Inspirado nos relatos do Padre Gabriele Amorth, exorcista-chefe do Vaticano, que realizou mais de 100.000 exorcismos em sua vida. Falecido em 2016, aos 91 anos, Amorth escreveu duas memórias – An Exorcist Tells His Story e An Exorcist: More Stories – nas quais detalha suas experiências lutando contra Satanás e demônios que agarraram as pessoas em seu mal.
Marina (Giovanna Lancellotti) volta de uma viagem com cinco milhões de reais em sua conta. Agora, ela só quer seguir em frente sem olhar para trás e encarar o que fez. Contudo, os encontros constantes entre Marina (Giovanna Lancellotti), Maria Eugênia (Mika Guluzian), Henrique (Tiago Luz) e o filho do casal, não podem ser apenas uma coincidência. As duas mulheres vão descobrir que estão unidas por laços de amor e amizade que remontam para além dessa vida.
Uma mulher solitária encontra um Djinn que oferece três desejos em troca de sua liberdade. Entretanto, a conversa, em um quarto de hotel em Istambul, leva a consequências que nenhum dos dois esperava.
Mesmo contando com apenas três longas em seu currículo, Robert Eggers já é um dos nomes contemporâneos mais interessantes do cinema de gênero. Com uma estética singular e capacidade especial de traduzir folclore em realidade, e realidade em fantasia, o proverbial auteur estadunidense chamou a atenção de todos com sua película de estreia, o sombrio A Bruxa, e consolidou seu nome entre os diretores fetiche de “cinéfilos cult” com seu delírio onanístico de O Farol.
Já carregando uma grande expectativa e peso criativo, o diretor retorna agora com uma versão visceral da afamada história do príncipe vingador Amleth, o mesmo que inspira a “A Tragédia de Hamlet, Príncipe da Dinamarca” do bardo britânico William Shakespeare. Amalgamando realidade e fantasia, com a sua estética já característica, Eggers aposta em um elenco de peso para entregar o que é, subjetivamente, a sua obra mais acessível.
A trama icônica e atemporal, aliada a um elenco recheado de estrelas — incluindo Alexander Skarsgård, Nicole Kidman e Anya Taylor-Joy — facilitam a digestão de um filme que se apresenta como épico, mas performa como teatro. Em uma releitura escáldica, própria da Edda em prosa, O Homem do Norte se equilibra entre realidade e fantasia, entregando um filme visualmente impactante que deve agradar principalmente aqueles totalmente alheios ao “culto hermenêutico Eggersiano”.
Há algo de podre no reino da...
O roteiro assinado pelo próprio Robert Eggers e o celebrado escritor, poeta e compositor islandês Sjón (Sigurjón Birgir Sigurðsson) – que também assinou o roteiro do suspense dramático surrealista, Cordeiro - adapta a lenda nórdica do príncipe Amleth (a mesma história que inspiraria a criação do Hamlet shakespeariano) e sua busca desvairada por vingança. O jovem príncipe Amleth (Alexander Skarsgård) promete vingar o assassinato de seu pai, o Rei Aurvandil (Ethan Hawke), morto e usurpado pelo seu próprio irmão, Fjölnir (Claes Bang).
A sanha primitiva e reducionista, própria do medievalismo viking, é apenas uma cortina que esconde por trás de seu desfraldar os verdadeiros temas da saga de Amleth. Sem o mesmo cuidado de Shakespeare, a dupla elabora um roteiro que cria espaços suficientes para uma mise en scène de tom “teatral”, capaz de suportar longas reflexões, monólogos rebuscados e explosões violentas.
A estrutura dos atos confere algum dinamismo na montagem, mas é a elegância dos cortes que realmente mostram a habilidade e sensibilidade de Eggers. Por sinal, a presença do neo-surrealista Sigurjón Birgir Sigurðsson parece transbordar do roteiro para encharcar o design de produção, borrando os limites do realismo dos cenários com o onirismo mitológico dos personagens.
Infelizmente, Eggers não dá espaço suficiente para o desenvolvimento dos personagens, algo realmente triste haja vista a brechas exuberantemente exploradas por Nicole Kidman que percebe a "disposição do cenários no palco" e transforma o filme em teatro, entregando uma Rainha Gudrún que se fortalece perante o abuso. Algo que talvez só seja ecoado na breve participação de Willem Dafoe como Heimir, que mesmo como um "Yorick" pútrefe ainda entrega toda a variação da vaidade da vida e transitoriedade da morte.
“Tupi or not tupi, that's the question”
O Homem do Norte é um grande acerto no que tange o grandioso universo dos filmes arrasa quarteirão. Trata-se de um filme que, apesar dos tropeços narrativos, reproduz o estilo artístico que define o diretor, ao mesmo tempo em que compreende as diferenças do circuito cinematográfico comercial.
O texto universal — familiar até mesmo para crianças, haja vista o sucesso de Rei Leão da Disney — é de fácil “absorção” por todas as audiências. A clássica história de vingança não é estranha a nenhum filme de ação típico de astros oitentistas como Arnold Schwarzenegger (que já despontou como o próprio Hamlet em uma meta-paródia em O Último Grande Herói), ao mesmo tempo em que também oferece espaço para contemplação artística do épico teatral multiestrelado de Kenneth Branagh.
