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Crítica do filme Super

As pessoas ficam ridículas quando choram

Mike Ale

por
Mike Ale

Quarta, 24 Maio 2017
Fonte da imagem: Divulgação/Netflix
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Tem uma certa lenda que diz que pra ser convidado pela Marvel Studios, o diretor precisa ter feito algo muito legal antes.

E se o Edgar Wright (Homem Formiga) tinha "Scott Pilgrim", A trilogia do Cornetto e Spaced, e os Irmãos Russo (Capitão América: Soldado Invernal e Capitão América: Guerra Civil) tinham episódios fantásticos das soberbas Community e Arrested Development… Com certeza James Gunn ("Guardiões da Galáxia") chamou atenção por: "Super".

“Alguns de seus filhos são escolhidos”

“Certeza que foi Super? Será que não foi Scoby-doo?” - Certeza. E vou te dizer o porquê.

Antes vamos pra história. Que vendo assim parece ser muito simples (e de fato é):

Depois de ter tido sua esposa Sarah (Liv Tyler) “roubada” por um perigoso traficante de drogas chamado Jacques (Kevin Bacon), o nada heróico e simples fritador de hambúrguer Frank (Rainn Wilson) tem uma espécie de epifania cósmica/sagrada e decide fazer algo que faça sua patética vida valer a pena: Ele se torna um “super herói”. Lógico que é ridículo, ele não tem nenhum super poder e nenhum treinamento. A única coisa que Frank tem é boa vontade e muita fé de que vai conseguir resgatar sua esposa desse jeito.

Mas antes de ir direto para o chefão, Frank, agora o herói mascarado: Crimson Bolt, sai pelas ruas combatendo o mal do dia-a-dia só pra entrar no clima. E nessa ele conhece sua leal parceira: Libby (Ellen Page) fã número um de Crimson Bolt.

Então é um filme de comédia?

Então, não.

Super pode ser tudo, menos um filme fácil que você olha e fala: “É só mais uma comédia” ou “é só mais um filme de herói wannabe”. E é isso que diferencia ele do seu irmão gêmeo mais bonito e melhor sucedido: Kick Ass. Super tem algumas camadas muito profundas, feias e desconfortáveis para se desvendar.

Vamos lá: O mundo é um lugar podre e as pessoas são doentes.

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Pois é, essa é a vibe que o filme te apresenta o tempo todo. É agonizante a atmosfera que cerca os personagens. É um mundo muito feio, as pessoas todas são grossas e coisas dão erradas com pessoas boas ao mesmo tempo em que coisas boas acontecem com pessoas ruins (Atmosfera que lembra muito: “Anti herói americano”). Você consegue entender a motivação de Frank. Você consegue se identificar com ele várias vezes! Algumas das atitudes dele são extremas e exageradas? São. Mas que atire a primeira pedra quem nunca teve vontade de acertar a cabeça daquela pessoa que fura filas com uma chave inglesa…

Seja você a mudança que você quer ver no mundo.

Essa é a mensagem mais legal do filme. Todo mundo vê injustiças acontecendo o tempo todo. E não estou falando de super vilões mascarados que criam armas que podem destruir todo o estado do Texas. Falo de pessoas que não dão dão o lugar para idosos e mulheres grávidas nos ônibus, ou sei lá… Pessoas que ficam conversando no cinema durante o filme. E essa é a mensagem que Crimson Bolt quer passar para você, de um jeito aparvalhado e caricato (e cometendo alguns crimes federais pelo caminho).

É o retrato do homem comum cansado. É o famoso “herói que existe dentro de cada um de nós”. Até mesmo eles são falhos e até mesmo eles podem ser verdadeiros idiotas

“Você não fura filas! Você não vende drogas! Você não molesta crianças! Você não lucra com o sofrimento alheio! As regras foram criadas há muito tempo atrás e não mudaram!”

Mas nossa, então é um filme de drama?

Então, também não!

Muitas vezes o filme é bem bobo. Rainn Wilson é pra lá de careteiro e seus movimentos de luta são no melhor estilo “Jack Black”, e isso tudo adicionado com vários elementos de quadrinhos e muitas piadas incrustadas nos ácidos diálogos tornam o filme uma grande comédia em grandes partes. Mas eu como disse antes, não se engane. Não é filme de chamar a galera pra todo mundo assistir (digo isso por experiência própria). O filme te dá mais mal-estar do que gargalhadas.

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O alívio cômico (apesar do jeito bobo de Rainn Wilson) fica por conta de Ellen Page, com certeza a personagem mais solar do filme todo. Os melhores diálogos do filme são com ela.

E vale lembrar também da parte heróico-religiosa do filme (sim, tem de tudo nesse negócio). Um herói de TV chamado “Holy-Avenger” interpretado por Nathan Fillion, rende as cenas mais absurdas e ridículas do longa.

Um filme autoral de James Gunn

A criatividade de James Gunn fica evidente em todas as cenas. Responsável pela direção e roteiro, o jovem diretor não se limita e joga tudo o que quer na tela. Desde uma cena bizarra com tentáculos até resoluções muito corajosas e ‘fora do lugar comum’ de roteiro.

Acaba que Super vira um filme muito espaçoso onde cabe um pouco de tudo, um pouco de ação, comédia, drama, tédio, ridículo, tristeza, quadrinhos, religião e até um certo romance meio às avessas.

A mente inventiva de Gunn é incansável, mas é fácil de acompanhar. E ele brinca com ela em Super, seu pequeno projeto em que ele não tem pudor algum. Por isso é tão legal, e por isso que foi esse filme que chamou a atenção da Marvel e deu pra ele um grupo de heróis que tem um guaxinim falante e uma árvore de 2 metros que anda. E não poderiam ter escolhido melhor.

Super vai te deixar pensativo, vai te deixar enojado, inspirado, emocionado, entediado e vai te fazer rir e quem sabe até chorar (eu chorei, mas eu sou chorão). Ele vai te alcançar. Em algum lugar ali dentro da sua alma. E talvez você odeie isso.

Assista por sua conta e risco… De qualquer forma: CALA A BOCA, CRIME!

Fonte das imagens: Divulgação/Netflix

Super

Cala a boca, crime!

Diretor: James Gunn
Duração: 96 min
Estreia: 10 / Set / 2010

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Mike Ale

Leitor de gibis e fã do Rick Moranis

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