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Entrevista: Letícia Nascimento fala sobre o curta “Quando o Verde Toca o Azul”
Fonte da imagem: Divulgação/Quando o Verde Toca o Azul

Lançado oficialmente durante o 18º Festival Kinoarte de Cinema em Londrina, no Paraná, o curta-metragem “Quando o Verde Toca o Azul” é  uma produção com equipe e elenco locais e o segundo filme de Letícia Nascimento como roteirista e diretora, que estreou na direção cinematográfica com o curta “Onde o Coração Canta” (2015), vencedor do prêmio de melhor filme londrinense pelo júri popular no 17º Festival Kinoarte de Cinema, no ano passado.

Produzido com apoio do Programa Municipal de Incentivo à Cultura (PROMIC) via Prefeitura Municipal de Londrina, o curta apresenta a personagem Laura, 34 anos, que tem casa, marido e um bom emprego, e vive em uma rotina engessada. A partir de uma memória traumática, Laura, repentinamente, muda seu comportamento em busca de uma resposta para as questões que rodeiam os seres humanos.

O Café com Filme conversou com a roteirista e diretora Letícia Nascimento para saber mais sobre "Quando O Verde Toca o Azul" e sobre oas desafios da carreira de cineasta no Brasil, seus projetos para os próximos trabalhos e a repercussão do curta-metragem. Confira!

Café com Filme: Conta pra gente um pouco sobre a produção, de onde veio a ideia pro roteiro?

Letícia Nascimento: Esse roteiro surgiu em 2013 durante minha participação no Núcleo de Dramaturgia Audiovisual do SESI/Londrina, do qual fiz parte por três anos. Na época, participei de um pitching com ele e obtive um retorno muito positivo, inclusive com proposta de produtora para produzi-lo. Essa ideia ficou guardada por um tempo e após rodar o primeiro curta, achei que era hora de dar vida a ele. No processo eu me desafiei a partir de uma palavra, no caso REPENTINA, para construir o roteiro. Foi uma experiência muito interessante, este é um roteiro que abriu muitas portas pra mim. Para a filmagem mudei algumas coisas, o roteiro sempre muda quando vamos rodar, praticamente ganha vida.

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CF: Você já produziu algo antes ou esse é seu trabalho de estreia?

LN: Este é meu segundo curta-metragem como diretora e roteirista. O primeiro foi Onde o Coração Canta (2015), que venceu o Prêmio de Melhor Filme Londrinense pelo júri popular no 17 Festival Kinoarte de Cinema. Ele, assim como Quando o Verde Toca o Azul, traz uma personagem feminina como protagonista (vivida pela Thais Vicente).

CF: Você não está numa capital e o mercado de cinema fora das grandes metrópoles pode ser bem escasso, como você enxerga isso? De alguma forma a localização prejudicou o desenvolvimento do curta?

LN: Concordo que o cinema no interior pode ser mais complexo, mas Londrina é uma cidade "privilegiada" neste sentido. Temos um Festival de Cinema, que é o da Kinoarte, que é um dos mais consolidados do Brasil; contamos com patrocínio da Prefeitura de Londrina, que patrocinou este segundo curta via Promic (Programa Municipal de Incentivo à Cultura) e, atualmente, tem muita gente boa produzindo cinema na cidade. Claro que se comparado aos grandes pólos do cinema brasileiro, estamos num processo de construção, mas acredito que a vontade de fazer cinema, ultrapassa muitas barreiras e limitações.

CF: Como vc começou a trabalhar com cinema?

LN: =) Eu sou apaixonada por cinema desde criança. A primeira vez que fui ao cinema, lembro de ter ficado extasiada por aquela tela imensa e aquele som e pelo poder que a história tinha sobre nós - lembro que diversas vezes eu olhava os meus colegas do lado e os via com as boquinhas abertas. Aquilo me seduziu desde muito cedo, como a literatura. Eu sempre gostei muito de escrever e um belo dia decidi que quando eu crescesse iria escrever as histórias do cinema. Mais tarde descobri que essa era a função do roteirista e comecei a escrever "roteiros" por conta, sem nenhum tipo de técnica, apenas do jeito que eu achava que era. Com o advento da internet, rsrs, eu pude me jogar nas bibliotecas de roteiro, ler muitas coisas, pesquisar e fui me aperfeiçoando. Minha vontade, inclusive atual, sempre foi de ser roteirista.

