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Crítica do filme The Crescent

Mar de agonia

Fábio Jordão

por
Fábio Jordão

Segunda, 05 Novembro 2018
Fonte da imagem: Divulgação/Cut Off Tail
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O luto não é apenas um sentimento complexo, mas é um período difícil tanto para se encontrar quanto para encontrar forças para continuar. Não é uma pauta nova em filmes, porém sempre há novas e curiosas abordagens para falar sobre a forma como lidamos com a morte.

Este é o cerne de “The Crescent”, que nos apresenta uma mãe e um filho, que decidem se mudar para uma casa na praia, na tentativa de superar uma morte inesperada na família. Ali, a mãe mergulha em sua arte em uma tentativa de encontrar uma lento, enquanto seu filho ainda não compreende o que exatamente está acontecendo.

Para você que já viu o trailer do longa-metragem, possivelmente deve ter percebido que o limite entre a arte, o suspense e o terror é bastante tênue – e daí o porquê de o título ter sido indicado em várias premiações. No todo, esse flerte entre mistério e imaginativo é o que dá substância para o roteiro e realmente funciona.

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Todavia, pela pegada cult, muita gente fica com um pé atrás na hora de arriscar sentar e gastar uma hora e meia com um filme potencialmente sem explicação. Não tiro a razão de quem julga filmes pelo trailer, mas posso ao menos garantir que, apesar de bizarro, “The Crescent” ao menos se explica e cumpre seu papel no quesito inovação.

Crianças fantásticas e onde atuam

Bom, já para deixar bem claro, este filme de Seth A. Smith é o típico filme que divaga nos diálogos e busca um retrato mais fiel de relacionamentos. Isso deixa o andamento mais vagaroso e até a retratação mais monótona, mas filmes independentes realmente buscam fazer tudo pela arte.

O propósito do filme é confuso num primeiro momento, mas logo a protagonista deixa o ritmo mais interessante. Danika Vandersteen é competente enquanto atriz, ainda que sua personagem seja um tanto esquisita (sim, tudo é compreensível pelo viés da história).

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Apesar de centrar em dois personagens principais, é o pequeno Woodrow Graves que se destaca com uma presença um tanto fofa e cativante. O pequenino que tem uns dois anos domina a tela com uma facilidade que a gente até dúvida se ele não é filho da atriz que protagoniza o filme, pois sua participação é muito natural e marcante.

Os diálogos com a mãe são convincentes, mas são em cenas isoladas que vemos o potencial da criança. Também aproveitando esse aspecto, o roteiro abusa da inocência do espectador e apresenta cenas inesperadas, que não apenas surpreendem na história, mas que são um tanto angustiantes para os padrões habituais.

Conceitual, mas com moral

Interessante notar que parte do mérito do filme fica para os figurantes, como Terrance Murray, o qual ajuda a construir o clima de mistério. Contudo, boa parcela do sucesso está na mistura da arte com a realidade, já que é só uma questão de tempo até mergulharmos no mar de tinta e começarmos a delirar junto aos personagens.

Apesar de cativante em vários momentos, talvez o maior defeito de “The Crescent” seja seu maior trunfo. Enquanto o script nos prega algumas peças, ele pode acabar se demorando muito a fechar alguns arcos, o que causa o inevitável sono e preguiça no espectador, que logo já não acompanha mais a linha de raciocínio.

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É só lá nos acréscimos do segundo tempo que “The Crescent” consegue escapar de ondas subsequentes de ilusões para realmente abrir o jogo com o espectador. A parte boa é que o espetáculo tem muitos acertos no decorrer da partida sem dar muita margem para explicações totalmente explícitas e põe a gente para pensar no que realmente aconteceu por trás de todo esse oceano de suspense.

No fim das contas, o interessante é que o filme ao menos mostra a moral da história, permitindo que o espectador possa conferir se suas teorias estavam corretas. Há pessoas que gostam quando um longa-metragem fica em aberto, mas outros tantos preferem uma coisa mais explícita. “The Crescent” fica no meio termo aqui, mas agrada pelos bons momentos de tensão. Vale ver “de grátis” na Amazon Prime Video.

Fonte das imagens: Divulgação/Cut Off Tail

The Crescent

Embaralhe-se no oceano

Diretor: Seth A. Smith

Duração: 96 min

Estreia: 10 / Ago / 2018

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