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Crítica do filme Slender Man: Pesadelo Sem Rosto

Se você vir já será tarde

Carlos Augusto Ferraro

por
Carlos Augusto Ferraro

Quarta, 29 Agosto 2018
Fonte da imagem: Divulgação/Sony Pictures
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Criado a quase uma década atrás, lá nos idos de 2009, como parte de uma batalha de edição de imagens do fórum de discussão Something Awful, o Slender Man “reciclou” mitos do passado e renovou a tradição oral dentro da internet. O desafio era simples, “criar imagens de teor paranormal”, mas o usuário Eric Knudsen (também conhecido como "Victor Surge") foi além. Ao apresentar duas imagens em preto-e-branco de grupos de crianças acompanhadas de uma figura espectral alta vestida de terno preto, o artista recriou um mito transformando-o em meme.

Desde então a criação de Knudsen já rendeu filmes, videogames, livros e outros projetos que expandem e moldam a mitologia da criatura da mesma forma que as antigas tradições orais adaptaram histórias conforme eram contadas. Agora é a vez da Sony entrar na brincadeira e tentar faturar um trocado contando a sua versão do “homem esguio”.

Com um elenco jovem e promissor, comandado por Joey King (A Barraca do Beijo), e roteiro de David Birk (do controverso Elle) o filme Slender Man - Pesadelo Sem Rosto fica mudo e não empolga em nenhum momento. A direção monótona de Sylvain White (do igualmente horrível Eu Sempre Vou Saber o que Vocês Fizeram no Verão Passado) aposta em clichês e tem dificuldades para acertar o tom de suspense. No final, se você não cochilar nenhuma vez, fica apenas a impressão de que trata-se de mais uma boa ideia mal aproveitada.

"As aspas de Gutemberg”

O impacto social do Slender Man se tornou evidente quando uma série de incidentes violentos foram relacionados ao mito, sendo o mais notável o caso do esfaqueamento em Waukeshasin, no qual Anissa Weier e Morgan Geyser, duas garotas de 12 anos, deram 19 facadas em uma colega como parte de um ritual para aplacar os desejos de Slender Man.

Mesmo que moralmente contestável, a terrível história real das garotas de Waukeshasin já seria uma base muito mais interessante e relevante do que a concebida por David Birk. Reaproveitando elementos típicos do terror sobrenatural e transformando o Slender Man em uma lenda urbana nos moldes de Candyman - que após conjugado passa a perseguir seus invocadores - o roteirista não se arrisca e por conta disso cai na vala comum dos filmes de terror pré-adolescente.

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Rumores de intervenções do estúdio na edição final podem explicar algumas das falhas da história e, principalmente, da montagem do filme. Mesmo assim, o diretor Sylvain White faz escolhas erradas ao longo de boa parte da fita. Se o início é promissor, com um clima de suspense psicológico, tudo vai por água abaixo do segundo ato em diante.

Sustos previsíveis e uma narrativa monótona deixam o filme arrastado e, francamente, chato. O elenco principal até entrega momentos interessantes, mas a direção pouco inspirada e o roteiro derivativo não ajudam os atores a explorarem outros aspectos da cena, ficando atados a meras reações de medo e confusão. Uma pena haja vista o potencial do personagem e da própria equipe que, em trabalhos anteriores, já mostraram talento.

Creepypasta

Se você procura um filme de terror sobrenatural melhor esperar por outra edição da série Invocação do Mal ou quem sabe A Entidade - que é uma mutação óbvia da historia do Slender Man. Ambas as produções usam os mesmos clichês visto em Slender Man: Pesadelo Sem Rosto, mas com roteiros e direção muito mais inspirados.

Agora, se o que você quer é algo especificamente sobre o Slender Man também existem opções muito melhores. Um ótimo exemplo é o documentário da HBO, Cuidado com o Slenderman, que aborda o esfaqueamento em Waukeshasin e a mitologia do personagem para criar um filme inteligente e muito mais aterrorizante do que a obra de Sylvain White.

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Slender Man: Pesadelo Sem Rosto e um filme lento que não aproveita as deixas que ele mesmo lança. A ideia de explorar os limites entre alucinação e realidade é uma proposta interessante e que se encaixa muito bem no mito do Slender Man, mas que é muito mal aproveitada no filme. Com uma direção nada inspirada e um roteiro insípido, Slender Man: Pesadelo Sem Rosto é um desperdício de bons conceitos e de um elenco jovem muito promissor.

Fonte das imagens: Divulgação/Sony Pictures

Slender Man: Pesadelo Sem Rosto

A lenda sem rosto ganha vida

Diretor: Sylvain White

Duração: 91 min

Estreia: 23 / Ago / 2018

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