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Crítica do filme As Viúvas

Muito luto pra pouca luta

Lu Belin

por
Lu Belin

Domingo, 25 Novembro 2018
Fonte da imagem: Divulgação/20th Century Fox
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Viola Davis é Veronica. Michelle Rodriguez é Linda. Elizabeth Debicki é Alice. Carrie Coon é Amanda. Quatro mulheres com vidas aparentemente normais, que têm em comum o fato de que seus maridos trabalham juntos em um esquema organizado de assaltos que os mantém com dinheiro no bolso e a dose necessária de adrenalina para viver bem, enquanto as esposas se mantêm alheias ao que eles fazem, ao menos em parte.

Liderados por Harry Rawlings (Liam Neeson), eles se envolvem em um roubo particularmente truncado e, depois de uma perseguição policial, perdem a vida em uma explosão. A vida para Veronica, Linda, Alice e Amanda, então, se torna ainda mais complicada. Não bastasse terem perdido os maridos na perseguição, elas também ganham um enorme problema: dessa vez, Harry foi longe demais e roubou quem não deveria.

Endividadas e ameaçadas, elas decidem continuar o trabalho de onde seus maridos pararam e assumir a dianteira dos negócios porque, segundo Verônica, ninguém acredita que elas têm os culhões para isso.

Escrito por Gillian Flynn e Steve McQueen (12 Anos de Escravidão), com base no livro de Lynda La Plante, “As Viúvas” é também dirigido por McQueen, com a premissa de ser um filme que coloca as mulheres na dianteira das próprias vidas depois de um super baque.

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A presença de Viola Davis e a força que a atriz dá para sua personagem nas cenas do trailer dão a entender que o expectador pode esperar uma produção à altura de How To Get Away With Murder, grande sucesso protagonizada por ela atualmente.

Mas, se você está indo para o cinema achando que o que vai encontrar é um How to get away with theft, bem, hold your horses. Você até vai encontrar um pouco disso na essência da personagem principal, que incorpora um pouco da bagagem trazida por Viola de Analise Keating. As cenas em que a personagem lida, em sua vida íntima, com a perda do marido, por exemplo, são muito similares aos momentos de desconstrução da advogada da série. Mas as semelhanças param por aí.

Não é fácil ser mulher.

Diferente do que os trailers dão a entender, “As Viúvas” dá mais peso para os dramas das mulheres do que para as cenas de ação, em si. Como são muitas personagens e a trama está interligada também a um outro núcleo, composto por uma eleição em que se opõem o gângster ambicioso Jamal Manning (Brian Tyree Henry) e o típico político herdeiro e charlatão Jack Mulligan (Colin Farrell), a história toda demora para engatar na parte mais agitada e você provavelmente vai ficar com um pouco de sono se estiver com as expectativas erradas.

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Por outro lado, mesmo essa demora em contar as histórias individuais não faz com que elas necessariamente sejam muito aprofundadas. Sem dúvida, a que recebe mais atenção e a que é dedicado realmente um bom tempo de contar quem ela é e como chegou até ali é Verônica.

Veronica é humana, e ter sido colocada em uma situação de desespero não a transforma em uma repentina super-heroína talentosíssima e cheia de habilidades especiais – a versão feminina do Liam Neeson em Busca Implacável. Ao contrário: todas as personagens se comportam como provavelmente eu e você agiríamos se, de repente, precisássemos bolar um grande crime.

Entre lembranças, momentos atuais de reflexão e os planos para o futuro, conseguimos ter um panorama completo sobre a protagonista, que serve como vitrine para diversos problemas sociais que o filme se empenha a atender.

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E, embora a intenção de tocar em diversas questões que tornam uma sociedade complexa e completa seja louvável, “As Viúvas” se perde um pouco ao tentar relacionar tantas coisas, enquanto se pretende, ao mesmo tempo, ser um filme com um ritmo a la "8 Mulheres e um Segredo".

O machismo nas relações amorosas baseadas na dependência, a sensação de desamparo com que ficam muitas mulheres ao se verem sem seus maridos, conflitos familiares nos quais a mulher é sempre tida como a vilã, a responsável pelos problemas, mas sobre os quais quase sempre fica de mãos atadas.

Sem dúvida, o ponto central do filme é a perspectiva feminina da vida.

Mas, junto a isso, o filme também trata do racismo, da corrupção, de relações sociais de poder – para além da questão sexista. É muita coisa para abordar em um filme com medos de duas horas sem ficar aquela sensação de que um ponto foi apenas pincelado.

Não muito artístico, o filme usa de recursos como o silêncio e de efeitos sonoros com altos e baixos para confrontar as cenas de solidão com as de coletividade, e isso ajuda a dar ritmo e a delimitar o tom de cada fase e cada momento da construção da trama.

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Mas nem isso ajuda a tornar o filme um grande sucesso. Ajuda, assim como o competente elenco que o longa-metragem conseguiu reunir, cujo principal ponto alto é a diversidade na linha de frente. De cara, temos uma negra, duas brancas, uma latina, o que ajuda a equilibrar um pouco as coisas na telona.

Por essas e outras, “As Viúvas” não deixa de ser um bom filme e vale a pena ser visto, mas não com a expectativa de que o longa vai se voltar para o lado da ação.

Fonte das imagens: Divulgação/20th Century Fox

As Viúvas

Assumindo os negócios da família

Diretor: Steve McQueen

Duração: 128 min

Estreia: 29 / Nov / 2018

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Lu Belin

Eu queria ser a Julianne Moore.

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