O Homem do Norte é um blockbuster de gênero e de autor
A leitura visceral — termo aqui que não se aplica exclusivamente a violência — pode pecar na exploração narrativa dos personagens, algo realmente negativo dado o potencial do elenco, mas entrega uma “veracidade” humana que não se envergonha da loucura e perversidade inerentes a vingança e sua suposta catarse pela violência. Por sinal, Eggers faz um ótimo trabalho e subverter essa expectativa. Oferecendo um terceiro ato que parece, propositalmente, anticlimático.
Toda a jornada de Amleth deveria culminar em um banho de sangue, mas será que esse realmente é o único resultado possível; a morte exuberante de seus antagonistas realmente trará a felicidade esperada? Como já dizia um poeta tão célebre quanto o William Shakespeare: ”a vingança nunca é plena, mata a alma e a envenena”.
A quarta aventura solo de Thor (Chris Hemsworth), personagem da Marvel. O vigésimo nono filme do universo cinematográfico da Marvel, é uma sequência direta de Thor: Ragnarok e Vingadores Guerra Infinia/Ultimato. Após os eventos de Vingadores: Ultimato (2019), Thor tenta encontrar a paz interior, mas é interrompido quando Gorr, o Deus Açougueiro, ameaça eliminar todos os deuses. Para eliminar a ameaça antes que seja tarde demais, Thor recruta o recém-nomeado rei de Nova Asgard Valquíria, Korg e Jane Foster, que se tornou a Poderosa Thor.
Apresento-lhes "Santa Maud", definitivamente um candidato a melhor filme de horror de 2021. Imagine um mundo onírico de terror que vai aonde a protagonista estiver. Adicione uma ambiguidade interpretativa esplêndida da atriz galesa Morfydd Clark, que vai dos signos da fé aos da psicose assombrosa em poucos segundos.
Agora, misture com muitos enquadramentos fechados e planos-detalhe do rosto da protagonista (uma espécie de “body horror”), ora possuída, ora em êxtase sexual. Obtenha um filme com a atmosfera das produções de Robert Eggers, com os efeitos de O Exorcista, mas com a classe da direção magnífica de Rose Glass.
Em "Santa Maud", acompanhamos uma jovem enfermeira reclusa, cuja personalidade facilmente impressionável a leva a seguir um caminho piedoso de devoção cristã após um trauma obscuro. Agora, trabalhando em uma unidade de cuidados paliativos, responsável por Amanda — uma dançarina aposentada devastada pelo câncer — a fé fervorosa de Maud inspira rapidamente uma convicção obsessiva de que ela deve salvar a alma da mulher da condenação eterna a qualquer custo.
Para além do simples jump scare, com laivos de folk horror
Desde “A Bruxa” (lá de 2015) que o público mais exigente a respeito de terror de atmosfera parte em busca de novas sensações no âmbito de um novo subgênero que fuja das convenções do jump scare, por exemplo: o “folk horror” (tradução literal para “terror rural”).
Nessa linha, temos outras produções, o clássico “O Homem de Palha” (1973, “The Wicker man”), “Midsommar - O Mal não Espera a Noite” (2019) e “Hereditário” (2018), ambos dirigidos por Ari Aster, “O Farol” (2020, de Robert Eggers), “O Ritual” (2017, dirigido por David Bruckner), entre outros.
O que importa nessas produções é manter um clima de susto constante, por meio de uma atmosfera que aparentemente frustra o susto fácil, fato que garante um andamento rítmico diferente do horror convencional, de forma a manter a tensão do início ao fim.
Um terror psicológico, com sustos imprevisíveis que mantêm o suspense
Assim é Saint Maud. Para mim, um filme exemplar do subgênero horror de atmosfera e terror psicológico (com recursos do folk horror mencionado), mais enquadramentos sufocantes e angustiantes. Em suma, ao assisti-lo, ficamos pensando durante dias, sem saber que parte nos incomoda.
Toda atmosfera que envolve a sua narrativa retrata uma pessoa dividida, em que a fé delimita pouco claramente uma libertação e uma prisão, uma compreensão simples do destino divino, ao mesmo tempo em que a obriga ao confronto com os desejos da carne.
A esses signos complexos, é acrescentado um terror psicológico e religioso que carrega uma imprevisibilidade absoluta da protagonista. Ora notamos seu controle pleno da situação, enquanto atua na função de enfermeira e cuidadora (uma espécie de máscara social), ora a vemos sair do controle, momento em que surge os confrontos da automutilação e dos desejos pelo sexo agressivo, sujo, intenso e assustador, acrescido de momentos de “body horror” e “face horror”, os quais nos fazem voltar à(a) cena para verificar se vimos aquilo ou não.
Em se tratando de terror, a diretora Rose Glass nos dá uma aula de tensão na montagem e na relação dos segmentos fílmicos, cuja antecipação lenta de um terror massivo esconde o local literal ou metafórico de onde o verdadeiro susto virá. Esperava bastante de "Santa Maud" e foi uma produção que não frustrou minhas expectativas.