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A direção veio mais de uma necessidade de consolidar logo um roteiro em filme - nosso mercado é pautado em diretores dirigindo os próprios roteiros, existe uma grande dificuldade de encontrar alguém que queira dirigir um projeto seu, porque todo mundo têm seus próprios projetos. E aí, um dia reuni uma equipe com a cara e a coragem e rodamos o primeiro curta. Quis o destino que um tempo depois um outro roteiro fosse aprovado em edital e em um ano rodei dois filmes. Essa transformação dos roteiros em filme pode parecer repentina, mas a vontade de fazer cinema e essa maturação vem de muito longe.

CF: Já tem outros trabalhos em andamento, pro futuro?

LN: Ah, sempre tem, mas o que sei é que agora eu vou focar nos roteiros por um tempo. O processo de direção é muito desgastante pra mim, ainda, e eu preciso voltar as minhas histórias e personagens pra colocar mais coisas pra rodar. Eu digo às vezes que não sei se vou dirigir outro filme, que vou continuar sendo apenas roteirista e pronto, mas acredito que isso ainda pode acontecer sim. rsrs

CF: Quem foram suas inspirações pra esse trabalho?

LN: A Laura é uma personagem muito humana, ao meu ver, e tem até um pouco de mim nela. Ela apresenta uma mulher que tem aquilo tudo que a sociedade impõe como necessário e valoroso, mas que não basta para nenhuma mulher. Ela quer se encontrar, ser mulher, ser humana, ser.

Acho que minhas inspirações para a construção do filme foram outras pessoas, momentos cotidianos.

Eu busquei o acaso-objetivo para construir este roteiro e acho que ele também esteve presente nas filmagens. Agora se formos falar em referências, para construir junto com a equipe o conceito estético/visual do filme, algumas das referências foram "A Árvore da Vida", do Mallick, que é um filme que me encanta por esse poder de expressar muito em pequenos elementos, teve um pouco. Teve também referências de filmes de Lynne Ramsay, que é uma diretora que eu gosto muito, de filmes de Sofia Coppola, Bresson, Cassavetes…Tem sempre muita coisa que motiva um filme.

CF: Os curta-metragens são a porta de entrada numa carreira de cineasta?

LN: Acredito que sim. Eu estava montando o curta e pensando no trabalho que dá e aí toda vez imaginava como isso seria multiplicado no caso de um longa! Fazer um filme é muito trabalhoso, só quem já passou pela experiência de um set sabe do que se trata e cada equipe tem suas particularidades. Então, pensando em dificuldades, recursos e que cinema, além de arte, é técnica, os curtas são a melhor forma de começar, sem dúvidas.

Veja o teaser de Quando o Verde Toca o Azul:

Fica técnica do filme:

Sinopse
Repentina: que se disse ou fez súbita; imprevista; rápida; momentânea. Laura vive em um casulo imaginário. Até eclodir.
Elenco: Luciana Caminoto, Eduardo Lopes Touché, Alan Ferreira, Edimara Alves, Alessandra Pajolla e Juliana Monteiro
Roteiro e Direção: Letícia Nascimento
Produção: Bruno Gehring
Direção de Fotografia: Guilherme Gerais
Direção de Arte: Camila Melara Alcantara
Figurino: Thaina Oliveira Gonçalves
Make Up: Evelise Chaiben
Som direto: Artur Ianckievicz
Trilha Sonora: Lucas Dias Baptista
Projeto Gráfico: Glauber Pessusqui
Coloração: Vinícius Leite
Gaffer: Luiz Rossi
Assistentes de Direção: Marcos Savae (Co-preparação de elenco) e João Mussato
Assistentes de Produção: Raquel Sant’Anna e Nabila Haddad
Assistentes de Fotografia: Arthur Ribeiro (Still) e Elder Maxwhite
Assistentes de Arte: Higor Meíja e Natália Tardin
Assistente de Figurino: Layse Moraes
Patrocínio: Programa Municipal de Incentivo à Cultura (Promic) via Prefeitura Municipal de Londrina
https://www.facebook.com/QuandooVerdeTocaoAzul

Assuntos Entrevista

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Lu Belin

Eu queria ser a Julianne Moore.

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