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Crítica do filme Star Wars: O Despertar da Força

Bem-vinda nova geração

Edelson Werlish

por
Edelson Werlish

Quinta, 17 de Dezembro de 2015
Fonte da imagem: Divulgação/
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Apagam-se as luzes. Logo da Lucas Film brilha na tela. Em poucos segundos lá vem o esperado título: Star Wars, pan panpanpan, seguido por Episódio VII – O Despertar da Força. A sala de cinema vibra e não tem como segurar a emoção. Desde aquela tarde de outubro, em 2012, na qual a Disney anunciou a compra da companhia de George Lucas – progenitor e diretor de vários filmes da franquia –, foram três anos de espera e expectativas para rever nas telonas a continuação direta de O Retorno de Jedi, lançado há mais de 30 anos. Era o recomeço da saga que revolucionou não apenas a sétima arte, com seu ‘estranho’ roteiro de ópera espacial e efeitos especiais inovadores, mas também toda a cultura popular de uma geração. Se em três décadas muita coisa mudou, Star Wars também teria que se reinventar e se adaptar a esse novo mundo. À medida que os créditos iniciais vão rolando pelo espaço ao som da música-tema da obra, todas as palavras da tela e murmúrios dos coadjuvantes da sessão de cinema se resumem em um uníssono “Bem-vindo nova geração”.

Tudo igual, só que diferente

A missão de O Despertar da Força é bem grande. Dar seguimento do consagrado mundo de Star Wars no cinema e, ao mesmo tempo, apresentar um novo filme para novos fãs. O diretor J.J. Abrams, nerd-mor que já havia revitalizado Star Trek para as telonas, foi o escolhido para assumir esse cargo, e, junto com a presidente da Lucas Film, Kathleen Kennedy, puxaram as rédeas para criar esse novo capítulo, que é igual ao primeiro longa de 77, Uma Nova Esperança, mas diferente.

É igual na sua essencial. J.J. Abrams traz de volta o espírito consagrado do primeiro filme para uma visão atual. O Monomito, ou Jornada do Herói, conceito abordado pelo escritor norte-americano Joseph Campbell que estabelece os parâmetros para o caminho trilhado pelo protagonista, é o grande idealizador. Abrams se utiliza da boa e velha fórmula para fazer um remake do Episódio IV e ao mesmo tempo um reboot, introduzindo novos personagens e criando pilares que irão sustentar toda uma nova trilogia. Um tiro certeiro. O Despertar da Força conversa com o novo público e respeita todos os velhos e saudosos fãs da saga.    

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Para os novatos, grandes personagens e uma história única em toda a galáxia. O quarteto de atores principais escolhidos, Daisy Ridley, John Boyega, Oscar Isaac e Adam Driver assumem seus papéis dentro do universo com maestria, longe de serem tímidos ou introspectivos. Algumas passagens carecem de uma carga mais qualitativa de interpretação, mas a atuação do atores se confundem com as histórias de suas próprias personagem, dando margem para a compreensão e entendimento da jornada que cada um irá seguir nesta nova trilogia.

Para os old school, a alegria é ainda maior. A cada personagem clássico que vai aparecendo, citação aos filmes anteriores ou piadas sobre as situações momentâneas vão arrancando suspiros diferentes. Harrison Ford, Carrie Fisher, Peter Mayhew e Anthony Daniels, que interpretam respectivamente Han Solo, Leia Organa, Chewbacca e C-3PO, estão presentes no longa como nunca, e em ótima forma. Não são apenas um ‘fã service’. Todos eles tem seu papel de destaque na história e são responsáveis, dentro do filme, para contar as histórias do passado e preparar os jovem para as guerras que estão por vir.

Destaque especial para o droid bola de cor laranja e branca: BB-8. Um dos pontos fortes da saga sempre foi ter personagens de apoio muito bem desenvolvidos e importantes. Um dos maiores acertos de O Despertar da Força é esse robozinho malandro, que resgata o carisma de R2-D2 e extrapola nas traquinagens, tirando boas risadas dos telespectadores. A comédia, que sempre caminhou junto com todos os longas da sextalogia, volta com ‘força’.

