Crítica do filme Belas e Perseguidas

A velha perseguição dos estereótipos...

por
Fábio Jordão

30 de Junho de 2015
Fonte da imagem: Divulgação/

Filmes de comédia com policial estão na moda há algumas décadas, mas sempre existe um jeitinho de bolar novos roteiros e conciliar as duas coisas de forma criativa. E isso é justamente o que o filme Belas e Perseguidas” tenta fazer ao juntar uma policial e a esposa de um traficante.

Neste filme dirigido por Anne Fletcher, a policial Cooper (Reese Witherspoon) é enviada em uma missão para escoltar a Sra. Riva (Sofia Vergara), esposa de um traficante, até a cidade grande e mantê-la sobre o programa de proteção a testemunhas.

É óbvio que o plano acaba dando completamente errado e Cooper logo vê que não vai ser fácil cuidar da sexy e extrovertida vítima. Agora, as duas precisam atravessar o Texas perseguidas por policiais corruptos e pistoleiros assassinos.

No original, o filme recebe o nome de “Hot Pursuit” (Perseguição Quente), título que dá justamente a deixa para as personagens femininas tomarem conta dos papeis principais. Com essa mescla de ação, humor e sensualidade, o longa tenta seguir uma linha de filmes semelhantes. Será que deu certo?

Pouco engraçado, muito clichê

Não é necessário entrar em muitos detalhes  sobre a trama do filme para dizer que ela tem boas ideias, mas é importante colocar aqui que não estamos falando de um roteiro completamente genial.

Velhos clichês sobre policiais corruptos (ainda que a parte do machismo seja verdadeira), traficantes sinistros que nunca ficam na cadeia, decisões importantes que definem o caráter das pessoas e outras coisinhas bobas acabam marcando a história que teria muito potencial.

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Na parte da comédia, o filme tenta ser engraçado e até consegue algum sucesso em determinadas cenas em que o exagero toma conta e acaba levando a galera a simpatizar com as protagonistas (como o besteirol da policial na hora de embarcar no ônibus). Felizmente, rola também algumas repetições de piadinhas sutis (relacionadas a idade e questões corporais) que acabam deixando o longa bem divertido.

Entretanto, não são poucas as cenas em que vemos as duas personagens fazendo graça e apenas alguns esboços de gargalhadas na plateia. No que diz respeito a parte do humor, o filme fica num meio termo, tentando decidir se vai apelar mais para cenas engraçadas, picantes ou recheadas de estereótipos. No fim, ele fica em cima do muro.

Faltou combater melhor os estereótipos

A sensualidade da película fica por conta de Vergara, mas, infelizmente, nós estamos no ano 2015 e esse tipo de truque já não surte o mesmo efeito. Mesmo que ela mostre o decote a todo momento e tente roubar a cena com suas curvas esculturais (ou até mesmo tirando sarro da estatura de Whiterspoon), as tentativas de mostrar seu corpo sexy acabam não surtindo muito efeito.

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Tirando isso, as atuações são compatíveis com a proposta do filme, mas isso não significa que temos aqui um resultado surpreendente. Whiterspoon abraça carinhosamente sua personagem, incorporando muito bem a questão da masculinidade proveniente do pai (o que já é reforçado desde o começo), mas ela mesmo brinca de forma bem sarcástica que essa é sua atuação mais genial de todos os tempos.

Seja por conta do sotaque de Sofia Vergara, pelo jeito mais turrão da personagem de Reese Whiterspoon, por conta de julgamentos desnecessários entre elas ou mesmo pela dependência da figura masculina (que é totalmente dispensável), o filme “Belas e Perseguidas” acaba sendo uma comédia meia boca, que apesar de tentar enaltecer a figura feminina, ainda tropeça nos estereótipos.

De fato, “Belas e Perseguidas” não é a comédia do ano, tampouco uma obra de humor imperdível, mas é um longa-metragem que mostra boa vontade no trato com personagens do sexo feminino. Ainda não é um título de ação perfeito, tampouco um filme para se partir de rir, mas quem não é muito exigente talvez possa dar algumas gargalhadas. Vá sem grandes expectativas e aproveite a pipoca.

Fonte das imagens: Divulgação/

Belas e Perseguidas

Armadas e, meio, perigosas

Diretor: Anne Fletcher
Duração: 87 min
Estreia: 9 / Jul / 2015

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