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Crítica do filme Warcraft

Adaptação é grande prelúdio de acertos e erros

Edelson Werlish

por
Edelson Werlish

Segunda, 13 Junho 2016
Fonte da imagem: Divulgação/Universal Pictures
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Lok'tar ogar, camarada*

Em órquico, Lok'tar ogar significa Vitória ou Morte. Essa é apenas uma das milhares de expressões que os mais de 12 milhões de players que jogam ou já passaram pelo mundo de Warcraft estão acostumados. Pensa só numa responsa para fazer um filme que faça jus ao nome do game para toda essa turma aí! 

E não é só isso. Podemos dizer que Warcraft: O Primeiro Encontro de Dois Mundos veio como um recomeço para adaptações de todos os jogos para o cinema. É só pegar o histórico dos que já tentaram se aventurar para a outra mídia e ver do que eu estou falando. Diferente dos outros casos, a criadora Blizzard Enterteniment ficou responsável pela supervisão de todo o projeto, desde roteiro, elenco, produção e até a direção, escolhendo um verdadeiro fã da franquia e jogador nato, Duncan Jones, para comandar as câmeras.

A história busca adaptar o primeiro jogo da série, lá de 1994, intitulado Warcraft: Orcs & Humans, muito antes de ele se tornar o famoso mmorpg World of Warcraft. O esquema é esse aqui: os Orcs, que fazem parte da facção chamada Horda, moram no planeta Draenor. Esse planeta tá caindo aos pedaços, então eles têm a ideia de ir para outro mundo, chamado Azeroth, por meio de um portal mágico. 

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Só que, para abrir esse portal é necessário sacrificar milhares de vidas, por meio de magia negra. Logo, os primeiros Orcs que chegaram em Azeroth precisam capturar humanos para fazer o negócio funcionar. Mas nem todos os Orcs concordam com isso, e assim, os bonzinhos acabam se juntando com os Humanos, os quais fazem parte da facção chamada Aliança, para deter o mal no novo mundo. Legal, não é?  

Ou seja, todo um incrível universo fantástico, com seguidores em todos os cantos do planeta e com um dos games mais jogados nesta Terra, nada poderia dar errado, certo? Pois é. O filme de Warcraft não é de todo bem, mas também não é de todo mal. Abaixo eu explico direito o que deu e o que não deu certo. Cola comigo!

Um velho novo mundo-fantasia 

Antes de tudo, é necessário dizer que, mesmo tendo uma legião de fãs, é no cinema que Warcraft vai encontrar a sua “expansão” máxima. Falo isso no sentido de abrir a obra para públicos que não consomem os jogos eletrônicos. É um novo mundo a ser explorado nas telonas, porém um velho conhecido dos adoradores de histórias épicas, fantásticas, medieval e da Terra-Média. 

Não, Warcraft não é um Senhor dos Anéis, mas bebe muito (e se bebe) na fonte de sir J. R. R. Tolkien, tanto no livro em si, quanto na obra cinematográfica. Ali você vai encontrar Orcs, Anões, Elfos, Magos, Feiticeiros, Calabouços e Dragões. É importante dizer, porém, que esse filme não tem a pretensão de pegar o lugar da obra-mor de Tolkien ou da película de Peter Jackson; é justamente ao contrário. Warcraft funciona porque busca a sua própria identidade, mesmo com inspirações alheias. Ele vai te apresentar cidades, raças, línguas, feitiços e animais que partem diretamente do seu jogo, tornando a experiência para que tem ou já teve contato com a franquia muito prazerosa.    

Diversos mecanismos utilizados nessa adaptação comprovam as diferenças. Vale o destaque para a fotografia e opção de uma palheta de cores mais colorida, em comparação direta com O Senhor dos Anéis. Os bosques, florestas, cidades, e personagens exploram bem a diversidade de tons e coloração dos games, além de aspectos mais concretos, como armaduras e armas. A grandiloquência de design porém é diminuída proporcionamente para que faça sentido fora do mundo virtual. 

As duas raças principais apresentadas, Orcs e Humanos, também tem uma um relacionamento e química interessantes. Para o telespectador os dois lados falam uma mesma língua (inglês no caso, se você assistir legendado). Mas, quando se encontram e conversam em cena, há um recurso audiovisual que mostra que cada um possui língua própria, fato que enriquece o embate entre as duas facções.    

