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Crítica do filme Cemitério Maldito

Às vezes, morto é melhor

Carlos Augusto Ferraro

por
Carlos Augusto Ferraro

Quinta, 02 Maio 2019
Fonte da imagem: Divulgação/Paramount Pictures
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Incrivelmente superior a adaptação original — aquela de baixo orçamento, cujo único elemento relevante é a icônica música dos Ramones —, a refilmagem de Cemitério Maldito (baseado na obra O Cemitério, do mestre Stephen King) acerta o tom, mesmo que descuide de alguns elementos. Fãs da obra literária certamente apontaram as “liberdades criativas” do roteiro que devem incomodar um pouco os mais puristas.

A direção não é inovadora, mas a dupla Kevin Kölsch e Dennis Widmyer, consegue imprimir um ritmo coerente e apresentar uma versão muito mais inteligente do que a pobre rendição lançada em 1989. Quando a direção e o roteiro falham, o elenco — em ótima forma, com destaque especial para o veterano John Lithgow — se supera e ajuda a construir as cenas com emoção e empatia.

O novo Cemitério Maldito é uma boa pedida para os fãs do gênero, e especialmente para os fãs de Stephen King. Mesmo com algumas licenças poéticas na história, o filme marca seu lugar dentro do universo fantástico aterrorizante do autor, fazendo inclusive referências a outras obras do mestre do terror, como o cachorro São Bernardo (Cujo), ou a cidade maldita de Derry (It – A Coisa).

“Simitério de animais”

A trama é basicamente a mesma do livro e da versão original de Cemitério Maldito. O médico Louis Creed se muda com a mulher e dois filhos pequenos para a cidadezinha de Ludlow, Maine. Apesar de aparentemente tranquilo, o novo lar dos Creed fica em frente a uma rodovia movimentada e o extenso quintal abriga uma floresta com um enigmático cemitério de animais.

Creed acaba descobrindo por meio de um vizinho, o simpático velho Crandall, que além do cemitério de animais fica um antigo território indígena com poderes sobrenaturais muito além da sua compreensão. Quando uma tragédia acontece, Creed é obrigado a rever todos seus conceitos sobre vida e morte, ciência e religião, e encarar o poder que emana do local.

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Não vou entrar em detalhes, mas basta dizer que existem sim algumas mudanças na história, seja em relação ao livro ou ao filme de 1989. Na verdade, nenhuma dessas mudanças realmente afeta a narrativa em si e, de certa forma, ainda ajudam a trazer alguma surpresa a uma história já familiar.

O Cemitério é uma das maiores obras de Stephen King e muito desse sucesso reside justamente na forma como o autor trabalha temas tão intensos quanto o luto, loucura e medo. Em todas as adaptações de Cemitério Maldito muito se perde nessa tradução e mesmo quando o próprio Stephen King trabalhou no roteiro, como no caso da versão original de 1989, a sensação ainda é muito aquém daquela experimentada por leitores aflitos que temem todas viradas de página.

Os diretores fazem um esforço para passar toda a claustrofobia da casa dos Creed, cuja loucura cresce conforme são confrontados com a morte e o sobrenatural. O destaque fica por conta da fotografia que utiliza uma paleta de cores que vai "acinzentando" gradualmente até o final.

A maquiagem é precisa — entre o gore e o realismo — criando imagens chocantes, mas nada apelativas. O design do "simitério de animais" é suficientemente sinistro para despertar o medo no espectador, mas infelizmente o mesmo não vale para o verdadeiro cemitério maldito, cuja construção em computação gráfica fica bem abaixo do esperado.  

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Luto emocional

Nessa nova leitura da trama, Matt Greenberg e Jeff Buhler apresentam um texto muito mais inteligente para o cinema. Sem pesar muito a mão em diálogos expositivos, ou grandes monólogos catárticos, o roteiro aposta no equilíbrio de talentos para que as falhas sejam sempre compensadas por outros elementos. Assim, mesmo sem entregar um filme fantástico, os diretores Kevin Kölsch e Dennis Widmyer compõem uma película sólida que não apresenta grandes falhas, o que já é um grande feito por si só.

Mesmo sem se apoiar em sustos ou sanguinolência, Cemitério Maldito é um filme tenso e assustador

Cemitério Maldito é um bom filme que acompanha de perto a história original e ainda apresenta algumas cenas impactantes; especialmente no final que mesmo divergindo do original, ainda se assemelha mais a proposta perturbadora do livro. Com um elenco bem afinado e uma direção cingida, a nova versão de Cemitério Maldito agrada, mas não supera outras produções recentes inspiradas em obras de Stephen King — notadamente It – A Coisa e Jogo Perigoso.

Fonte das imagens: Divulgação/Paramount Pictures

Cemitério Maldito (2019)

Não mexa com os mortos

Diretor: Kevin Kölsch, Dennis Widmyer

Duração: 101 min

Estreia: 9 / Mai / 2019

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