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Crítica do filme Em Ritmo de Fuga

Baby Driver e o espetáculo da direção

Thiago Moura

por
Thiago Moura

Sexta, 21 Julho 2017
Fonte da imagem: Divulgação/Sony Pictures
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Os cinemas estão cada vez mais povoados por filmes de ação repletos de efeitos especiais, robôs transformistas e super-heróis das mais diversas cores e formas. Tudo isso é muito legal, mas é sempre bom lembrar que há pessoas que não gostam desse estilo. Edgar Wright, diretor de “Em ritmo de fuga: Baby Driver” está aqui para lembrar como os filmes costumavam empolgar a audiência com apenas uma frase, um manobra de carro arriscada (já podemos superar "Velozes e Furiosos", por favor?), uma virada na trama ou um beijo romântico que não aconteça simplesmente porque existe “um homem protagonista e uma mulher coadjuvante”.

Wright já é bem conhecido por seu estilo único e atrativo, com destaque para a edição e montagem de seus filmes, sempre conduzindo o olhar de forma inovadora. Seus filmes não são feitos apenas para mostrar umas cenas bonitas, mas sim contar uma história legal que seja extremamente agradável de assistir. E estamos falando de uma temática totalmente batida, um motorista quietão que participa de roubos de bancos. Ainda assim existe um frescor em tudo que é apresentado.

Um filme antigo com cara de novo, e vice-versa.

“Em Ritmo de Fuga” conta a história de Baby (Ansel Elgort), um jovem prodígio exímio piloto de fuga, que trabalha para um chefão do crime organizado chamado Doc (Kevin Spacey), que o contrata para ajudar seu grupo de ladrões de banco a escaparem da cena do crime.

Esse grupo é composto por Buddy (interpretado pelo sempre incrível Jon Hamm), sua bela e perigosa esposa Darling (Eiza González) e um cara louco para dar uns tiros chamado Bats (Jamie Foxx). Mas ao contrário desse time de doidões, Baby não se encaixa na vida de crimes e busca apenas terminar sua dívida com Doc para seguir uma vida normal. E esse desejo aumenta quando ele conhece uma garçonete chamada Debora (Lily James).

O diretor Edgar Wright adicionou ao roteiro todas as 35 músicas presentes no filme, e são elas que ditam o ritmo e narrativa das cenas. Tipicamente as cenas são gravadas e depois enviadas aos compositores para criarem em cima das imagens, mas como Wright já tem uma tradição com cenas sincronizadas às músicas, ele optou por ousar um pouco mais dessa vez.

Bell Bottoms, de Jon Spencer Blues Explosion, foi a música que inspirou "Baby Driver". Mas não acredite no que eu digo, se ainda não assistiu o filme confira a cena de abertura desse filme que é uma maravilha da sincronia audiovisual:

Tudo é pensado previamente com riqueza de detalhes, e a sincronia das músicas com as ações foram realmente gravadas dessa forma, com os atores ouvindo as canções e praticando cada ação em cena. Até mesmo as placas e graffitis se encaixam nas composições, o que fica bem óbvio na cena seguinte ao primeiro assalto. O ritmo muda conforme o filme se desenvolve, mas a sincronia é sempre uma constante e absolutamente nada é colocado em cena por acaso.

Apesar disso, vale ressaltar que o filme não é um longo clipe musical, mas se utiliza desse recurso narrativo para montar uma história com personagens bem peculiares e extremamente interessantes.

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Baby é um excelente motorista, mas só consegue dirigir com a música certa. Após um acidente durante a infância, Baby adquiriu um zumbido no ouvido, conhecido também como acúfeno, tinnitus ou tinido. Por conta disso, ele passa praticamente o dia inteiro com fone fones de ouvido para abafar esse ruído, criando diversas playlists em seus iPods e mixtapes, separados previamente para atender a cada humor.

E é esse tipo de detalhismo que tornam o filme fascinante. Os personagens são desenvolvidos de forma a servir a história, mas nada é colocado ali por acaso. Desde as canções, lugares e situações, até os coadjuvantes estão ali para suportar a narrativa e fazer tudo andar, tudo pensado e encaixado perfeitamente.

Por contar com atores famosos e talentosíssimos, Wright sabe como usá-los e como surpreender  o expectador. Ao ver Kevin Spacey na tela, os fãs de House of Cards vão lembrar de Frank Underwood, e Doc tem alguma semelhanças com o personagem, mas apenas para te surpreender e mostrar algo totalmente diferente. O mesmo vale para Jon Hamm e seu icônico Don Draper em Mad Men, e todos os outros atores têm essa mesma ideia de “familiaridade estranha”. Jamie Foxx está particularmente fenomenal, em um papel engraçado e assustador na mesma proporção.

Esse truque também é utilizado com as músicas, com um sample de uma música bem famosa que acaba sendo de uma outra totalmente diferente, ou pelo menos uma versão menos conhecida pelo grande público, tudo isso pra te prender na cadeira e te conduzir por uma excelente viagem.

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Como todo filme de perseguição com carros, “Em Ritmo de Fuga” se apega essencialmente a uma convenção romântica de que o motorista e a fuga são as partes dos roubos que não possuem um caráter “criminoso”. Se tudo der certo, não existem vítimas ou pessoas  machucadas, os bandidos apenas fogem e enganam a polícia, tudo tranquilo e dentro do plano.

É claro que essa não é a realidade, mas dentro desse universo fictício, Baby tenta manter a sua pureza e evita a todo custo mortes desnecessárias, seja com uma manobra arriscada ou uma sincronia perfeita com algum elemento do ambiente que surja  durante a fuga. Esse é só mais uma das qualidades do filme. é tudo tão harmonioso que é impossível não curtir e apenas apreciar tudo que está sendo colocado diante dos seus olhos e ouvidos.

"Em Ritmo de Fuga: Baby Driver" é um péssimo título para um excelente filme, vale a pena ver e rever para prestar atenção aos easter-eggs, ouvir novamente as músicas durante as cenas de fuga alucinadas ou só pra aproveitar um ótimo passeio de carro.

Fonte das imagens: Divulgação/Sony Pictures

Em Ritmo de Fuga

Bebê a bordo

Diretor: Edgar Wright

Duração: 113 min

Estreia: 27 / Jul / 2017

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Thiago Moura

Curto as parada massa.

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