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Crítica do filme Alemão

Porque aqui o papo é reto!

Maurício M. Tadra

por
Maurício M. Tadra

Sábado, 29 Março 2014
Fonte da imagem: Divulgação/
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O cinema brasileiro não é lá a coisa que o pessoal que nasceu e mora por essas terras mais gosta de ver nas telonas. Mas o fato é que a produção nacional está em alta e isso já dura um bom tempo. Prova disso são filmes recentes que vêm sendo lançados e que não deixam ninguém com vergonha frente ao que é apresentado. E hoje, o representante dessa nova safra de produções "pós-publicitárias" e pós-Tropa de Elite é nada menos do que Alemão - o novo filme dirigido por José Eduardo Belmonte.

A trama conta a história de cinco policiais infiltrados no Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro (e sim, é exatamente por isso que a película leva esse nome), cuja missão secreta basicamente consiste em coletar informações vitais para a tomada do conjunto de morros pelas forças pacificadoras da lei. Por isso, é bom lembrar que o filme "apesar" de ser baseado em um acontecimento real, há uma mensagem na tela de apresentação que afirma que a história deve ser encarada como uma obra de ficção.

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O filme conta com atores de peso como Caio Blat, Milhem Cortaz (o eterno Capitão Fábio de Tropa de Elite), Otávio Müeller, Gabriel Braga Nunes e Marcelo Melo Jr., além das participações especiais de Cauã Reymond (no papel de traficante) e de Antônio Fagundes (o delegado da polícia carioca). E todo esse pessoal consegue estabelecer uma atmosfera sensacional, com interpretações sólidas e principalmente com um esquema de produção muito acertado.

A história foi construída a partir de uma maneira contemporânea, com um roteiro relativamente atemporal, que usa como plano de fundo a guerra do tráfico do Rio de Janeiro. O filme é realmente muito tenso, com câmeras próximas, pontos de fuga próximos, tudo convergindo para uma atmosfera de tensão constante e penumbra. A sensação de claustrofobia acompanha o espectador durante praticamente todos os momentos.

O enredo gira bastante rapidamente, o que confere uma certa rapidez nas transições propostas no decorrer da história. E tudo isso é contado em poucos cenários, com uma maneira que utiliza a "enxutez" de Beckett ao deixar de lado informações e cenas desnecessárias.

Para ser sincero, a temática do filme fala sobre a humanidade da polícia. Sim, essa produção realmente parece se tratar do combate ao tráfico ou da polêmica envolvidas na pacificação de morros, mas tudo acaba girando em torno da polícia. Os combatentes da lei são pessoas, humanos como quaisquer outros, com dúvidas e inquietações assim como qualquer ser "normal" - que não trabalha em favor da lei.

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Apesar disso, a obra não se posiciona claramente sobre o assunto. Ela apenas coloca vários argumentos juntos, deixando a cargo de cada um o julgamento de valor que acabará inevitavelmente sendo feito ao apagar das luzes. Enfim, se você gostou das produções do Padilha (nos filmes estrelados pelo Capitão Nascimento e pelo policial do futuro), então não há razão para que você não dê uma chance para Alemão.

O cinema brasileiro está de parabéns.

Fonte das imagens: Divulgação/

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Maurício M. Tadra

Bara bin, Bara ben, Bara Bum!

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