Falando em Orcs, outro grande ponto positivo é o uso de um incrível CGI. Cerca de 90% do filme foi produzido digitalmente, inclusive todos os personagens Orcs, por captura de movimento. O chefe do clã dos Lobos de Gelo e protagonista do lado da Horda, Durotan, exibe toda a qualidade e perfeição logo na introdução. Expressões faciais, músculos, movimentos e fala beiram o realismo, ostentando com justiça o mesmo selo de qualidade digital que a produtora Blizzard utiliza em seus jogos. 

A pressa é inimiga da perfeição

Se nos aspectos técnicos, Warcraft: O Primeiro Encontro de Dois Mundos tira de letra, é nos atores, direção e corte que ele falha. Algo que realmente me irritou nesse longa foi a velocidade do roteiro e edição apressada. Cenas importantes que duram menos de um minuto, ou até mesmo passagens desnecessárias que não somam nada ao produto final. Mesmo que eu veja que isso não afeta diretamente a qualidade do roteiro, torna a experiência desagradável. O que parece é que o filme se torna um grande trailer cinematográfico do jogo – qualidade impecável, mas sem um aprofundamento emocional.

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Emoção também é algo que falta para os atores, no sentido de “falar” com o público. Em nenhum momento você se sente conectado emocionalmente com as personagens, fato que diminui o impacto dramático da história. Existem protagonistas que morrem e que você não sente nenhum tipo de sentimento, seja tristeza ou raiva por matarem o miserávi. Falta carisma também nas atuações dos atores Travis Fimmel, como o cavaleiro da Aliança Lothar, Ben Foster como o mago Medivh e até em Dominic Cooper, que apesar de ser bom ator, não convence como rei dos humanos. 

Engraçado que quem se sobressai na atuação é justamente o núcleo da captura de movimento, os Orcs feitos por Toby Kebbell (Durotan) e Rob Kazinsky (Orgrim), junto com a atriz Paula Patton, que faz a assassina meio-Orc, meio-Humana, Garona.

Protagonismo é um ponto a se levantar também. Mesmo tendo uma história bem balanceada – digamos que o filme é 55% horda, 45% aliança – ou que é bem interessante, é notável a falta de um herói de presença, uma imagem que realmente assuma a ponta na grande guerra. 

Parte 1 de...?

Mesmo entre acertos e erros, o primeiro filme de Warcraft se configura como um grande prelúdio, o qual termina cheio de pontas solta para dar continuação da sua guerra em filmes da sequência. 

Não se pode dizer, porém, que ele é um filme feito apenas para fãs. É natural que os jogadores dos games ou os que tiveram contado com a franquia por meio de livros, gibis ou outras mídias, tenham uma maior afinidade e curtam mais a película. Ela está lá por causa deles. Há alguns fan services sim, mas nada que distancie o longa do público de fora. 

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Quem nunca jogou ou não conheço o universo de Warcraft, não terá problemas em entender o que se passa. Mesmo não explicando a vida de cada um ou por que aquele personagem está fazendo ali, naquele momento, o filme dá uma diretriz básica e explicativa para quem está chegando no bonde agora. Isso também faz parte da mística estabelecida, e aquele gostinho de quero mais. 

Convenhamos, dificilmente há alguém aqui nunca tenha visto um Orc, Elfo, Mago, ou um... guerreiro montado num hipogrifo alado?! Meu ponto é: ninguém conhecia Darth Vader quando ele entrou na nave da Aliança Rebelde nas primeiras cenas de Star Wars. Só descobrimos a verdade sobre ele lá no segundo capítulo. 

Warcraft: O Primeiro Encontro de Dois Mundos é uma história rica em demasia, a qual, mesmo não sendo um grande sucesso comercial de crítica ou bilheteria, tem todos os méritos para ter várias continuações. E que venham logo elas!

...

*Este crítico joga Warcraft desde 2007, e joga pela Horda! ;)

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Fonte das imagens: Divulgação/Universal Pictures
Diretor: Duncan Jones
Duração: 135 min
Estreia: 2 / Jun / 2016

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Edelson Werlish

Andou na prancha, cuidado Godzilla vai te pegar!

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