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Crítica do filme Hellboy

Como comer o pão que ele amassou

Thiago Moura

por
Thiago Moura

Segunda, 06 Maio 2019
Fonte da imagem: Divulgação/Imagem Filmes
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Com todos os defeitos e acertos da duologia dirigida por Guillermo del Toro, "Hellboy" paira na memória dos fãs dos quadrinhos alternativos de Mike Mignola por seu estilo único e visual marcante. Por essa razão, fica fácil presumir que essa nova versão é sem graça. Embora isso seja verdade, a comparação nem é necessária para constatar que o filme individualmente já é um terror, no sentido pejorativo da palavra.

A cena inicial já serve como um aviso da abominação que seguirá. O filme busca respaldo na “inédita” história do Rei Arthur e a Távola Redonda, enfrentando Nimue, a Rainha de Sangue (Milla Jovovich), uma poderosa bruxa que espalhou a peste na Inglaterra. A solução encontrada foi decapitar e desmembrar a moça, separando suas partes por toda a Europa, com uma narração explicando que um dia ela voltará para se vingar dos humanos.

Dessa vez, a encarnação do garoto infernal fica por conta de David Harbour, que conquistou diversos fãs com a série Stranger Things. Ele foi criado por seu pai adotivo Trevor (Ian McShane) e treinado dentro do Bureau de Pesquisas e Defesa Paranormal para combater ameaças sobrenaturais diversas. Para impedir Nimue, Hellboy precisa se aliar a jovem vidente Alice (Sasha Lane) e ao estranho major Ben Daimio (Daniel Dae Kim), enquanto suprime sua natureza demoníaca. 

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Sem coerência alguma, o diretor Neil Marshall parece não ter controle algum sobre o que acontece na tela. Todas as tentativas de humor são falhas, parece aquele seu tio que tenta ser engraçado e as pessoas só dão risada por pena.  Infelizmente o mesmo acontece com as cenas de ação. Em determinada situação (uma ótima contribuição de um roteiro fraco), Hellboy precisa enfrentar um trio de gigantes que se alimentam de carne humana, os efeitos são tão toscos que parecem retirados de uma cutscene de um jogo antigo, infelizmente essa qualidade se mantêm durante o longa.  

Apesar dos problemas em suas produções, Del Toro pelo menos tinha uma impecável concepção de personagens, com uma mescla incrível de efeitos práticos e computação gráfica. Nesse remake, temos apenas demonstrações gratuitas de sangue, vômito, baba e coisas nojentas, com personagens esquecíveis e motivações bobas. Ao inserir esses elementos gráficos é de se esperar que a película seja voltada para um público mais maduro, mas na verdade é só uma história infantil mesmo. 

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Nem mesmo os renomados atores conseguem salvar o longa. Todo o carisma de David Harbour está soterrado embaixo da maquiagem e do roteiro fraco. Ian McShane, possui pouquíssimas falas mas consegue doar uma porcentagem de seu charme em um filme perdido, exceto quando precisa se manifestar através da médium Alice, que manifesta os mortos a partir de sua boca, como se fosse um fantasma feito de entranhas.

Todo a mitologia criada por Mike Mignola está presente na sua forma mais pálida, a maior parte dos conceitos do universo místico de Hellboy são apenas apresentados em diálogos superficiais. Definitivamente esse é um filme que não deveria existir, talvez fosse mais aceitável utilizar todas essas ideias em uma série, já que outro problema é que apesar de ter apenas duas horas ele parece interminável.

Buscando um gancho para uma continuação, o filme finaliza com uma cena pós crédito que mostra um personagem popular, mas que se tudo der certo (para nós) nunca chegará a ser produzida.

Fonte das imagens: Divulgação/Imagem Filmes

Hellboy (2019)

Até demônios são atormentados

Diretor: Neil Marshall

Duração: 121 min

Estreia: 16 / Mai / 2019

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Thiago Moura

Curto as parada massa.

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