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Crítica do filme A Rebelião

Não perca seu tempo

Fábio Jordão

por
Fábio Jordão

Sábado, 31 de Agosto de 2019
Fonte da imagem: Divulgação/Diamond Films
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Ultimamente, quando a gente fala em “conteúdos originais” dos serviços de streaming — seja da Netflix ou da Amazon Prime Video —, pintam inúmeras dúvidas que nos deixam pensando se vale ou não investir nosso tempo em uma aventura que pode ser incrível ou apenas mais do mesmo (isso sem falar quando a gente passa raiva mesmo com uma produção feita na base do ódio).

O ponto é que, muitas vezes, várias desses materiais exclusivos nem são de estúdios próprios dessas empresas, mas apenas títulos produzidos por terceiros, que a Netflix ou a Amazon se aproveitam dos direitos baratos para inflar seus catálogos. Assim, muitas vezes precisamos do apoio do trailer ou mesmo de um elenco de peso para nos convencer de que vamos ver algo que vale a pena.

No caso de “A Rebelião”, temos um pacote completo: filme sobre invasão alienígena, título exclusivo da Prime Video, produzido por empresas conhecidas, um diretor famoso (Rupert Wyatt, de “Planeta dos Macacos: A Origem”) e um elenco que inclui nomes como John Goodman, Vera Farmiga e Ashton Sanders. Com tudo isso, não tem como dar errado, certo? Errado!

O ponto principal para “A Rebelião” ter saído bem às avessas foi o roteiro totalmente desleixado e confuso. Aqui, acompanhamos a história em um bairro de Chicago, quase uma década após uma invasão alienígena no planeta Terra, vendo como as coisas funcionam nos dois lados do conflito: o dos colaboradores (que são amigos dos aliens, principalmente a polícia e os políticos) e o dos dissidentes (com toda a população pobre).

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Ok, a coisa já começa confusa com essa sinopse, mas pode ter certeza que degringola ainda mais no andar da espaçonave. Para não ser injusto, os primeiros minutos da película — que precedem o título e os créditos iniciais — são até bem interessantes, já mostrando um pouco dos seres extraterrestres. Só que as coisas boas param aqui. O restante do filme é uma esculhambação sem limites.

Aliens poderosos, mas preguiçosos

Bom, a pauta dos aliens dominando o planeta Terra não é nova e já se provou complexa o suficiente para desenrolar histórias sobre apartheid e o conflito entre raças bem distintas da humana ¬– temos aí “Distrito 9” que não me deixa mentir. Todavia, tal qual qualquer tema, é preciso um roteiro capaz de criar subtópicos que nos prendam a atenção, seja por aspectos fictícios da própria história ou pela empatia que podemos criar pelos personagens.

Acontece que o script de “A Rebelião” não faz questão de detalhar absolutamente nada. O filme joga a invasão na tela num começo bem empolgante, mas, depois, simplesmente não temos continuidade dos fatos, de modo que as poucas informações são dadas num clipe bem desconexo do restante, o qual está ali simplesmente para passar os créditos iniciais (esses que, por sinal, tomam vários minutos de tela).

O restante do filme esconde bastante os aliens, isso porque, aparentemente, os invasores já cansaram de dominar o planeta Terra e fazer o trabalho pesado, tanto que agora eles têm amiguinhos no governo para “manter a paz” por aqui — seja lá o que isso quer dizer. Assim, o filme deixa o espectador totalmente perdido sobre como funciona essa comunicação, tampouco faz questão de detalhar o porquê de excluir algumas pessoas.

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Quer dizer, o motivo para exclusão social é bastante óbvio, mas ainda sim um roteiro digno de tamanho elenco deveria se pronunciar para conversar com a plateia e revelar os pormenores da história. Não, ao contrário disso, temos protagonistas que precisam soltar suas falas, ainda que não tenhamos um histórico para os diálogos ou mesmo para suas motivações dentro da trama. Sério, uma bagunça total, que exige muita concentração e suposições.

Aos poucos até conseguimos pescar algumas coisas, mas há tantos personagens e diversos acontecimentos, que fica complicado conectar os nomes e entender pra onde a história vai. No decorrer do script, até temos alguns eventuais momentos de tensão, mas a falta de ligação a um contexto maior faz com que nada importe, até chegar ao fatídico fim em que a gente só perdeu duas horas de vida num filme sem propósito – e a rebelião do título nem fez sentido.

A desleixo bateu forte!

Bom, ok, o roteiro é desastroso, mas a minha principal dúvida é porquê levar as coisas no relaxo também na hora de pensar a parte de produção do filme. Talvez por uma questão econômica, os produtores optaram por ocultar os alienígenas o máximo de tempo possível, de forma que as poucas aparições não conseguem salvar o restante da película que se torna bem cansativa.

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O design dos inimigos é bastante interessante, mas conceder às criaturas o poder de invisibilidade chegar a beirar o ridículo, pois isso aparenta muito ser apenas um recurso para não precisar de muitos efeitos visuais. Assim, muita da tensão se dá pela trilha sonora, que se completa quando as criaturas aparecem de fato, porém é inegável que a gente fica esperando muito mais de um filme que claramente quer focar na invasão dos extraterrestres.

A produção demonstra um mínimo empenho nos cenários, que lembram qualquer ambiente de guerra e apocalipse, mas isso se deve em parte por termos protagonistas da periferia. Apesar desse acerto, o filme erra feio nos veículos dos aliens, que são simplesmente ridículos para um título lançado em 2019. Não é possível que eles tenham optado por uma opção tão simples, ainda mais com tantas referências de outros filmes do gênero.

Talvez a ideia dos roteiristas até fosse boa, mas eles não souberam se expressar. No fim, o “A Rebelião” desperdiça potencial de grandes atores (como John Goodman e Vera Farmiga, que se esforçam inutilmente) e não vai a lugar algum. Talvez, a única conclusão interessante seja a percepção da ambição humana, que, mesmo num cenário desse tipo, continua prevalecendo sobre a compaixão. No mais, “A Rebelião” não vale o seu tempo!

Fonte das imagens: Divulgação/Diamond Films

A Rebelião (2019)

"O sitiado é sempre o vencido"

Diretor: Rupert Wyatt

Duração: 109 min

Estreia: 28 / Mar / 2019

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