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Critica do filme Free Fire: O Tiroteio

Tiro certeiro

Carlos Augusto Ferraro

por
Carlos Augusto Ferraro

Domingo, 28 de Julho de 2019
Fonte da imagem: Divulgação/Sony Pictures
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Ben Wheatley desponta como um dos diretores mais interessantes da sua geração, apesar de pouco conhecido por aqui. Apadrinhado pelo icônico Martin Scorcese, o diretor britânico vem consolidando seu currículo com uma filmografia intrigante e subversiva.

Sua estreia arrebatadora com dois thrillers envolventes (o drama criminal Down Terrace e o aterrorizante Kill List) chamou a atenção do público e da crítica, que passaram a prestar mais atenção ao trabalho do diretor, que não desapontou entregando outras três produções interessantes, o curioso Turistas (Sightseers), o lisérgico A Field in England, e o perturbador No Topo do Poder (High Rise) — sci-fi distópico com Tom Hiddleston e Jeremy Irons, e é aqui que as coisas começam a ganhar corpo.

Com a sucessão de trabalhos de sucesso já passava da hora de Ben Wheatley ganhar destaque no circuito hollywoodiano. Consolidado na Europa, o diretor finalmente atravessa o atlântico coma ajuda de ninguém menos do que Martin Scorcese, que assina a produção de Free Fire – O Tiroteio.

Cego em tiroteio

A trama de Free Fire é simples e direta: uma negociata de armas entre contrabandistas e membros do IRA dá terrivelmente errado e acaba em uma troca de tiros. Em um universo no qual ninguém pode demonstrar o mínimo de fraqueza, qualquer diálogo é estopim de conflitos maiores, forçando a objetividade do roteiro e se apoiando no talento do elenco.

Desconfiança é a palavra-chave, todos são suspeitos e ninguém quer ser passado para trás. Justine (Brie Larson) é a ponte entre os compradores e os vendedores enquanto Ord (Armie Hammer) representa o contrabandista de armas — Vernon (Sharlto Copley) e seus comparsas, Martin (Babou Ceesay), Harry (Jack Reynor) e Gordon (Noah Taylor).

A comitiva de compradores do Exército Republicano Irlandês (IRA) — Chris (Cillian Murphy), Frank (Michael Smiley), Stevo (Sam Riley) e Bernie (Enzo Cilenti) — são instruídos sobre como tudo vai acontecer, sugerindo que essa não é a primeira vez que Ord e Justine facilitam esse tipo de negociação. Enquanto isso, vamos descobrindo um pouco mais sobre os outros personagens, em especial Stevo, um jovem drogadito temperamental que parece ter arranjado alguns problemas na noite anterior.

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Apesar da tensão e desconfiança, alimentada pelo fato de Vernon tentar vender rifles de modelos diferentes do que os encomendados por Chris, tudo parece se encaminhar para um desfecho aceitável para ambos os lados. Até que Harry percebe a presença de Stevo, pivô da confusão no bar na noite anterior, e o confronta sobre o fato de ter desfigurado a sua prima durante a confusão.

Como era de se esperar, a situação que já era instável atinge o ponto de ebulição quando Harry saca sua arma e atira nas costas de Stevo. Não preciso dizer que desse ponto em diante, como o próprio título do filme sugere, o galpão abandonado vira um campo de batalha com todos os envolvidos sacando suas armas e disparando uns contra os outros.

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Fogo amigo

O elenco é afiadíssimo e não erra a mira em nenhum momento. Ninguém carrega o filme sozinho, todos os atores dividem a carga entregando uma produção sólida que prende o espectador sem fazer muito esforço.

A força na tela de Armie Hammer, Brie Larson e Collian Murphy é inegável, mesmo assim,  Noah Taylor e Sam Riley fazem valer cada segundo de ação, não deixando que o destaque fique apenas com os nomes mais famosos. O roteiro equilibra muito bem o espaço de cada personagem para que ninguém fique sobrecarregado ou subutilizado.

Com poucos personagens e apenas uma locação, Ben Wheatley e Amy Jump criam um roteiro extremamente criativo em sua simplicidade. O filme conta mais de uma história sem qualquer tipo de flashback ou monólogos expositivos. O próprio comportamento de cada personagem durante os momentos mais extremos mostra exatamente o que precisamos saber sobre aquela pessoa, oferecendo um vislumbre da sua personalidade.

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Ação inerte

Free Fire – O Tiroteio é um filme diferente. Como um thriller policial o filme cria uma expectativa de perseguições, ação desenfreada e grandes conspirações, pois Ben Wheatley apresenta tudo isso, mas de uma maneira diferente do esperado.

Com apenas uma locação, poucos personagens e sem cenas elaboras, o diretor cria momentos que acerta em cheio todos os quesitos do que se espera de um bom filme policial. Temos um perseguição — mas com duas pessoas baleadas se arrastando pelo chão de uma fábrica —, conspirações, traições, e um grande tiroteio.

Free Fire parece uma grande cena “tarantinesca” dentro de filme que exala a essência “scorcesiana”

Ben Wheatley é um nome que merece mais destaque, mesmo já tendo conquistado o devido respeito pra lá do Atlântico, o diretor ainda não fez o seu nome em Hollywood, mas Free Fire é um belo cartão de visitas que mostra o alto calibre da sua filmografia.

Fonte das imagens: Divulgação/Sony Pictures

Diretor: Ben Wheatley

Duração: 91 min

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