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Crítica do filme Dois Irmãos: Uma Jornada Fantástica

Pouca magia em uma roadtrip

por
Thiago Moura

30 de Março de 2020
Fonte da imagem: Divulgação/Walt Disney Pictures
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Difícil encontrar uma animação da Pixar que não emocione adultos e crianças, o estúdio já está tão consagrado que qualquer produção será muito bem recebida pelo público. O título da vez ganhou um título bem descritivo no Brasil, “Dois Irmãos: Uma Jornada Fantástica” (no original, Onward, algo como “adiante” ou “em frente”.)

Ao abordar temas complexos de uma forma simples e sincera, aliadas as animações incríveis e um estilo único, o estúdio acaba superando seus próprios limites a cada produção. Em “Dois Irmãos”, tudo isso se aplica novamente. O diretor Dan Scanlon, que já havia dirigido outro título da Pixar, “Universidade Monstro”, explora temas como luto, a ausência de uma figura paterna e as jornadas que levam as crianças a serem adultos.

Isso posto, talvez “Dois Irmãos” seja um filme simples demais para uma animação da Pixar, sem grandes surpresas na história, apesar de uma construção de mundo interessante, mas por incrível que parece o que falta é encanto e magia. 

O lúdico pelo mundano

Tudo começa com a apresentação de um mundo encantado com elfos, fadas, centauros, dragões e magos poderosos. Existem feitiços para os mais variados propósitos, muito semelhante ao universo de Harry Potter, e assim como no mundo bruxo a magia é complexa e difícil de ser dominada.

Por essa razão, com o progresso da civilização e os avanços tecnológicos sendo desenvolvidos, as criaturas deixam de lado a magia e passam a contar apenas com as comodidades da modernidade. Afinal de contas, é mais fácil apertar um botão e ter luz instantaneamente do que precisar contar com um feitiço complexo para atingir o mesmo propósito.

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É nesse contexto que vive Ian Lightfoot (Tom Holland), um jovem elfo tímido prestes a completar 16 anos, que sente a ausência do pai que nunca conheceu. Barley (Chris Pratt), seu irmão mais velho, compartilha o mesmo sentimento, mas se recusa a desanimar e deixar seu irmão sentir-se triste ou sozinho. Ele é fascinado pela magia do passado e os monumentos históricos, e é a partir de um presente deixado pelo pai que Ian e Barley embarcam numa viagem mágica.

Para complementar a jornada há ainda uma intimidante Mantícora (Octavia Spencer), que havia esquecido sua bravura para adaptar-se aos tempos modernos e a mãe dos jovens elfos  (Julia Louis-Dreyfus), que apesar de ser uma mãe solo bem comum, sabe que é muito forte, no sentido mais amplo da palavra.

Já jogou RPG?

O filme conta com um conhecimento prévio do público a cerca de criaturas místicas e fantasia medieval, sem perder tempo em apresentar as raças ou aprofundar-se em detalhes, mas nada que atrapalhe o entendimento da trama. Preocupa-se sim, e muito, em apresentar características que serão exploradas durante o desenrolar da narrativa, como por exemplo Ian com medo de dirigir em rodovias movimentadas.

As piadas são todas pautadas no conflito entre o mundano e o fantástico, como unicórnios agindo como guaxinins revirando o lixo e fadas em gangues de moto bastante agressivas. Fica claro que os roteiristas Jason Headley e Keith Bunin juntamente com Dan Scanlon se divertiram reimaginando os mitos para um mundo tecnológico.

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Houve ainda um cuidado em inserir despretensiosamente uma personagem LGBTQ+ em uma cena, tudo de forma bastante natural exatamente como deveria ser. Porém, o peso dos temas mais sérios acaba se sobressaindo ao humor, deixando a impressão que é tudo muito simples. Há um momento em que um dos personagens enfatiza que o melhor caminho nem sempre é o mais óbvio, o que é irônico considerando que o filme segue por uma linha extremamente segura, sem desvios ou surpresas. Faltou aquelas cenas que marcam a memória e encantam que os outros filmes Pixar sempre fizeram questão de carimbar.

Enfim, “Dois Irmãos: Uma Jornada Fantástica” promete entreter todas as idades, mas que talvez apenas confunda os mais novinhos que provavelmente vão preferir animações mais focadas na comédia. De qualquer forma, é inegável que a qualidade Pixar está registrada no longa, mas fica a esperança de que o estúdio encontre novamente o caminho da magia nas futuras produções.

Fonte das imagens: Divulgação/Walt Disney Pictures

Dois Irmãos - Uma Jornada Fantástica

O mundo era mágico, mas os tempos mudaram...

Diretor: Dan Scanlon
Duração: 103 min
Estreia: 5 / Mar / 2020

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Thiago Moura

Curto as parada massa.

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