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Crítica do filme Cópias - De Volta à Vida

John Wick perde a família e a moral!

Fábio Jordão

por
Fábio Jordão

Sexta, 19 Abril 2019
Fonte da imagem: Divulgação/Paris Filmes
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Você já parou pra pensar que se não fosse a ciência a humanidade estaria fadada a uma expectativa de vida ridiculamente baixa? Sem os avanços da medicina talvez muita gente não chegaria nem aos 20 anos, afinal estaríamos a mercê de qualquer ameaça ao nosso frágil organismo. Assim, podemos dizer que o ser humano sempre deu o clássico “jeitinho” de trapacear a morte e prolongar seus dias na Terra.

Todavia, em nome de um código moral aleatório que segue os preceitos da bíblia (???), muitos avanços recentes foram freados para evitar que o ser humano pudesse “brincar de deus”. É o caso das pesquisas com células-tronco e das experiências com clonagem, que são alvo de críticas, mesmo que essas ideias pudessem salvar incontáveis vidas através de curas para doenças incuráveis.

É claro que as notícias que chegam até a gente podem não revelar toda a verdade e sempre pode ter algo acontecendo por debaixo dos panos, mas via de regra muita coisa leva décadas para acontecer de fato. Felizmente, nos filmes a coisa é bem diferente, sendo que podemos ter ficções que mostram as possibilidades de um mundo com esse tipo de avanço.

Esta é a base de “Cópias - De Volta à Vida”: um mundo com ciência avançada o suficiente para termos a possibilidade de transferir a consciência humana para robôs e também para testar uma biomedicina que desafia as leis da natureza. No centro da história, acompanhamos o neurocientista William (Keanu Reeves), que busca usar a tecnologia de sua companhia para recuperar sua família que morreu num acidente.

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A ideia não é nova, mas roteiros desse tipo costumam ter potencial. Ocorre que os resultados são desastrosos como experimentos com cobaias em um laboratório de baixo orçamento. O script preguiçoso não dá argumentos sólidos, o que abre espaço para inúmeros furos. Além disso, há diversas questões técnicas e de atuação que fazem o filme apresentar vários bugs.

Seria Keanu Reeves o novo Nicolas Cage?

Quem acompanha a carreira de Keanu Reeves sabe que o ator já teve altos e baixos, sendo que sua ficha tem títulos bem questionáveis, incluindo aí “Bata Antes de Entrar”, “47 Ronins” e “O Dia em que a Terra parou” (e isso só pra citar alguns), mas há também filmes marcantes como o icônico “Matrix”, “A Casa do Lago” e o recente “De Volta ao Jogo” (mais conhecido como John Wick para os íntimos).

Assim, com esses marcos, principalmente o mais recente “John Wick: Um Novo Dia para Matar” (e já temos o terceiro episódio, “Parabellum” quase saindo do forno), os fãs de Neo ficam ansioso a cada nova aventura do ator. Daí o porquê de haver algum burburinho para “Cópias - De Volta à Vida”, porém eu já deixo o alerta para baixar as expectativas se você é fã do gênero, porque não temos nada no nível de “Eu, Robô”.

Bom, realmente temos Keanu Reeves no filme, mas o ponto é que ele não é um ator incrível para filmes emocionantes e convenhamos que só pela sinopse já dá pra ver que não é algo fácil perder a família, já que isso realmente causa uma carga emocional. Todavia, assim como John Wick não ficou triste pela perda do cachorro (vamos dizer que ele ficou bem puto), ele também parece não ter emoções ao perder a família.

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Reeves mostra que é incrível em ser um robô, um ser tão superior que quase não consegue cair em prantos após uma tragédia. Talvez o objetivo do cara é competir com Nicolas Cage no jogo do sério... O roteiro mostra talvez uma única cena de choro e o cara fica de cabeça baixa porque ele deve ter vindo mesmo da Matrix, aí não sabe como expressar suas emoções. E é importante bater nessa tecla, pois ele leva o filme quase que sozinho, então é difícil não ficar incomodado com essa indiferença.

História inusitada que vira piada

Apesar da atuação fraca do protagonista, o filme “Cópias - De Volta à Vida” (aliás, esse subtítulo dá a impressão de uma continuação de “De Volta ao Jogo”, não?), talvez o maior problema aqui é justamente a sucessão de decisões inconsequentes do roteiro. É tanta coisa simplesmente jogada no script, que é perfeitamente normal a plateia começar a se questionar como alguém aprovou a verba pra fazer o filme.

E você pode estar achando que eu sou chato ou extou exagerando, mas eu não consigo aceitar o fato de os roteiristas empurrarem por goela abaixo uma indústria bilionária que não tem a mínima segurança para detectar roubos de equipamentos milionários (e isso só pra citar um único fato que joga os argumentos frágeis pelo ralo). Ok, o fator ficção tem lá seu valor, mas é tudo tão fácil que também fica difícil aceitar numa boa.

Aliado a esses fatos temos uma direção bem meia boca, que não faz questão nem de nos convencer nos principais atos. Ela funciona para uma ou outra cena mais básica, mas a gente espera algo bem mais grandioso para uma ficção que quer lidar com robótica e um futuro incrível.

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Fecha com chave de ouro os efeitos lá dos anos 2000, com robôs rudimentares e interfaces virtuais que já vimos similares em filmes como “Minority Report”. De novo, não é terrível, mas a somatória das mancadas deixa o resultado aquém do esperado, que é melhor esperar pra ver na Tela Quente ou na Netflix.

Talvez a única parte legal do filme é a abertura para o diálogo sobre essas tecnologias e os avanços da ciência. Enfim, eu queria dizer que “Cópias - De Volta à Vida” está entre os melhores, mas hoje é um grande não!

Fonte das imagens: Divulgação/Paris Filmes

Cópias - De Volta à Vida

Compulsão à repetição

Diretor: Jeffrey Nachmanoff

Duração: 107 min

Estreia: 18 / Abr / 2019

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