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Crítica do filme Spotlight

Jornalismo a serviço da Verdade e do Cinema

Fábio Jordão

por
Fábio Jordão

Quinta, 11 Fevereiro 2016
Fonte da imagem: Divulgação/Sony Pictures
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Quem vê apenas o título “Spotlight”, que no Brasil ainda recebeu o subtítulo “Segredos Revelados”, pode não ter muita noção do que o novo filme dirigido e co-escrito por Tom McCarthy tem a contar de tão chocante.

Contudo, após saber das tantas indicações ao Oscar, muita gente certamente ficou curiosa para ver do que tratava o longa. Uma pena que o filme já está saindo de cartaz de muitas salas, pois ele realmente tem uma verdade difícil de engolir para mostrar ao mundo.

Baseado na investigação verídica da equipe Spotlight, um grupo de jornalistas do Boston Globe especializados em escândalos, que revelou ao mundo o esquema global de molestação infantil e de acobertamento pela arquidiocese católica, o filme vem para tratar como se deu todo esse processo e como tal sujeira estava enraizada na igreja.

Essa história inusitada roubou as manchetes lá em meados de 2002, mas somente agora o mundo tem a chance de acompanhar o caso em uma adaptação cinematográfica que retrata em detalhes boa parte dos acontecimentos.

Quer saber se vale a pena? Bom, um filme nomeado em tantas categorias com certeza tem seus méritos e tenho de dizer que isto não é só papo de crítico, porque esta obra tem muito conteúdo a oferecer ao mundo. Acompanhe o restante da abordagem no decorrer desta crítica para entender o motivo para todos estarem falando tão bem do filme.

Jornalismo investigativo e casos pesados

O time que assume a bronca por trás do setor jornalístico denominado como “Spotlight” (Holofote) é de cair o queixo. Com nomes como Mark Ruffalo, Michael Keaton, Rachel McAdams, Liev Schreiber e John Slattery, a equipe tem bagagem de sobra para levar o público a acompanhar o caso investigativo de perto com riqueza de detalhes.

Entre esses tantos nomes, Mark Ruffalo e Michael Keaton certamente recebem um pouco mais de atenção, tanto por serem os principais na história quanto pelas excelentes atuações. Eu, particularmente, nem vou com a cara do Ruffalo (a meu ver, ele sempre foi um cara medíocre), mas tive que reconsiderar meus parâmetros depois deste filme.

Felizmente, a trama do filme é bem distribuída e há espaço para cada personagem ter seu momento de brilhar nesse emaranhado de mentiras, acobertamentos e depoimentos. Rachel McAdams, Brian d'Arcy James e John Slattery também participam legal, garantindo envolvimento na trama sem deixar a peteca cair. Ah, e o Liev Schreiber tá quase irreconhecível, tanto na aparência quanto na presença imponente, mas ele se saiu muito bem em seu papel.

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É importante ressaltar aqui que, além de expor bem a situação privilegiada (para não dizer coisa pior) da igreja, o filme trata de um assunto muito delicado: as vítimas. Muito do roteiro é construído com base nas histórias absurdas e inacreditáveis, mas que se provam reais.

Certamente, se existem heróis nessa história e que merecem tanto os créditos pela exposição do problema quanto os jornalistas são as crianças (que na época do escândalo já eram adultas), que cresceram com traumas, inúmeros problemas familiares e que, acima de tudo, tiveram suas vidas alteradas para sempre. É triste ouvir cada depoimento e de ficar boquiaberto com as propostas absurdas dos líderes religiosos.

“Spotlight - Segredos Revelados” joga uma luz em todos esses pormenores, passando um alerta para o mundo de que nem tudo é o que parece. Não vem ao caso dar nome aos bois, mas, assim como é mostrado no filme e houve no passado, ainda há inúmeras instituições que supostamente são de confiança, mas que ainda escondem a sujeira debaixo do tapete. E não adianta esperar pela justiça, porque isso pode não existir para alguns casos...

Produção fantástica

Com tantas indicações e prêmios já obtidos, esta obra está dando o que falar, mas não se trata apenas de um filme que choca com a verdade. Temos aqui um bom exemplo de produção com orçamento limitado que acaba provando à indústria e aos espectadores que é possível construir uma boa narração, com ótimos atores e capricho nos mínimos detalhes sem apelar para clichês.

A fotografia do filme é planejada, colocando o espectador para acompanhar o dia a dia da redação dentro do jornal e também nas ruas. O longa faz questão de mostrar como é a correria, as limitações, os cenários e todos os detalhes de quem trabalha com jornalismo. Isso não é algo que vemos muito no cinema, mas a boa direção e o roteiro colaboraram muito nesse sentido.

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A meu ver, tão importante quanto as atuações e sequências impactantes no roteiro que se passam em ambientes coerentes, é a trilha espetacular de Howard Shore. O maestro que ficou conhecido por seu trabalho em grandes filmes como “Senhor dos Anéis” e “A Invenção de Hugo Cabret” tem aqui uma presença de suma importância.

As composições originais de Shore acompanham cada passo dos jornalistas, deixando a plateia com os olhos fixos e os ouvidos atentos a cada movimento. Com novas informações chocantes pintando a cada instante, não há como o pensamento divagar. O filme vai te prender do começo ao fim.

Spotlight - Segredos Revelados” é o tipo do filme que deixa o público apreensivo e sedento por mais informações. O roteiro original segue muito bem os passos dos jornalistas e estampa as manchetes em cenas bem construídas na telona. É uma produção de qualidade do começo ao fim. Veja e fique pasmo com a história e as boas atuações. Mais do que isso, leve a palavra aos seus conhecidos, pois é preciso espalhar o conhecimento e colocar um ponto final nessa história.

Fonte das imagens: Divulgação/Sony Pictures

Spotlight – Segredos Revelados

Pause a história. Quebre o silêncio

Diretor: Tom McCarthy

Duração: 128 min

Estreia: 7 / Jan / 2016

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