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Crítica do filme Entre Abelhas

Nem tudo é piada nessa vida

por
Fábio Jordão

13 de Maio de 2015
Fonte da imagem: Divulgação/
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Semana passada, o filme “Entre Abelhas” estrelado por Fábio Porchat chegou aos cinemas de todo o Brasil — ou, pelo menos, em alguns poucos, já que Os Vingadores estão dominando tudo.

Diferente do que muitos fãs imaginam, o novo longa-metragem não é exatamente uma comédia ao estilo habitual que vemos no canal Porta dos Fundos. O título se encaixa mais no gênero tragicomédia, misturando seriedade com piadas.

Na verdade, em diversas situações ao longo da trama, o besteirol rola solto, principalmente porque o elenco é composto por vários rostinhos conhecidos do famoso canal de humor (e muitos mandam muito bem, principalmente Marcos Veras), mas a verdade é que aos poucos a graça vai acabando e só fica mesmo as reflexões para o público.

No filme, Porchat interpreta Bruno, um jovem de quase 30 anos que vê sua vida virada do avesso. Após terminar com sua mulher (Giovana Lancelotti), ele começa a se deparar com situações bizarras. Bruno tropeça em objetos inexistentes, esbarras naquilo que não vê e, aos poucos, percebe que as pessoas ao seu redor estão desaparecendo.

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O problema é que as pessoas não estão sumindo do mundo, sendo que apenas Bruno não consegue mais enxergá-las ou ouvi-las. Os dias correm e a situação só piora. Com a ajuda da mãe (Irene Ravache) e do melhor amigo (Marcos Veras), Bruno tenta se adaptar a esse novo mundo com cada vez menos gente. Tristeza, né?

Bom, já adianto aqui que o filme tem uma pegada bem mais séria, que pode soar até esquisito para os fãs de Porchat, mas nem por isso a obra se torna desinteressante. Muito pelo contrário, o ator se sai muito bem ao pegar um papel completamente avesso ao seu estilo e o resultado acaba surpreendendo positivamente, com uma mescla de piadas com desgraças. Vamos mergulhar nessa colmeia e entender como o filme consegue ter sucesso em sua missão.

Sacadas geniais na montagem

Não convém entrar no mérito da comédia do filme, já que a maioria das cenas divertidas são bem comuns, porém, no que diz respeito à tragédia, o título roteirizado ao longo de vários anos por Fábio Porchat e Ian SBF eleva o patamar de construção da trama de um jeito que é de ficar boquiaberto.

É difícil observar alguns momentos-chave e não ficar cogitando como eles conseguiram fazer as pessoas “desparecerem”. Fica evidente que em várias ocasiões, os atores precisaram repetir as cenas de forma quase idêntica, já que é preciso alternar entre o ponto de vista de Bruno e o das demais pessoas que o cercam.

Durante entrevista no programa The Noite, Porchat inclusive comenta que ele teve de treinar para conseguir esbarrar em seres humanos invisíveis – o que não é coisa fácil, já que é preciso entender que não basta mexer os ombros para os lados, pois o movimento pode parecer bem bizarro.

Há uma cena em questão (aquela do carro) que demarca bem o drama de “Entre Abelhas”, mostrando que o sumiço das pessoas pode ser muito mais preocupante do que o personagem imagina. É o caso também da cena do táxi, que além de ficar engraçada deixa o público impressionado. Outras, porém, podem ser bem engraçadas – é o caso dos momentos em que a mãe de Bruno (Irene Ravache) participa de forma muito divertida.

O zumbido incômodo pode atrapalhar

Uma coisa que talvez deixe muita gente encucada é o título do longa-metragem. Afinal, o que uma coisa tem a ver com a outra? Para piorar, o fim da trama é um tanto confuso, deixando o expectador pensar sobre a história e alguns personagens importantes.

Segundo o próprio Porchat, “Entre Abelhas” tenta mostrar justamente como nós acabamos fazendo outras pessoas desaparecerem de nossas vidas, mesmo que sem intenção. É como quando você vai comprar um lanche, entrega o dinheiro ao vendedor, mas simplesmente ignora a existência dele. Você sabe que tem alguém ali, porém seu cérebro faz questão de não prestar a atenção.

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O argumento faz sentido e serve como fundamento para o desenrolar de várias coisas no filme, mas não que isso consiga explicar tudo que acontece na telona, muito menos a cena final. Fica o espaço para o público refletir (ok, isso pode ser bacana), mas muita gente tem preguiça e pode acabar não gostando do vazio como resposta.

Só para não frustrar você que veio aqui na expectativa de encontrar respostas, vou deixar o que eu entendi da conclusão. Não convém explicar o que acontece, até porque você talvez não tenha visto, mas, na minha opinião, Bruno encontra uma esperança e talvez tenha a chance de voltar a ver as pessoas que despareceram. Não é a melhor explicação, mas é o que tem pra hoje. Vejam no cinema e deixem suas opiniões (se quiserem, claro).

Fonte das imagens: Divulgação/

Entre Abelhas

Separado da existência

Diretor: Ian SBF
Duração: 99 min
Estreia: 23 / Abr / 2015

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