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Crítica do Filme Chappie

Humanos são muito estranhos

Thiago Moura

por
Thiago Moura

Quinta, 16 de Abril de 2015
Fonte da imagem: Divulgação/
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Talvez você já tenha ouvido alguém falando sobre Chappie, e provavelmente falaram mal. Mas a crítica especializada falar mal não torna o filme ruim, e não se deixe basear na opinião dos outros. Essa é mais uma crítica dessas, só que de alguém que gostou muito e quer rever o filme, mesmo com todas as suas falhas, essas sim bem superficiais. 

"Chappie" é sobre um engenheiro de robôs chamado Deon Wilson (Dev Patel), que trabalha desenvolvendo uma frota de robôs policias, controlados por um programa de inteligência artificial limitado. Os robôs só seguem os comandos dos seus colegas policias, e os protegem acima de tudo, já que podem ser consertados ou substituídos. A quantidade de policias feridos e a criminalidade foram reduzidas significativamente em Joanesburgo. Apesar de todos esse esforço para acabar com qualquer ato ilegal cidade Sul Africana, os criminosos mais, armados com munição militar e refugiados, se recusam a se entregar sem lutar. E é nessa situação que um notório líder criminoso chamado Hippo (Brandon Auret), resiste a um confronto com o número 22, que fica bastante danificado e precisa ser descartado. E você adivinhou, ele vai acabar se tornando o Chappie.

Estou contando isso porque desde o começo tudo é muito óbvio, não tem como não perceber o que vai acontecer. Mesmo quando parece que algo diferente do óbvio vá acontecer, não acontece. Esse é possivelmente o único ponto fraco do filme, mas se consideramos que quem está assistindo quer apenas se divertir e não ser intelectualmente desafiado, não tem problema algum nisso tudo. Voltando a história, Deon está trabalhando no desenvolvimento de uma inteligência artificial superior, mas não recebe permissão da sua chefe para usar a nova tecnologia nos robôs policias, então resolve testá-la no #22, marcado para ser descartado. Mas a treta começa quando uns malandros resolvem sequestrar Deon, por saberem que ele é o responsável por desenvolver a força policial automata.

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E é assim que Chappie (Sharlto Copley) “nasce”, com a inteligência de um bebê recém-nascido, mas potencial pra superar qualquer humano. Com sua capacidade intelectual superior consegue se desenvolver rapidamente, e aprende tudo com seu Papai (“Ninja” Watkin Tudor Jones) e sua Mamãe (Yolandi Visser), que levam uma vida criminosa cheia de estilo. Enquanto Ninja é rígido e agressivo, vendo Chappie apenas como uma ferramenta para um assalto, Yolandi é compreensiva e amorosa, e vê o robô como sua criança. Amerika (Jose Pablo Cantillo), parceiro de crimes do casal, serve como um irmão mais velho e mediador da dupla. Deon, o Criador, acaba sendo uma figura distante, mas muito significativa pra Chappie, pois ele o ensinou a não cometer crimes e manter suas promessas. E nesse conflito de ideais, ele precisa decidir que tipo de “pessoa” ele quer ser.

O diretor Neil Blomkamp fez um curta em 2004 chamado “Tetra Vaal”, que é apenas um comercial sobre a polìcia robótica. O design e a ideia já estavam presentes ali, então só foi preciso desenvolver o conceito. E dez anos de desenvolvimento, principalmente ao se falar em efeitos especiais, fizeram muito bem a produção. Na minha opinião, Distrito 9 (que assim como Elysium, são do mesmo diretor) é muito superior a Chappie, tanto como crítica social quanto desenvolvimento de personagens e roteiro. Mas Chappie vai direto ao ponto, sem enrolar em nenhum momento, deixando uma sensação de diversão na medida certa.

É impossível não adorar Chappie em todos os aspectos, e é interessante pensar que um robô feito em computação gráfica desperte tantas emoções diferentes em nós. A escolha de convidar a dupla da Die Antwoord (“Ninja e Yolandi) para atuarem no filme foi interessante, pois mesmo não sendo atores profissionais eles dão o aspecto de estranheza e de exclusão social necessários para a trama. Mas a dupla antagonista Dev Patel e Hugh Jackman são tão estereotipados que parecem falsos demais. Deon é um nerd que se relaciona apenas com robôs, enquanto Vincent Moore é um ex-militar brigão e frustrado, que só queria uma chance para provar que é bom em fazer robôs também.

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A trilha sonora é composta por Hanz Zimmer, então dispensa comentários. Mas uma das coisas que realmente me chamaram atenção foi a direção de arte. Desde o design dos robôs como o Chappie até as roupas do Die Antwoord e sua "casa", que nada mais é do que um lugar abandonado transformado com muita criatividade. E apesar de toda a tecnologia que envolve um robô policial pensante, tudo tem um aspecto experimental e de "gambiarra". Mas a Sony não deixou de mostrar o quando o Playstation 4 é superior!

Não espere um filme cheio de ação ou algo profundamente filosófico sobre o que é a vida. Chappie contêm boas doses desses elementos, mas o filme é muito mais do que isso, focando nas nuances das emoções e relações humanas. Mesmo mostrando soluções rápidas para os problemas apresentados e não desenvolvendo os conceitos de inteligência artificial, consciência e todas as teorias relativas ao o que nos faz ser nós mesmos, Chappie é divertido do começo ao fim, tem uma estética única e é o tipo de filme que você pode ver mais de uma vez sem se cansar.

Fonte das imagens: Divulgação/

Chappie

A última esperança da humanidade, não é humano

Diretor: Neill Blomkamp

Duração: 120 min

Estreia: 5 / Mar / 2015

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Thiago Moura

Curto as parada massa.

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