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Crítica do filme Um Laço de Amor

Como educar uma superdotada

Lu Belin

por
Lu Belin

Terça, 19 Setembro 2017
Fonte da imagem: Divulgação/20th Century Fox
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Para quem está acostumado a ver Chris Evans no papel de super-herói bombadão, "Um Laço de Amor" presenteia o público com uma versão totalmente diferente do galã de Hollywood. Ainda que permaneça um pouco do jeito bruto de ser, o personagem Frank, interpretado por ele, apresenta muito mais gentileza do que músculo.

Isso porque a pequena Mary (McKenna Grace) chegou à vida dele para causar a maior transformação.

Quando a mãe da menina comete suicídio e deixa a filha para que ele crie, Frank abdica do lifestyle lenhador sexy pegador e abraça a missão com toda a dedicação - e com a ajuda da vizinha Roberta (Octavia Spencer).

Isolado em uma pequena comunidade interiorana, eles levam uma vida pacata, enquanto Frank mantém a menina em casa o tempo todo - no que os norte-americanos chamam de home-school, algo que não temos aqui no Brasil.

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É quando ele decide que ela precisa ter contato com outras crianças e a matricula em uma escola regular que as coisas começam a mudar de rumo.

Logo de cara, já se reconhece que a menina é superdotada, graças à extrema habilidade que ela tem com os números. Quando a professora Bonnie (Jenny Slate) sugere que Frank procure uma escola para crianças superdotadas, entra no cenário a avó da menina, Evelyn (Lindsay Duncan).

Nem todo superdom é uma benção

É na ânsia por oferecer a Mary todo o subsídio necessário para desenvolver suas habilidades que Evelyn acaba se transformando em uma verdadeira megera.

Essa discussão é o ponto central do filme roteirizado por Tom Flynn e dirigido por Marc Webber ((500) Dias Com Ela) até quando uma inteligência superdesenvolvida é uma benção e quando pode se tornar uma verdadeira maldição? Como lidar com um talento especial? Qual a melhor abordagem educacional?

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Quando detalhes da história da mãe de Mary começam a ser revelados, essa discussão se intensifica ainda mais. Que consequências sociais e psicológicas têm sobre a vida da criança as escolhas educacionais que são feitas na infância?

As boas atuações da veterana Lindsay Duncan e do próprio Chris Evans ajudam a dar ao filme o tom de drama e a intensificar os conflitos que eles vivem. A participação da professora também é importante para mostrar que nem todo mundo é perfeito e que relações humanas são mesmo complicadas.

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A trilha sonora do filme não tem nada de especial, mas também é bem colocada para trazer a necessária breguice que às vezes um filme de drama precisa. A fotografia do filme também ajuda, com o uso de belos cenários e muitas cores vivas na hora de retratar o lado alegre, despreocupado e feliz da vida de Mary, em contraposição aos tons pasteis que marcam os momentos em que ela está sob a guarda de Evelyn.

A megera

Por falar em Evelyn, toda a participação e figura da avó merece um aparte. Este é, para mim, o maior problema do longa-metragem. Que, para colocar a discussão que quer pôr em pauta, ele precisa transformar a avó de Mary em uma verdadeira bruxa egoísta – apenas por sua ambição.

Não seria impossível construir o mesmo conflito e uma disputa de guarda tão tensa quanto, sem ter que fazer com a que a personagem mulher forte, inteligente e que se destaca por sua inteligência fosse retratada como alguém sem emoção e que, lá no fundo, coloca seu próprio sucesso pessoal antes do bem-estar da neta.

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Nesse ponto, o filme falha quando reforça um estereótipo de que felicidade e sucesso não podem andar juntos na vida de uma mulher – tanto para Evelyn, quanto para Mary e sua mãe, que teve o pior destino de todos. Dava para ter sido totalmente diferente, então uma pena por isso.

Feita essa ressalva, fica aí uma avaliação positiva do filme, que é um drama bonitinho e bem construído em sua maior parte. Não chegou a passar nos cinemas, mas já está no Telecine On Demand - e deve chegar logo ao Telecine e Telecine Play.

Fonte das imagens: Divulgação/20th Century Fox

Um Laço de Amor

Amar é o maior dos dons

Diretor: Marc Webb
Duração: min
Estreia: 12 / Abr / 2017

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Lu Belin

Eu queria ser a Julianne Moore.

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