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Crítica do filme Deadpool

Ultraviolência, humor autodepreciativo e chimichangas

Thiago Moura

por
Thiago Moura

Sexta, 12 de Fevereiro de 2016
Fonte da imagem: Divulgação/20th Century Fox
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Se você conseguiu convencer sua namorada a assistir Deadpool com o argumento de que o filme se trata de um romance, parabéns (ou não, pois talvez ela não seja tão esperta. Sério, ela não viu toda a propaganda e sei lá, o trailer?!). Porém, a realidade não está tão longe disso, já que acompanhamos a trajetória de Wade Wilson, ex-integrante de forças especiais do Exército que vira um mercenário de coração mole. Após um de seus serviços, ele conhece Vanessa Carlysle (Morena Baccarin) se apaixonam perdidamente e vivem um romance lindo, ainda que levemente lunático.

Mas seus planos amorosos de casar e serem felizes para sempre acabam destruídos quando Wade descobre que tem câncer terminal. Em uma tentativa desesperada de se curar, Wade se voluntaria para um programa que força os genes mutantes a se manifestarem, mas por ser experimental pode causar efeitos colaterais.

No caso de Wade, ele foi curado de tudo, ganhando um fator de cura que permite até mesmo fazer membros amputados crescerem novamente, basicamente o mesmo poder do Wolverine. Em paralelo, ele adquire o aspecto de um maracujá de gaveta, a junção da transa raivosa entre um abacate velho e um novo ou a parte de dentro da bunda de alguém. Obviamente ele desiste de voltar para seu amor e parte em busca de vingança contra o responsável por sua dor. Falando assim, parece um roteiro clichê e sem graça, mas é aí que o brilho do filme se revela.

Deadpool só foi produzido porque essa animação de teste vazou e gerou diversos rumores pela internet, agradando muito os fãs:

Os escritores Rhett Reese, Paul Wernick e o diretor Tim Miller são suspeitos de terem vazado, além de Ryan Reynolds (que interpreta/vive Deadpool), que recentemente admitiu que tem 70% de certeza que não foi ele. O que importa é que isso abriu as portas para os executivos da Fox aprovarem o projeto, e juntamente com todo o marketing genial do filme, teve a aprovação do famigerado estúdio e finalmente um filme decente foi produzido com um dos personagens que estão sobre os direitos da Fox.

E por ser um trabalho feito por fãs e para os fãs, o conjunto todo ficou muito bom. O filme é recheado de referências ao mundo pop, aos vacilos do passado da Fox (Deadpool sem boca? Ninguém consegue explicar isso até hoje), a própria carreira e fracassos de Ryan Reynolds, e conta com a participação de dois X-Men, talvez não tão populares assim mas foi o que deu pra bancar que foram muito bem utilizados.

Ryan Reynolds está em todas as cenas, afinal é um filme solo de Deadpool. Ele encarna totalmente o papel e não tem medo de se autodepreciar e de zoar qualquer coisa, a graça e diferencial do filme está em grande parte nisso. O filme teve classificação indicativa de 18 anos (16 no Brasil), então a violência característica desse personagem está muito bem representada. Muito sangue, amputações e mortes violentissimas são constantes do filme, mas o humor ácido é o que realmente prende a atenção.

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Outro fator que pode parecer estranho para quem não conhece o Deadpool dos quadrinhos é que ele possui o peculiar poder de “quebrar a quarta barreira”. Isso significa que ele sabe que é um personagem de quadrinhos, consegue ler os balões de fala e até interagir com os quadros que estruturam a revista, e isso é divertido porque não faz sentido algum. Já no filme, ele interage com a câmera e com os espectadores, o que não é necessariamente genial mas ainda assim é interessante dentro do contexto geral de “filmes de heróis”, além de soltar frases sobre linhas de tempo paralelas e chamar os personagens pelos nomes dos atores que os interpreta.

Aliás, vale ressaltar que Deadpool não é um herói, mas também não é um vilão. É o que todo mundo adora chamar de “antiherói”. Ele não vai salvar o mundo ou prender os bandidos, a menos que seja apenas pela zoeira. É um mercenário que segue os próprios interesses e mata todo mundo que está em seu caminho enquanto tira sarro dos outros, todos esse fatores colaboram muito para tornar esse personagem interessante.

Apesar do orçamento limitado, os produtores conseguiram encaixar o cromado X-Men Colossus (Stefan Kapicic), feito inteiramente em computação gráfica e com sotaque carregado, já que o personagem é originalmente russo, e a jovem Negasonic Teenage Warhead (que tem o codinome mais maneiro de todos e isso é indiscutível), interpretada pela novata Brianna Hildebrand. Ambos complementam a história, sobretudo durante as cenas de luta, e os efeitos de seus poderes mutantes são surpreendentemente bons, assim como todos os efeitos do filme, desde a roupa (não animada) e expressões da máscara, até os membros decepados e sangue jorrando.

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No final, você vai querer comparar Deadpool com outros filmes baseados em heróis e vai acabar esbarrando em Guardiões da Galáxia. Uma trilha sonora boa, muitas piadas e ação, além de personagens carismáticos. Mas ao contrário desse, é uma história de origem como todas as outras, mas que não parece tão relevante dentro do contexto geral. É claro que é um começo e um gigantesco salto para futuras produções, e torço muito para ver o que virá a seguir, com a Fox aprovando um orçamento melhor sem tirar a liberdade criativa que motivou esse filme e o destacou de todas as produções Fox/Marvel.

Enfim, vale lembrar novamente que não é um filme para crianças, é violento, tem cenas de sexo e palavrões do começo ao fim. Se você entender todas as referências e gostar do gênero "quadrinhos", não vai se decepcionar.

Fonte das imagens: Divulgação/20th Century Fox

Deadpool

Este é o trailer do Deadpool recheado de zoeira!

Diretor: Tim Miller

Duração: 108 min

Estreia: 11 / Fev / 2016

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Thiago Moura

Curto as parada massa.

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