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Documentário "Faça Você Mesma" contará história do punk feminista no Brasil
Fonte da imagem: Divulgação/Arquivo - Faça Você Mesma
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Foi depois de ler o livro "Riot Grrrl: Revolution Girl Style Now!", de Nadine Monem, que a diretora Letícia Marques teve o estalo de criar um produto cinematográfico para contar a história desse movimento e falar sobre o Riot Grrrl e o punk feminista no Brasil.

Depois de já ter trabalhando com filmes publicitários, moda e conteúdo web, ela decidiu partir para outras áreas do audiovisual. Seu primeiro curta-metragem documentário, O Corpo Conforme, recebeu em 2008 o prêmio Júri Popular no 16º Festival Mix Brasil.

Atualmente, ela se concentra em projetos similares, focando especialmente no longa-metragem documentário “Faça Você Mesma”, seu primeiro longa na direção, que já está há cinco anos na cabeça da cineasta. “Escrevi um esboço e deixei a ideia guardada até que entre conversas no Facebook sobre a representatividade feminina na cena musical a Patricia Saltara me deu um salve pra eu fazer um filme na nossa versão riot e entrei de cabeça instantaneamente”, conta.

O objetivo, segundo ela, é criar uma reflexão sobre a própria cena punk, onde até então não existia nenhum registro documental, mas peças de arquivo de algumas pessoas espalhadas por aí.

“A ideia então vem de querer juntar este material, e da percepção de que até então esta cena não tinha sido contada ou inscrita na história da cena musical brasileira. E então eu decidi levar este projeto em uma residência em NYC e apresentar o projeto lá, que ainda era uma ideia embrionária. Filmamos então algumas entrevistas em maio de 2016 e levei este material comigo para residência e o filme então começou a ganhar uma forma depois destas quatro semanas no Union Docs em Nova Iorque”, conta.

O Café com Filme conversou com a idealizadora de “Faça Você Mesma”, Letícia Marques, para conhecer um pouco melhor o contexto de desenvolvimento do longa. Confira a entrevista na íntegra!

Quais foram os principais desafios encontrados até agora para desenvolver o Faça Você Mesma?

Conseguir fazer a produção do filme com um orçamento pequeno, mesmo tendo muitas voluntárias trabalhando no filme, aluguéis de equipamento restringem um pouco sairmos filmando mais. E fazer a campanha de financiamento coletivo que mesmo com muita divulgação em várias mídias e compartilhamento nas redes sociais atingir a meta é uma tarefa difícil, e é um trabalho diário chamar pessoas para apoiar.

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O Brasil tem uma vasta produção de cinema independente, muito rica em conteúdo e diversidade, mas que infelizmente acaba ficando muito concentrada em um público bastante segmentado. Como você vê esse cenário no Brasil e como pensa em realizar a distribuição do Faça Você Mesma? Onde você gostaria que o filme fosse exibido?

Eu acho que hoje no Brasil a forma de distribuição está mudando (e no mundo) porque lá dentro, os diretores de conteúdo sabem que há publico para diferentes nichos e eles mesmos querem explorar esses conteúdos para diferentes pessoas e mercados no Brasil. E ao meu ver os nichos servem bem para o cinema independente, você  só precisa de uma estratégia de distribuição e licenciamento coerente para dar certo. Essa segmentação de certa forma hoje faz com que alcancemos mais facilmente nosso público e de fato muitos assuntos são de nicho e não funcionam com um publico mais abrangente.

É cedo para falar em distribuição porque não começamos de fato uma análise em cima, mas gostaria que o filme seguisse para festivais internacionais e nacionais, festivais voltados para a comunidade de documentários e da música e posteriormente levar o filme às plataformas digitais e eventos, exibições em varias partes do Brasil. E de fato, se licenciarmos para última janela, a televisão, estaremos levando para um público mais geral e o alcance será maior, o que seria muito positivo.

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The Hats, trio de punk rock criado em 2001, em São Paulo,
uma das bandas cujas integrantes foram entrevistadas para o documentário.

Seria o Crowdfunding uma solução para o cinema independente no Brasil?

Gostaria que sim e espero que cada vez mais o cinema independente consiga financiar filmes desta forma e consequentemente criar comunidades de cinema/documentários que possam financiar os filmes.

Quais as principais referências e inspirações do filme?

A Martha Shane documentarista norte americana foi a primeira inspiração, entre conversas ela abriu meus olhos para fazer o filme de forma diferente, estar no Union Docs em NYC fazendo a residência também me fez olhar e pensar em diferentes formas de se fazer um filme. O filme da Martha Shan é uma inspiração, “After Tiller” e a referência primeira é “Wildness” de Wu Tsang. “Ovarion Psycos” e “The Punk Singer” também são referências para “Faça Você Mesma”.

Sobre o conteúdo do filme, em si, embora o feminismo esteja ganhando cada vez mais espaço, o riot grrrl ainda permanece desconhecido pra muitas mulheres. Como vocês tiveram contato com ele?

Eu tive contato com riot grrl através de duas amigas em Florianópolis (SC). Uma me apresentando o Dominatrix e a outra bandas como Bikini kill. Depois fui morar nos Estados Unidos e tive contato com a gravadora Kill Rock Stars e uma certa cena punk e indie americana, lá tive a oportunidade de ver um show do Bratmobile em 2000. Voltando para o Brasil em 2001 foi quando de fato comecei a frequentar os shows em São Paulo e conhecer a cena riot grrrl brasileira.

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Quem são as principais entrevistadas do filme e como elas foram selecionadas?

Em termos de importância para o início da cena, tenho que citar a Isabela Gargioulo e Carol Pfister que ainda serão entrevistadas e também a Debora Biana, ex-baterista do Dominatrix, e Marina Pontieri que estavam lá desde o início. E também temos as personagens principais do filme que não necessariamente começaram a cena mas perpetuam ela hoje e o filme então busca o sentido do riot na vida  delas como a Bah Lutz, Flavia Biggs, ex-guitarrista do Dominatrix e guitarrista do The Biggs, Gigi Louise e Andressa Saboya.

Nas primeiras entrevistas tentei buscar quem estava diretamente na cena por um longo período de tempo, como a Debora, que tocou desde o início no DMX e a Flavia, que também esteve presente na cena e deu continuidade no riot grrrl com outros projetos. E a Silvana Mello, vocalista do Lava., por ter começado uma das primeiras bandas de repercussão na cena indie musical.

Qual é o principal objetivo do filme?

Inspirar outras mulheres e pessoas a serem o que querem ser, transmitir um certo sentimento de pertencimento e identificação por parte de tudo que a história do filme traz e certamente  trazer reconhecimento a estas histórias e inscrevê-las na cena musical brasileira.

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O documentário “Faça Você Mesma” tem direção de Leticia Marques, direção de fotografia de Janice D’Avila, produção de Patricia Saltara, produção executiva e montagem de Leticia Marques e som de Helena Duarte.

Para contribuir com o projeto do filme, basta acessar este link e ajudar!

Assuntos Entrevista

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Lu Belin

Eu queria ser a Julianne Moore.

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