lights Out” lá no começo de 2014, muita gente ficou surpresa com as boas ideias apresentadas e a direção criativa do cineasta.

Graças ao enorme sucesso, o projeto de Sandberg acabou despertando o interesse de ninguém menos que James Wan (que você deve conhecer de “Invocação do Mal”).

Foi assim que a Warner resolveu tocar o projeto “Quando as Luzes se Apagam” em frente, levando a ideia do curta-metragem para a telona. Na versão estendida da história, acompanhamos uma família que enfrenta adversidades com uma criatura que habita na escuridão.

O pequeno Martin (Gabriel Bateman) está com dificuldades para dormir e apresenta problemas para se concentrar na escola. O problema parece ser sua mãe, Sophie (Maria Bello), que está um tanto fora do normal. Ela conversa sozinha e deixa a casa toda no escuro. Logo, o garotinho começa a ver uma silhueta sinistra nas sombras e fica apavorado.

Devido aos relapsos da mãe, a irmã de Martin, Rebecca (Teresa Palmer), resolve acolher o garoto, enquanto tenta se reconciliar com a mãe. Contudo, pode ser que os perigos da escuridão não sejam apenas coisas da cabeça de Martin ou de Sophie, mas sim uma assombração misteriosa do passado que vai colocar a família toda em risco.

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Sem entrar em detalhes, dá para adiantar que o resultado não é genial. A versão alongada do curta tem boa vontade e tenta levar a plateia para tomar sustos no escuro, mas os argumentos da história não dão muito certo e falta substância para entregar inovação na parte de terror. Filme meia-boca e que não consegue nem ser metade do que promete nos trailers.

Produção competente

Não é todo filme de terror que consegue alcançar o nível de qualidade de “Invocação do Mal”, “O Exorcista” ou de outros clássicos do gênero. No caso de “Quando as Luzes se Apagam”, a produção acerta em vários pontos, apesar de não surpreender o público mais exigente.

Primeiramente, temos boas ideias na questão dos cenários. Por se tratar de uma história que necessita de ambientes com muita penumbra, a escolha de ambientes menores e que possibilitem a atuação da criatura sobrenatural foi um fator importante para entregar boas experiências de susto.

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O uso de luzes e sombra é o que mais impressiona, uma vez que o diretor David F. Sandberg dá o direcionamento correto para as câmeras e encurrala a plateia constantemente em locais onde não há como fugir do escuro. É simples, as luzes se apagam e não sobra um corajoso para enfrentar a criatura que habita nas trevas..

A trilha sonora de Benjamin Wallfisch também vem a calhar, uma vez que, como muitos filmes congêneres, “Quando as Luzes se Apagam” abusa de jump scares (aquelas cenas clichês que apelam para mudança súbita de câmera e o barulhos em volume bem alto). É claro que, depois de algumas repetições, tudo fica manjado, mas a sonoridade amplia a tensão.

É simples, as luzes se apagam e não sobra um corajoso para enfrentar a criatura que habita nas trevas..

Apesar de contar com alguns nomes mais conhecidos, como Teresa Palmer e Maria Bello, o elenco nem sempre é o responsável por guiar a trama. Os diálogos são fracos e, salvo algumas cenas com Maria Bello, o trabalho da equipe se mostra bastante medíocre. Não que a culpa seja dos atores, já que o roteiro pode levar a culpa por boa parte do fracasso do filme.

O filme também depende um tanto de efeitos especiais. Nesse quesito, o trabalho é até bem convincente, com algumas cenas que deixam a plateia bem instigada. A criatura que habita no escuro está ali para ser protagonista e, nesse ponto, não dá para botar defeito. Ela se esgueira da luz, rasteja pela escuridão e se locomove sempre em direção à câmera.

Terror inconsistente

Se a produção acerta em vários quesitos, o roteiro acaba prejudicando o desenvolvimento da obra. A história básica de “Quando as Luzes se Apagam” não é ruim. Há aqui material suficiente para desenvolver uma boa trama e fazer algumas viradas de perspectiva que poderiam deixar os espectadores realmente intrigados.

O início da história é bem interessante e o roteiro prende a atenção até determinado ponto. Acontece que, talvez por falta de atenção, a história começa a tropeçar em fatos que apresentou no começo da película, o que deixa todo mundo bastante confuso. A falta de coerência entre vários argumentos apresentados só piora e no fim a salada está feita.

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Também é evidente que o roteiro aproveita várias ideias já vista em outros filmes. Isso não é o fim do mundo, já que inovação do começo ao fim é algo raro neste gênero. O problema é que não há muita coisa nova além do ser sobrenatural que habita no escuro. Sem ter ideias consistentes, o roteiro apenas vaga pelas sombras e não consegue jogar uma luz numa história que poderia ser bem interessante.

Infelizmente, o resultado final de “Quando as Luzes se Apagam” deixou muito a desejar. O que vemos na telona é um alongamento da proposta do curta-metragem. A mesma técnica de susto é usada do começo ao fim. Dá certo nas primeiras vezes, mas as surpresas acabam rapidamente. No geral, um filme mediano. Nada de genial para os fãs de terror, mas uma boa pedida para assustar os mais sensíveis.

Fonte das imagens: Divulgação/Warner Bros. Pictures

Quando as Luzes se Apagam

Você tinha razão em ter medo do escuro!

Diretor: David F. Sandberg
Duração: 81 min
Estreia: 18 / Ago / 2016

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