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Critica do filme Shazam!

Uma palavra pode mudar tudo

Carlos Augusto Ferraro

por
Carlos Augusto Ferraro

Quinta, 04 Abril 2019
Fonte da imagem: Divulgação/Warner Bros. Pictures
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Shazam é o filme mais Marvel da DC e isso é muito bom. O que pode soar como ofensa para fãs mais ardorosos, ou como saudoso aceno às origens do herói — que até meados dos anos 70 era conhecido como Capitão Marvel — é apenas a constatação de que o filme conhece o seu protagonista e ajusta o seu tom de acordo, seguindo o exemplo do que a Marvel vem fazendo com muito sucesso nos cinemas.

Sem entrar na infindável discussão sobre os porquês dos insucessos da DC no cinema, basta dizer que impor um meta-conceito em todos os personagens não funciona, e no caso específico de Shazam, seria totalmente contrário à essência do herói. Mérito aqui para o trio David F. Sandberg, Henry Gayden e Darren Lemke que entenderam o personagem e entregaram uma aventura bem adaptada.

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Sandberg explora ao máximo o humor juvenil próprio dos quadrinhos da Era de Ouro, navegando com sucesso entre a ingenuidade e a petulância. O roteiro da dupla Gayden e Lemke tem seus problemas, mas é coerente tanto como história de origem em mais um capítulo do inconsistente DCEU (universo cinematográfico estendido da DC Comics) ou como uma aventura “oitentista” digna da Sessão da Tarde.

Com uma apresentação dinâmica, o filme apresenta contornos mais claros para a nova face da DC nos cinemas. Seguindo o exemplo de Aquaman, Shazam!, não tem medo de tirar sarro de si mesmo e de todo o universo DC, entregando assim não apenas um filme de herói, mas também outros elementos que dão mais substância. Os roteiristas e o diretor não tentam forçar sua visão sobre o personagem, pelo contrário eles se adaptam ao personagem.

Me chame pelo meu nome 

Quem nunca pensou em ser um super-herói, com poderes espetaculares e habilidades fantásticas. Bem, Billy Batson (Asher Angel) não tem muito tempo para esse tipo de fantasia, o problemático garoto de 14 anos tem apenas uma coisa em mente, encontrar a sua mãe. Depois de se separar dela quando criança, Billy passou a viver em uma série de lares adotivos — sempre fugindo para tentar encontrar sua mãe perdida. Agora, a caminho do seu sétimo lar consecutivo, sob o teto da família Vázquez — um simpático casal com outras cinco crianças adotadas — Billy não parece nada sensibilizado e já planeja sua fuga da casa.

No entanto, antes de partir, Billy mostra seu valor ao defender um de seus irmãos adotivos de uma dupla de valentões, mas as coisas não saem muito bem e o garoto é obrigado a fugir dos dois e é aqui que tudo fica mais interessante. Enquanto fugia dos brigões, o garoto é magicamente transportado para a Rocha da Eternidade, o reduto mágico do milenar Mago Shazam, que há muito busca por um campeão capaz de portar o seu poder e seguir lutando contra o mal.

Assim, quando Billy pronuncia a palavra mágica — o nome Shazam — ele é transformado no Campeão da Humanidade, um ser imbuído com a sabedoria de Salomão, a força de Hércules, a resistência de Atlas, o poder de Zeus, a coragem de Aquiles e a velocidade de Mércurio. Com seus novos superpoderes, Billy vai atrás de seu irmão adotivo Freddy Freeman (Jack Dylan Grazer) — um fã de super-heróis que certamente saberá lidar com a situação.

Em tempo a dupla começa a compreender quais são os poderes de Billy e como usá-los, mas antes que os dois consigam entender o que está acontecendo, um terrível vilão aparece para destruir Shazam e trazer o caos para o mundo. Trata-se do Dr. Thaddeus Sivana (Mark Strong), um homem que na juventude foi preterido pelo Mago Shazam, que não viu nele a capacidade para o bem, como a que reside no coração de Billy.

