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Crítica do filme Transformers: O Último Cavaleiro

Uma explosão de decepção!

Fábio Jordão

por
Fábio Jordão

Terça, 18 de Julho de 2017
Fonte da imagem: Divulgação/Paramount Pictures
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A saga iniciada em 2007 nos cinemas completa dez anos, mas talvez já deveria ter acabado lá pela terceira tentativa. A recepção do público e da crítica deixa isso bem claro, mas é claro que os produtores não poderiam deixar de tentar novas aventuras com essa turminha alienígena.

Agora, o desespero e o tédio travam uma verdadeira guerra em “Transformers: O Último Cavaleiro”, que para muitos poderia ser mesmo o último filme. Eu até tinha alguma esperança neste quinto episódio, mas o tombo foi grande demais para Optimus e sua turma.

Michael Bay retorna na cadeira de diretor, porém a substituição dos roteiristas não parece ter sido a melhor das ideias para uma saga já machucada pelos inúmeros golpes anteriores. A chave para salvar o futuro da série seria fazer uma verdadeira salada de robôs, carros e naves. Já aviso: deu ruim!

Depois de anúncios sobre materiais para mais uma dúzia de filmes, a turma da Paramount resolve começar a mais recente aventura contando os segredos do passado dos Transformers aqui na Terra — pois é, reza a lenda que eles estão aqui desde os tempos do Rei Arthur.

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Esses são só os primeiros problemas deste longo (e bota longo nisso, são 2 horas e meia) episódio. Todavia, a lambança fica “melhor” quando o roteiro se liga ao quarto filme. Optimus Prime se foi e a salvação do mundo recai sobre os ombros de Cade Yeager (Mark Wahlberg); Bumblebee; um lorde inglês (Anthony Hopkins) e uma professora de Oxford (Laura Haddock).

Eu vou detalhar um pouco dos erros do filme, mas, só para adiantar, é tanta coisa acontecendo, com batalhas intensas, explosões rolando, carros em alta velocidade, explosões rolando, diálogos cheios de informação, explosões rolando, viagens espaciais, explosões rolando, descobertas a todo instante e mais explosões, que você fica tonto e cansado. Então, a dica logo de cara é: poupe seu tempo e dinheiro.

Um universo de possibilidades jogado num buraco negro

Filmes como “Transformers: A Era da Extinção” são bastante propícios para introdução de personagens e também para arrumar um quilo de problemas, já que se trata de um reboot, onde os roteiristas têm espaço para preparar a franquia para um novo ciclo. Todavia, uma continuação como “O Último Cavaleiro” definitivamente não pode se dar ao luxo de perder tempo com besteiras, ainda mais quando há tanto para explicar.

O primeiro grande problema deste novo capítulo dos Transformers é a tentativa de abraçar todo um universo, sem ao menos conseguir dar conta de detalhar coerentemente suas ideias. Essa história de voltar ao passado para contar um pouco dos autobots que chegaram aqui em épocas anteriores é perfeitamente aceitável e, em partes, até empolgante.

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Considerando que Cybertron já está aí na praça faz uns milhões de anos, não é de se admirar que esses aliens-robôs-carros-dinossauros-e-dragões tivessem dado uns pulinhos aqui em épocas distantes. Todavia, a pegada mais reforçada na piada talvez não seja a mais adequada para fazer este link com o passado, já que o épico pode acabar ficando mais chato do que empolgante.

Agora, se tem um erro muito maior é a introdução de novos personagens pouco relevantes e até desgastantes para o roteiro. Na tentativa de dar uma pegada mais teen e fisgar os adolescentes, os responsáveis pelo script tiveram a ideia descabida de colocar a personagem Izabella para “ajudar” o protagonista Yeager. Péssima decisão. Diálogos sem qualquer propósito, atuações bem fracas e cenas irritantes são o resultado dessa manobra.

A bagunça poderia parar por aqui, mas aí a produção decidiu jogar o brilhante Anthony Hopkins num papel dum velho manjador no meio do rolo. O cachê deve ter sido estratosférico para Hopkins — com toda sua reputação — topar entrar nesta enrascada. É claro que ele se destaca em meio a tantos personagens fracos, mas seu personagem precisa retomar o “fio da meada” a cada dez minutos, pois as novidades não param de pintar na tela. O robô amigo de Hopkins até que não é de todo ruim e pode até ser uma alívio cômico inteligente.

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Completa o time de protagonista a jovem Vivian Wembley (Laura Haddock), que apesar de justificável — de uma forma extremamente forçada — está aqui para roubar a cena com sua exuberância. Infelizmente, mais um filme em que uma protagonista feminina está ali praticamente só em função do seu par romântico, aliás, romance extremamente forçado a todo momento. Desgastante!

Chapéu mexicano dos Transformers

Se “Transformers: O Último Cavaleiro” não é lá um grande filme — aliás, não é nem um pequeno filme, né? —, ele certamente tem os ingredientes certos para virar um brinquedo de parque de diversões no melhor estilo chapéu mexicano, pena que isso seja péssimo para quem está indo ao cinema. É sério, o filme é ação do começo ao fim, não dá nem para respirar. Tem tanta coisa acontecendo, que não deve haver uma única cena com câmera estática por mais de um minuto.

Em meio a toda essa confusão de “fala do passado, apresenta personagem, explica as coisas, volta com protagonista, explica novamente, apresenta mais gente, explica melhor essa história aí”, o filme fica jogando transformers, carros, mísseis, naves, dinobots e qualquer tranqueira na sua cara a todo instante.

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O resultado é uma tontura absurda, uma explosão de efeitos — que deveria ser mágica, mas — que dá um cansaço visual, rachas incessantes em todo tipo de terreno, uma trilha sonora que não se aquieta por um único instante (algo que até o próprio filme satiriza) e uma falação sem fim.

É claro que os aficionados por automóveis vão pirar nos novos modelos apresentados. Não há dúvidas de que muitas batalhas são bem programadas, ainda mais com os efeitos de câmera lenta bem utilizados. Bem como não podemos nos queixar da volta desses personagens icônicos à telona. Todavia, todo e qualquer esforço da produção é simplesmente jogado no lixo nesse caleidoscópio tecnológico-bagunçado-cansativo.

Tudo isso já é ruim o bastante, mas, novamente, temos mais um filme de Transformers que peca ao colocar os humanos em posições um tanto poderosas. Só que isso nem é lá uma grande incoerência dado o restante da história da carochinha vinda de Cybertron. Não foi dessa vez que o time de Michael Bay acertou, mas esperamos ansiosamente os próximos doze filmes para detonar em grande estilo!

Fonte das imagens: Divulgação/Paramount Pictures

Transformers: O Último Cavaleiro

Sem sacrifício, não há vitória

Diretor: Michael Bay

Duração: 149 min

Estreia: 20 / Jul / 2017

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