A caranga mais rápida das galáxias, Millennium Falcon, é outro elemento chave. Tão importante para a trama é sua importância para o próprio fã. A lendária nave (que fez a Corrida Kessel em menos de doze parsecs), voa, gira, atira e entra em hyper velocidade com nunca visto, e com incríveis efeitos digitais e práticos balanceados. Isso é o que ela, Star Wars e os fãs sempre mereceram.

O lado negro do filme

Hora de desligar um pouco a empolgação e falar dos pontos negativos do Episódio VII. Se por um lado O Despertar da Força traz Star Wars de volta às origens, por outro ele se acomoda no sucesso de seus antecessores, não se permitindo maiores inovações. Falta ousadia no comando de J.J. Abrams para criar uma obra prima máxima. A aproximação de roteiro com Uma Nova Esperança é muito explícita, o que torna o 3º ato do filme pouco impactante, fazendo o final do longa mais dependente da descobertas de mistérios e espera por cliffhangers. Porém, é um fator remediável quando você percebe que esse filme é apenas o começo de uma nova trilogia. Trilogia que tem potencial para se tornar uma grande obra prima.

Outra questão que rende pouco é a participação de alguns personagens. A Capitã Phasma, stormtrooper prateado interpretado pela ‘grande’ Gwendoline Christie (Brienne de Game of Thrones), causou muito nos trailers, mas faz pouco no produto final. A vencedora do Oscar, Lupita Nyong’o, fazendo papel de Maz Kanata por captura de movimentos, é simpática e carismática, digna de importância maior na história, mas rende-se a um desdobramento de roteiro e desaparece. Seja por uma opção de dar destaque maior aos veteranos da série, esses são exemplos de personagens que merecem futuramente uma melhor atenção.

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A Força despertou... mas o mistério continua

Star Wars: O Despertar da Força foi anunciado como sendo o primeiro de uma série de filmes que a Disney fará dentro desse universo. Ao longo dos últimos três anos, foram poucos detalhes soltos pelo estúdio, que investiu em um marketing de divulgação evasivo. Focou no segredos e nas perguntas para vender próximo grande peixe, ao invés de liberar respostas e passagens comprometedoras do filme. E o hype cresceu proporcionalmente à força. As expectativas e venda de ingressos explodiram.

Se o mistério marcou toda a jornada pré-filme, o filme em si não é diferente. Se você acompanhou os três trailers divulgados até então, sabe que milhares de dúvidas pairam pelo ar. Não se preocupe, Star Wars VII vai te responder várias delas, e criar várias outras também. Das diversas teorias discutidas nos últimos tempos pela internet, é engraçado ver que a maioria estava errada, e a história acaba sendo mais simples do que se pensava. Teorias que chegavam ao ponto de dizer que Jar Jar Binks era o mestre Sith por trás de tudo. Risos.

Este é o único spoiler que essa resenha terá: Não, Jar Jar Binks não o mestre Sith e ele não está nesse filme. Pelo contrário, um novo vilão é apresentado e uma nova ameaçada revelada. Deixamos os Sith para trás. Quem dá as caras agora é a Primeira Ordem, grupo que comanda os remanescentes do Império e Stormtroopers. Pouco se sabe sobre essa facção, além deles terem conhecimento do lado sombrio da força e seu objetivo de acabar com a república. Novamente mais perguntas do que respostas, o que só aumenta as expectativas para o Episódio VIII.

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E o velho Luke Skywalker, onde entra nessa balbúrdia toda? O herói se tornou uma lenda nos dias atuais e é o ponto central da trama. O último Jedi vivo é a personificação do mistério em si, aquele ponto de convergência da força que alguns querem achá-lo; outros, destruírem.

O importante é ver essa força retornando. A força das origens e do recomeço. Star Wars: O Despertar da Força é o melhor filme da franquia? Não. Mas essa não é a proposta. Está diretamente comparável com o lançamento do primeiro filme em 1977. Cria as bases para um nova trilogia e respeita os fãs antigos, criando uma espera maior pelo que vem pela frente. Estamos prontos para o ver “O Império Contra-Ataca” dessa geração.

Que a força esteja conosco!

Fonte das imagens: Divulgação/

Diretor: J.J. Abrams

Duração: 135 min

Estreia: 17 / Dez / 2015

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Edelson Werlish

Andou na prancha, cuidado Godzilla vai te pegar!

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