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Critica do filme Godzilla II: Rei dos Monstros

Daikaiju Battle Royale!

Carlos Augusto Ferraro

por
Carlos Augusto Ferraro

Quinta, 30 de Maio de 2019
Fonte da imagem: Divulgação/Warner Bros. Pictures
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Pode ser difícil de acreditar, mas Godzilla II: Rei dos Monstros é sobre monstros gigantes lutando contra o icônico kaiju nipônico. Digo isso para não decepcionar os desavisados que buscam nesse filme um thriller político ou quem sabe um drama familiar; algo que, por mais insólito que pareça, já foi abordado em edições anteriores da franquia Godzilla.

Desta vez o foco é outro e é bem claro: pancadaria colossal. Seguindo os ganchos das produções anteriores do MonsterVerse (o universo expandido de monstros gigantes), mais precisamente Godzilla (2014) e Kong: Ilha da Caveira (2017), o filme não perde tempo com o fator humano da história e mira exclusivamente nos gigantes que quebram o pau e algumas cidades do início ao fim.

Michael Dougherty parece entender um pouco melhor a dinâmica de Godzilla, apesar de carecer do refinamento técnico para fazer tudo funcionar. Os protagonistas de Godzilla II: Rei dos Monstros são os Titãs (como são chamadas às criaturas gigantes) e justamente por isso o filme se sustenta mesmo sem uma história sólida. Apesar das várias limitações, o filme entrega exatamente o que os fãs querem, monstros gigantes caindo na porrada.

Rei morto, rei posto

A parada começa quente conforme retornamos para São Francisco de 2014 quando o lagartão radioativo emergiu dos abissais oceânicos para “salvar” a humanidade de dois Muto (Massive Unidentified Terrestrial Organism). No meio do caos deixado pelo embate entre Godzilla e as criaturas, está à família da paleobióloga Emma Russell e do antrozoólogo Mark Russell, e sua filha Madison, conforme descobrem que seu outro filho morreu no meio da destruição.

Anos se passam e descobrimos que Emma trabalha para a organização da cripto-zoólogica Monarch, a mesma dos filmes anteriores, que rastreia e estuda os Titãs. Ela e sua filha estão acompanhando o despertar de uma larva gigante apelidada de Mothra e graças a um dispositivo criado por Emma — capaz de emitir freqüências bioacusticas — ela consegue acalmar a criatura. Mas antes mesmo de a equipe de cientistas poder comemorar o sucesso do aparelho, uma organização de eco-terroristas — liderados por Alan Jonah — invade a instalação seqüestrando Emma e Madison, além de levar a “Orca”, nome dado ao aparelho que controla os Titãs.

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Em uma corrida para descobrir os planos de Jonah, os veteranos da Monarch, o Dr. Ishiro Serizawa e Vivienne Graham, vão atrás Mark para rastrear sua ex-mulher e filha, além de encontrar a Orca. Em tempo o grupo descobre que o eco-terrorista planeja libertar o maior Titã já encontrado, o Monstro Zero, também conhecido como Ghidorah.

A trama, que até guarda alguns elementos interessantes, é extremamente mal explorada e na verdade não tem propósito algum. O drama familiar é raso e o meta-enredo do MonsterVerse tem mais destaque em pequenos recortes ao longo dos créditos finais do que durante todo o filme, entretanto, tudo isso não faz diferença alguma.

Mesmo com um roteiro fraco o filme se apóia em quatro pilares muito sólidos, Godzilla, Ghidorah, Mothra e Rodan. As quatro criaturas dominam o filme e cada urro colossal vale mais do que mil linhas de diálogo expositivo que tentam explicar o funcionamento zoológico dos monstros.

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Digo isso sem qualquer demérito ao elenco, que traz alguns ótimos nomes como Vera Farmiga, Ken Watanabe e Millie Bobby Brown, além da participação de Charles Dance. Salvo por alguns raros momentos, com destaque especial para Farmiga e Watanabe, os atores não tem espaço (ou material) para trabalharem seus personagens.

O mesmo pode ser dito dos quesitos técnicos, apesar de contar com efeitos especiais exuberantes, e combates sensacionais, o estilo de Michael Dougherty nunca explora todo o potencial das criaturas. Com uma fotografia muito escura, e uma câmera muita agitada, os gigantes não tem toda a sua glória representada na tela.

Daikaiju

Godzilla II: Rei dos Monstros acerta ao apostar nos monstros em vez de dar muito espaço aos elementos humanos da história. Entretanto, falta muita substância para o filme e para a franquia como um todo. Kong: Ilha da Caveira parece ter acertado mais, no entanto com o universo de criaturas crescendo a cada filme será necessário encontrar um equilíbrio maior entre a pancadaria titânica e a história por trás de tudo isso.

Godzilla II é um divertido aquecimento para o tão aguardado embate entre o lagarto radioativo e o gorila colossal

Por melhor que seja ver Godzilla disparar rajadas de energia contra um dragão de três cabeças seria ainda mais interessante se o restante das duas horas de filme tivessem algum conteúdo. Como a próxima iteração do MonsterVerse já está agendada para 2020, com o aguardado duelo entro Godzilla e King Kong, resta saber se a série está guardando o melhor para o final.

Fonte das imagens: Divulgação/Warner Bros. Pictures

Godzilla II: Rei dos Monstros (2019)

Eles que briguem entre si

Diretor: Michael Dougherty

Duração: min

Estreia: 30 / Mai / 2019

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