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Crítica do filme Caçadores de Emoção

Tão pretensioso quanto o protagonista

Lu Belin

por
Lu Belin

Terça, 26 de Janeiro de 2016
Fonte da imagem: Divulgação/Warner Bros. Pictures
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Nos últimos anos, parece que a indústria cinematográfica – ênfase na norte-americana – mergulhou em uma maré de nostalgia e falta de criatividade. É olhar a programação do cinema e constatar a falta de roteiros originais e a grande quantidade de remakes ou novos episódios de sagas antigas. "Caçadores de Emoção: Além do Limite" é mais um que chega para engrossar esse caldo. 

O filme é uma releitura do Caçadores de Emoção (de 1991), que trazia Patrick Swayze, Keanu Reeves e Gary Busey no elenco, e que se consagrou como o filme em que os surfistas roubavam usando máscaras com os rostos dos ex-presidentes dos Estados Unidos. Um verdadeiro – e muito querido – clássico dos anos 90! Já a nova produção é dirigida por Ericson Core e traz alguns nomes ainda não muito proeminentes – Edgar Ramírez, Luke Bracey, Ray Winstone.

Em comum com o primeiro filme, no entanto, apenas o plot e os nomes dos protagonistas. As mudanças já começam na trajetória dos personagens. Na nova produção, Johnny Utah é um jovem radical que vira agente do FBI depois de perder um amigo durante uma de suas incursões de moto pelas montanhas.

Caçadores de Emoção: Além do Limite

Em seus primeiros dias como agente em treinamento, ele percebe um padrão entre crimes cometidos em diferentes lugares do mundo – menino prodígio, não? Ele então convence um dos diretores do FBI de que o único jeito de descobrir quem são esses caras e impedi-los de saírem por aí bancando o Robin Hood da modernidade é ele mesmo trabalhar infiltrado no meio dessa galera.

Locações estonteantes

É muito difícil avaliar um remake sem comparar o original. Para se diferenciar do primeiro, Caçadores de Emoção: Além do Limite aposta em recursos que não estavam disponíveis na década de 90. A qualidade da imagem ao captar os cenários estonteantes é um dos méritos neste sentido. São incluídas outras locações além das praias e isso dá um visual lindo para o filme. Outra investida é a inserção de mais cenas radicais de muita adrenalina. E, nesse sentido, o 3D dá uma ajudinha.

Mesmo assim, nem a bela fotografia, nem as locações maravilhosas – e caríssimas – salvam o novo Point Break. Diálogos cheios de frases de efeito, mas sem muito sentido, ampliação da ambientação que faz com que algumas coisas não tenham lógica dentro do roteiro e atuação fraca dos atores vão afastando o filme da qualidade do primeiro.

Deu até um pouco de pena do venezuelano Édgar Ramírez, que teve a responsa de calçar os sapatos do Patrick Swayze e interpretar o Bodhi, um personagem complexo e conflituoso. Luke Bracey também não se destaca no papel de Utah, que na refilmagem é um moleque traumatizado que usa o FBI como escape, mas que não consegue tirar o pé do acelerador. 

Como era de se esperar em uma produção do gênero, o filme traz até um breve romancezinho entre o protagonista e a jovem Samsara, tão sem graça que a atriz Teresa Palmer deve ter sentido saudades do namorado zumbi. O papel dela é insignificante dentro da trama, poderia facilmente ser retirado sem perda nenhuma para a história. Outro personagem bastante central na produção original e que é quase apagado na nova película é o do agente Angelo Pappas, que dá as caras em uma ou outra cena –  embora o Ray Winstone tenha mandado bem nas poucas ocasiões em que aparece.

Forçando os limites

O principal problema de "Caçadores de Emoção: Além do Limite", é que ele realmente passa dos limites. É muito pretensioso das mudanças que faz no roteiro original – que é simples, mas funciona bem e conduz o público a um conflito entre o sistema opressor e os caras que querem ser donos do próprio destino. Ele tira os modestos surfistas de sua realidade centrada em apenas uma praia e faz os personagens rodarem o mundo atrás de um projeto megalomaníaco de completar oito desafios sobre-humanos, os Oito de Ozaki, que fazem o Iron Man parecer brincadeira de criança. 

Caçadores de Emoção: Além do Limite

O problema de tentar elevar o patamar dessa forma é que algumas coisas param de fazer sentido. O próprio engajamento idealista dos tais caçadores de emoção são exemplo disso. Os mesmos jovens que querem devolver à Mãe Terra o que a gente vem sugando dela sem dó nem piedade nos últimos anos, acham está tudo bem curtir umas festas riquíssimas em um iate, custeados por um empresário multimilionário. E isso não é apresentado de maneira conflituosa nem é questionado, apenas está ali, posto na história. 

Se você busca um filme que une um bom roteiro, personagens complexos e coerentes, porém divertidos, e cenas de emoção mais verossímeis, recomendo correr atrás do Caçadores de Emoção de 1991, mesmo. Agora, se a sua vibe são as sequências de manobras radicais, saltos mortais, quedas assustadoras e aquele medinho de que todo mundo vai morrer a qualquer momento, ou ainda, se você curte um filme acelerado em 3D e um visual digno de wallpaper do Windows, vá em frente em Além do Limite. 

Fonte das imagens: Divulgação/Warner Bros. Pictures

Caçadores De Emoção - Além Do Limite

A única lei que importa é a da gravidade

Diretor: Ericson Core

Duração: 114 min

Estreia: 28 / Jan / 2016

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Lu Belin

Eu queria ser a Julianne Moore.

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