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Crítica do filme Hebe Camargo – A Estrela do Brasil

Contra a censura!

Thiago Moura

por
Thiago Moura

Quarta, 25 de Setembro de 2019
Fonte da imagem: Divulgação/Warner Bros. Pictures
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Uma das mais famosas ex-apresentadoras do SBT, foi com certeza, Hebe Maria Monteiro de Camargo Ravagnani, que faleceu aos 83 anos, em 2012. Chegando aos cinemas nesse período politicamente sombrio em que vivemos, ”Hebe Camargo – A Estrela do Brasil” não é apenas mais uma biografia que conta a história de superação de uma brasileira.

O longa aborda um viés diferente, limitando-se a citar a infância da apresentadora em apenas uma frase, justificando sua predileção por aqueles que estavam passando dificuldade no Brasil dos anos 80. Aliás, muitas cenas pontuais servem apenas para detalhar algum aspecto da personalidade de Hebe, sendo pouco relevantes no contexto geral do filme. A regra de “mostre, não conte” é levada a risca, o que torna o ritmo do longa desgastante.

Dirigido por Maurício Farias e com roteiro de Carolina Kotscho,  “Hebe Camargo – A Estrela do Brasil” mostra a transição da ditadura para a democracia na década de 1980, com um recorte da vida da apresentadora durante seus programas nas emissoras Band e SBT.

Gracinha

Sem receios, o filme já começa num tom desafiador aos censores da ditadura, mostrando que Hebe não se acovardou e sempre falou o que pensava, mesmo sendo ameaçada constantemente. A famosa frase que está presente até mesmo no trailer “A Hebe não é de direita, a Hebe não é de esquerda. A Hebe é direta” resume totalmente o longa.

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Outro aspecto bastante valorizado é a Hebe que lutava a favor das minorias, defendendo ativamente os direitos e o respeito a comunidade LGBT, exigindo a participação de travestis e da icônica participação da modelo transexual Roberta Close, interpretada pela atriz (também trans) Renata Bastos.

O afeto que Hebe tem com seu amigo e cabeleireiro Carlucho (Ivo Müller), uma vítima da AIDS em um período em que a desinformação era predominante, também é abordado de forma pontual. A impressão é que o roteiro foi construído com diversos retalhos da vida de Hebe para que o espectador construa uma colcha da forma que preferir.

A Grande Família

Talvez as cenas da vida particular de Hebe sejam as que chamem mais atenção do público. A responsável por interpretar Hebe é Andrea Beltrão, e não é exagero dizer que ela encarna de corpo e alma o papel. Longe dos holofotes, Hebe sofria com as agressões, ciúme desproporcional e machismo de seu segundo marido, Lélio Ravagnani (Marco Ricco). Justificando suas atitudes com “eu faço isso porque te amo e não sei viver sem você”, adiciona o homem abusivo no bingo de coisas atuais que o filme busca retratar.

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Sua relação com o filho e o sobrinho também são abordadas. Seu amor por Marcelo (Caio Horowicz) é palpável, filho único fruto da relação com o primeiro marido, Décio Capuano (Gabriel Braga Nunes), apenas mais um pai ausente. E o sobrinho Claudio Pessutti (Danton Mello), sempre incentivando a tia Hebe a não se rebaixar e sonhar alto.

Outro aspecto pouco conhecido pelo público é o quanto Hebe bebia. Em quase todas as cenas fora do programa ela está bebendo ou pedindo uma bebida, inclusive sofrendo consequências como perda de memória devido a embriaguez.

Vale ressaltar que Andrea Beltrão fez um excelente trabalho ao personificar Hebe, emprestando seu talento para apresentar uma pessoa, sem tentar imitar seus trejeitos. Sempre extravagante, extrovertida e muito animada, sua caracterização é um dos pontos altos do longa. Inevitável notar o patrocínio das jóias Vivara, necessárias para retratar a riqueza de Hebe com fidelidade.

A gente volta já, já

Longe de ser um filme perfeito, seu discurso e temas pontuais são o que tornam “Hebe Camargo – A Estrela do Brasil” relevante nos dias de hoje. O espectador é transportado a um tempo passado, talvez tão bem reconstruído e interpretado que se sobrepõem ao momento atual.

Entretanto, o ritmo é lento, sem um desenvolvimento digno da personalidade e personagem retratada.  Sobretudo no segundo ato, lembra mais um seriado do que um longa, que por sinal acontecerá em Janeiro de 2020, na Globo, como um desdobramento desse filme.

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De qualquer maneira, vale a pena conferir a história de uma mulher que teve coragem de fazer seu trabalho da forma que quis, derrubando diversas barreiras e tornando-se uma personalidade que será sempre lembrada com carinho por todos os telespectadores que acompanharam seus programas.

Fonte das imagens: Divulgação/Warner Bros. Pictures

Hebe - A Estrela do Brasil

Penso que me tornei um carvão. Aí alguém chega, assopra e a chama volta!

Diretor: Maurício Farias

Duração: 122 min

Estreia: 26 / Set / 2019

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Thiago Moura

Curto as parada massa.

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