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Crítica do filme Dora e a Cidade Perdida

Compromisso apenas com a diversão

Thiago Moura

por
Thiago Moura

Sexta, 08 de Novembro de 2019
Fonte da imagem: Divulgação/Paramount Pictures
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Este texto NÃO contém spoilers para que você possa ter a melhor experiência durante o filme.

Se a gente analisar bem, todo desenho animado é esquisito. “Dora, A Aventureira”, não é diferente, pois chama atenção por interagir diretamente com a audiência durante os episódios do desenho, ensinar os pequenos a falar outras línguas e contar curiosidades sobre seu universo.

Dora costuma se aventurar pela selva, resolvendo enigmas juntamente com objetos variados que falam e tem um rosto, como a Mochila e o Mapa, além de seu melhor amigo, o macaquinho Botas. Tudo isso é bastante aceitável em um programa infantil, mas dificilmente funcionaria em um filme, certo?

Felizmente, todos os envolvidos na produção de “Dora e a Cidade Perdida” sabiam exatamente onde estavam se metendo, integrando todos os elementos absurdos e abraçando a esquisitice sem medo de ser feliz, e o resultado é estranhamente divertido!

Interagindo em outras línguas

“Dora e a Cidade Perdida” é dirigido por James Bobin e a trama acontece dez anos após o desenho já citado. Tendo passado a maior parte de sua vida explorando a floresta com seus pais, nada poderia preparar Dora (Isabela Moner) para a aventura mais perigosa de todos os tempos - o ensino médio.

A aventureira Dora rapidamente se vê liderando o macaco Botas, o primo Diego (Jeff Wahlberg), o esquisito Randy (Nicholas Coombe) e a estressada Sammy (Madeleine Madden), além do professor de línguas mortas Alejandro (Eugenio Derbez) em uma busca para encontrar a cidade de Parapata, assim como seus pais (Eva Longoria, Michael Peña).

Abraçando todas as peculiaridades do consagrado desenho, muitas vezes você vai achar que Dora sofre de esquizofrenia, mas a verdade é que é tudo pela diversão e quando você aceitar isso vai achar tudo bem mais engraçado.

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Acredito que seja essa a forma que as crianças enxergam, o personagem pode sim falar diretamente conosco e não há nada de errado nisso. Há também entretenimento para os pais que são obrigados a assistirem ao filme, apesar da classificação etária ser focada nos pequenos. 

Raposo, não pegue!

“Dora e a Cidade Perdida” é bastante descompromissado e claramente não tinha pretensão em mostra realismo algum. O Raposo (dublado por Benicio del Toro) foi criado com computação gráfica, mas sua participação é tão pequena que serve mais como uma referência ao material original do que um elemento relevante para o filme.

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Por outro lado, o macaco Botas (também CG) rouba a cena em todos os momentos em que aparece, principalmente em uma das cenas em que interage apenas com Dora, mas não vou detalhar para não dar spoiler. Depois de alguns minutos de filme é fácil suspender a crença e apenas aceitar que a criança sai pro mato sozinho e fala com as coisas e com os animais, é tudo pela diversão!

Infelizmente, a maioria das piadas funciona melhor na versão original. A dublagem não chega a ser ruim mas claramente faltou um trabalho a mais para adaptar os diálogos, nada que vá atrapalhar a experiência, mas claramente o filme é focado no público norte-americano.

 Você pode dizer “neurotoxicidade extrema”?

Não apenas por ser a personagem do título, mas Isabela Moner é a alma do filme. As chances de ser apenas uma personagem irritante e meio boba eram bem altas, mas o jeito inocente e alto astral de Dora combinam totalmente com a atriz. Até mesmo quando ela começa a cantar e dançar (algo que ninguém gosta, dentro e fora do filme), parece natural e não apenas estúpido.

“Dora e a Cidade Perdida”  é repleto de mensagens positivas: seja quem você é, cuide do meio ambiente, respeite as diferenças dos amigos, aprenda quantas línguas puder e preste atenção nas aulas, pois nunca se sabe quando você vai precisar resolver enigmas numa floresta.

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Se todas as adaptações tentassem ser divertidas e atualizadas como “Dora”, certamente não teríamos tantos fracassos de bilheteria na indústria, além de infinitas sequências para franquias que já deveriam ter acabado faz tempo.

Para qualquer um que já viu “Dora, a Aventureira” e para quem apenas tem uma curiosidade irresistível, certamente o filme será um ótimo investimento de tempo, se considerar que é feito para o público infantil e não tem o menor compromisso com a realidade.

Fonte das imagens: Divulgação/Paramount Pictures

Dora e a Cidade Perdida

Raposo não pegue!

Diretor: James Bobin

Duração: 102 min

Estreia: 15 / Ago / 2019

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Thiago Moura

Curto as parada massa.

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