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Crítica do filme Festa da Salsicha

Sexo e comida nunca foi uma boa combinação

Thiago Moura

por
Thiago Moura

Sábado, 08 de Outubro de 2016
Fonte da imagem: Divulgação/Sony Pictures
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Festa da Salsicha” é uma animação feita para adultos, mas isso não significa que as piadas desse filme não tenham saído de uma sala da 5ª série. Ok, talvez eu esteja exagerando, pode-se dizer que saiu da mente de um adolescente drogado, com os hormônios a flor da pele e uns fetiches estranhos por comida.

Como já era de se esperar, piadas infames como “meter minha salsicha no seu pão” são utilizadas o tempo todo, e esse é o resumo do filme. Alimentos em um supermercado esperando para transar. E se você não aguenta mais ouvir seu tio contar a piada do pavê, mas ri dessas piadas, parece que o jogo virou, não é mesmo?

Para ser justo, isso tudo foi imaginado por Seth Rogen, responsável pelo roteiro e ator de "Superbad" (2007), "Segurando as Pontas" (2008), "É o Fim" (2013) e "A Entrevista" (2014); então pode esperar uma comédia semelhante a esses títulos.

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Seth Rogen empresta a voz para a salsicha protagonista Frank, cujo objetivo é “entrar” no pão sensual Brenda (Kristen Wiig), mas existem regras e elas não podem ser quebradas. Acontece que os alimentos vivem num supermercado e diariamente cantam sobre o Paraíso — um lugar mágico onde eles finalmente vão para transar e viver plenamente. Obviamente essa é apenas uma ideia que as comidas têm do que acontece quando um humano, considerados deuses, os levam para casa.

E além disso, é necessário ser puro para ser escolhido, pois do contrário serão jogados em uma lixeira pelo deus furioso, que na verdade é só um adolescente entediado com seu trabalho. Eles vivem com essa esperança de um lugar sagrado fora da porta do mercado, mas tudo muda quando um pote de mostarda e mel (Danny McBride) é devolvido para as prateleiras, revelando que na verdade os deuses são sanguinários e que só querem comer os alimentos.

Ninguém leva muito a sério essa história, e continuam seguindo sua crença,  porém Frank fica desconfiado e parte em busca da verdade, e a partir daí toda a trama se desenrola, contudo sempre com o objetivo de entrar em Brenda.

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O elenco conta com nomes de peso como Salma Hayek, que dubla um taco lésbico chamada Teresa, Bill Hader como a cachaça anciã Aguardente, Paul Rudd como o faxineiro malvado Darren e James Franco como Druggie, um viciado em drogas que enxerga a quarta dimensão em que os alimentos têm pernas, braços e sabem falar. Jonah Hill faz a salsicha Carl, e Michael Cera dá vida a Barry, uma salsicha deformada que é peça chave para a conclusão da história.

A dificuldade em dublar adaptando

No Brasil, as cópias dubladas foram adaptadas pelos famosos humoristas do Porta dos Fundos. Infelizmente durante a tradução diversas referências, expressões comuns e trocadilhos são perdidos. Por exemplo, no começo temos uma excelente piada (insira sarcasmo aqui) de Hitler massacrando os judeus, mas o massacre de linguiças alemãs a caixinhas de suco fica sem sentido. Era um jogo com "jews" e "juice" (judeu e suco, em inglês). Outro exemplo é o “vilão”, uma ducha chamada Douche (gíria para babaca).

O filme é recheado de estereótipos raciais, isso é comum em comédias e as pessoas acham graça, legal. Mas um dos elementos chaves para descrever outras etnias é o sotaque, e na versão dublada mesmo com toda a adaptação milagrosa realizada pela equipe, acaba sendo toda resumida ao sotaque carioca.

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Então vale salientar que apesar do esforço e ótimo trabalho da dublagem brasileira, esse tipo de filme me parece melhor aproveitado na língua original.

Drogas são muito recomendadas para o consumo desse filme

Parece fácil imaginar que as piadas óbvias análogas a sexo acabem rápido, e isso não passou despercebido pelos brilhantes roteiristas. Em certo ponto, o filme questiona a religião de uma forma geral, obedecendo regras que não fazem sentido e que não são explicadas, intolerância racial e até mesmo homossexualidade. E indo mais além, a um niilismo resumido em uma orgia gastronômica e até metafísica.

Por fim, alguns vão gostar de “Festa da Salsicha”, e outros não. Comédia é algo subjetivo e nem todos podem achar graça em um pão que tem uma vagina na cara e fala por ela. Mas se você ri desse tipo de piada, vai amar o filme. E não há problema algum nisso, às vezes precisamos de um filme bobo sem muito propósito, e esse é definitivamente um deles.

Fonte das imagens: Divulgação/Sony Pictures

Festa da Salsicha

Não é fácil ser uma salsicha...

Diretor: Greg Tiernan, Conrad Vernon

Duração: 89 min

Estreia: 6 / Out / 2016

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Thiago Moura

Curto as parada massa.

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