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Crítica do filme Copa de Elite

É melhor ir ver o filme do Pelé...

Rafael Gazzarrini

por
Rafael Gazzarrini

Terça, 15 Abril 2014
Fonte da imagem: Divulgação/
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Eu sou um alvo fácil para comédias, pelo simples fato de que eu dou risada de maneira muito fácil das coisas. É sério, eu devo ser meio burro. Se você espirrar de uma maneira diferente, é capaz de eu começar a gargalhar e nem é uma tentativa idiota de tirar sarro da sua alergia. Tendo isso em vista, é incrível o fato de que “Copa de Elite” não tirou risadas de mim, em nenhum momento.

Para orientar melhor a sua leitura, vou fazer um resumo bem rápido sobre o filme. “Copa de Elite” conta a história de um capitão do BOP (perdeu o E por não ser mais uma divisão especial, risos), chamado Jorge Capitão (interpretado por Marcos Veras, do Porta dos Fundos). Ele passa por diversas aventuras que deveriam ser engraçadíssimas para salvar a vida do Papa Francisco, pois é claro que ele veio assistir à Copa do Mundo de Futebol.

No meio disso tudo, a produção faz sátiras de filmes nacionais, como “Se Eu Fosse Você” e “Bruna Surfistinha”. Talvez você já tenha visto isso em algum lugar, né? Pois é, “Copa de Elite” faz uma cópia meio escrachada de diversas comédias norte-americanas que já foram engraçadas um dia – sim, amigo, estou falando do primeiro “Todo Mundo em Pânico”.

Bom, agora você já sabe que eu não fui com grandes expectativas ao cinema...

Uma bagunça que decepciona

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Eu vou começar listando os erros que identifiquei no filme. Pra começar, a produção conta  as histórias de vários personagens, como a do capitão Capitão (nossa, que engraçadão esse nome), e mistura com a da mocinha, com a do vilão, com a do coadjuvante e você já não tem certeza de qual das linhas de raciocínio está sendo seguida.

As piadas utilizam uma quantidade enorme de trocadilhos, o que não é um bom sinal. Afinal de contas, toda criança consegue pensar no verbo enfiar como uma alusão ao sexo e achar isso divertido – colocar um casal dizendo que tá trepando não deixa isso mais engraçado, por exemplo. Isso é um humor pobre, previsível e que não faz rir. Sério, não é legal.

As sátiras de outros filmes são incluídas de maneira tosca, parece improviso. A impressão que dá é a de que alguém disse ‘PORRA, PENSA QUE DAORA COLOCAR UNS OUTROS FILMES AQUI E AQUI’. Aí a produção foi lá e fez, resultando em um amontoado de bosta, trocadilho e chuto que até mesmo de piadas internas.

Por conta de tudo isso, a história é ruim, as piadas são ruins e você começa a se sentir uma pessoa ruim por estar gastando uma hora e meia da sua vida, coisa que não vai voltar. Ou seja: não atinge o objetivo de ser uma comédia.

Ok, tem coisas boas...

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No meio disso tudo, é claro que é possível encontrar coisas boas. Os soldados que acompanham o capitão Capitão têm uma boa atuação e iluminam o filme em certos momentos, por mais que o texto não deixe que eles sejam realmente engraçados. Colocar o Frota vestido de mulher também foi legal e inesperado, mas ele aparece bem pouco – e, sim, é spoiler, mas você não vai querer assistir a essa porcaria.

A Júlia Rabello é uma linda, de verdade e com todo respeito ao Marcos Veras. Além de ser bonita, ela é uma boa atriz, que apresenta expressões diferentes em cenas variadas, o que acontece também com o seu tom de voz. O problema é que isso não é uma qualidade de todos os atores da produção, sendo que até mesmo o protagonista peca um pouco com isso.

A fotografia é bonita, assim como a ambientação e os cenários. Contudo, todas as qualidades citadas acima ficam perdidas no mar de rebosteio que são as piadas ruins. E, sim, eu estou insistindo nas piadas ruins. Sabe o motivo? Na cabine de imprensa, havia mais de dez pessoas e eu não escutei uma risada, não escutei nem mesmo a respiração forte de quem prende uma.

O Chaves estava certo

No fim, eu me diverti mais quando estava almoçando e vi uma garotinha colocando uma batatinha frita na testa. Sem mentiras. Dessa maneira, eu empresto a famosa frase do Chaves e digo: “Seria melhor ter ido ver o Pelé”. Mesmo porque “Copa de Elite” parece um quadro gigantes do Porta dos Fundos, extremamente sem graça e que faz uma propaganda da Copa do Mundo. Só espero que ela não seja estendida para as Olímpiadas, assim como a cena final indica.

Fonte das imagens: Divulgação/

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Rafael Gazzarrini

Pode me chamar de Rafa, eu ando por aí na minha nuvem dourada.

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