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Critica do filme Aquaman

Os peixinhos do mar vêm na areia sambar

Carlos Augusto Ferraro

por
Carlos Augusto Ferraro

Quinta, 13 de Dezembro de 2018
Fonte da imagem: Divulgação/Warner Bros. Pictures
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Aquaman pode não ser o filme que você quer, mas é o filme que a Universo Estendido DC precisa. Seguindo o caminho aberto por Mulher Maravilha, a nova empreitada da Warner parece se distanciar dos “fracassos” anteriores mudando o tom e estilo dos seus filmes de herói de uma maneira muito simples, abraçando a galhofa!

Parece paradoxal, mas a idéia funciona. O personagem Aquaman é um alvo fácil para piadas, como visto ao longo de todo o seriado Entourage. Não reconhecer a metalingüística do humor inerente ao personagem seria incorrer nos mesmos erros que minaram o sucesso de Liga da Justiça. Assim, James Wan entende que há espaço sim para piadas, e não apenas piadas típicas de filmes de ação, mas também um humor autodepreciativo, que brinca com o próprio personagem

Aquaman acerta onde os outros filmes da DC erram e por isso ele é tão essencial para o Universo Estendido da DC. Como um todo a produção ainda é inferior a Mulher Maravilha, mas graças a direção competente de James Wan e um roteiro fechado, o Rei dos Mares também se torna o rei da DC Entertainment.

Um tubarão de voz grossa vinha cantando a moda da roça

A estrutura narrativa do monomito (ou jornada do herói) funciona nos mais diferentes cenários, seja na Grécia antiga, em uma galáxia muito distante ou nos abissais oceânicos. Em Aquaman, James Wan e os roteiristas Will Beall e David Leslie Johnson-McGoldrick fazem um checklist exato da já consagrada estrutura narrativa marcando todas as caixas. Do chamado à aventura, passando (literalmente) pela barriga da baleia e o abismo, até a travessia do limiar e a consagração como senhor de dois mundos.

Com uma trama modelada em cima do aclamado arco dos quadrinhos O Trono da Atlântida (de Geoff Johns), a equipe entrega um filme fechado que funciona tanto como aventura solo e história de origem. Mesmo que um pouco atrapalhada, e obviamente nada inovadora, a jornada de Arthur Curry (Jason Momoa) até o Trono de Atlântida é exatamente o que o espectador espera encontrar no cinema, ao mesmo tempo em que não desaponta os fãs dos quadrinhos.

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Sem perder tempo contextualizando com os eventos de Liga da Justiça, James Wan entre direto na ação e não se prende nas várias narrativas paralelas emergentes, fato que abre margem para novos parágrafos em futuras edições da franquia, ao mesmo tempo em que deixa todos os personagens coadjuvantes extremamente rasos e sem desenvolvimento.

Mas como dito anteriormente, esse não é o filme que você quer, é o filme que o DCU precisa, assim, Aquaman faz algumas concessões para acerta o alvo, mesmo que não seja um tiro preciso no centro.

Um siri todo patola dedilhava na viola

Apesar de contar com visuais assinados pela Industrial Light & Magic e pela Weta Digital, entre outras, o filme apresenta várias inconsistências em seus efeitos especiais. Se as grandes tomadas de Atlântida são deslumbrantes, repletas de cor e vida, algumas cenas menores sofrem com efeitos pouco inspirados. Ao todo não há do que reclamar, mesmo que haja uma distinção muito grande de qualidade em diferentes cenas.

Além disso, a direção de arte acerta em cheio no visual da maioria dos personagens, apresentado versões idênticas aos quadrinhos — com destaque para o Arraia Negra (Yahya Abdul-Mateen II), cujo design poderia facilmente cair no ridículo, mas é muito bem executado. Salvo algumas escolhas questionáveis de figurino, especialmente os relacionados à Mera (Amber Heard), a produção acerta ao conferir dignidade a um dos personagens mais satirizados dos quadrinhos.

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Um peixe espada grã-fino que tocava violino

O futuro do Universo Estendido DC nos cinemas ainda é incerto, com Shazam! confirmado para 2019, Aves de Rapina (E a Fantabulosa Emancipação de Uma Arlequina) e Mulher Maravilha 1984 previstos para 2020, ainda é cedo para afirmar que a Warner encontrou um estilo eficiente para suas adaptações, mas Aquaman pavimenta o caminho aberto por Mulher Maravilha e prova que existe esperança, mesmo que ela esteja no fundo do mar.

A direção de James Wan pode não ser incrivelmente inspirada, se apoiando inclusive em seus tradicionais jump scares (traduzidos aqui como explosões surpresa), mas é sintética. Muito bem equilibrado, o diretor mede bem seus momentos e ainda entrega algumas boas cenas de ação.

Aquaman promove uma piracema cinematográfica e garante pesca abundante no futuro da DC

Sem se destacar em nenhum aspecto, Aquaman é uma espécie de autocrítica da DC Entertainment que repensou seus conceitos e agora tenta encontrar uma linguagem mais dinâmica para traduzir seus quadrinhos para o cinema. O elenco recheado de talentos apresentam atuações interessantes que brincam com os personagens caminhando entre a canastrice e a dramaticidade, enquanto isso, James Wan conduz a ação com muita habilidade entregando cenas ágeis e empolgantes. Aquaman é sem sombra de dúvida um dos melhores filmes desse novo universo da DC nos cinemas, e mostra que o futuro da franquia pode respirar mais aliviado, mesmo que debaixo d'água.

Fonte das imagens: Divulgação/Warner Bros. Pictures

Aquaman

O mar te chama!

Diretor: James Wan

Duração: 143min

Estreia: 13 / Dez / 2018

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