Rancoroso, o Dr. Silvana conseguiu localizar o esconderijo do mago e lá ele libertou os “Sete Inimigos Mortais da Humanidade”, sete terríveis demônios que foram aprisionados pelo Mago Shazam em sete estátuas de pedra, um castigo que deveria durar para toda a eternidade, mas que graças à artimanha do Dr. Silvana foram liberadas e agora alimentam a sua sede por poder.

Aproveitando bem diferentes elementos das origens do Capitão, sejam da versão original lá de 1939 ou da releitura dos Novos 52 (linha editorial da DC que recontou a origem de vários personagens), Gayden e Lemke escrevem sobre a essência de Shazam, enquanto Sandberg a descreve e Zachary Levi a materializa na tela.

Mesmo com alguns diálogos expositivos atrasando o fluxo da narrativa, o filme flui com certa rapidez, muito por conta do dinamismo de Sandberg, que apesar de não inovar se aproveita muito bem de diferentes estilos para costurar o filme de maneira eficiente. As cenas de luta parecem saídas diretamente de Homem de Aço, enquanto os momentos mais cômicos são inspirados em clássicos oitentistas como Quero Ser Grande.

Família Shazam!

A Família Shazam era o nome do grupo de super-heróis associados ao Campeão da Humanidade, mas aqui eu uso o termo para me referir ao trio de atores que comanda o filme. Zachary Levi, Asher Angel e Jack Dylan Grazer dão um show a parte, a química entre os três é essencial para que o filme funcione e os três entregam ótimas performances.

Além do talento por trás das câmeras, o filme também acertou em cheio no elenco. Apesar de não ter gostado muito da indicação de Zachary Levi para o papel, fui obrigado a rever minha posição depois de assistir a sua atuação. Levi possui um carisma peculiar que encaixa muito bem com a estranheza de Shazam. Além disso, a parceria com Asher Angel e Jack Dylan Grazer parece extremamente natural entregando um trabalho coletivo muito interessante.

O mesmo vale para o resto do elenco. Mark Strong não foge muito da sua zona de conforto e mesmo assim constrói uma personificação sombria do Dr. Silvana. Enquanto isso, a “família” adotiva de Billy, Faithe Herman, Jovan Armand, Ian Chen e Grace Fulton esbanjam carisma.

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O mais Marvel da DC

Shazam acerta o tom e mostra que ainda há muita vida no DCEU. A direção de David F. Sandberg é ágil e inteligente, mesmo sem ser especialmente inventiva. O roteiro da dupla Henry Gayden e Darren Lemke é competente em expor a essência de Billy Batson e sua família estendida, mas falha em apresentar todos os elementos que fazem de Shazam, não apenas um personagem carismático, mas um dos mais poderosos do universo DC (capaz de fazer frente ao Super-Homem). 

Shazam! pode não ser memorável, mas apresenta o que o DCEU precisa; um herói

O elenco é sem sombra de dúvida o ponto alto do filme. Como alguém que não gostou muito da nomeação de Zachary Levi para o papel de Shazam - a versão adulta e superpoderosa de Billy Batson - me sinto obrigado a reiterar o trabalho do ator. Levi é engraçado na medida certa, e a sinergia com Jack Dylan Grazer (que encarna Freddy Freeman) é excepcional, entregando as melhores cenas do filme.

Shazam! agrada sem fazer muita força. O filme acerta o tom para chamar famílias que não conhecem o personagem, e recheia a história com pequenas supresas para os fãs mais ardorosos - por sinal, existem duas cenas pós-creditos, sugerindo inclusive uma continuação com um dos vilões mais insólitos de toda a DC Comics. No melhor estilo Sessão da tare, Shazam chega para redefinir o DCEU e quem sabe restabelecer um universo cinematográfico que parecia extinto.  

Fonte das imagens: Divulgação/Warner Bros. Pictures

Shazam!

Se você quer salvar o mundo, diga a palavra mágica

Diretor: David F. Sandberg

Duração: min

Estreia: 5 / Abr / 2019

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