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Crítica Independence Day 2

Conveniências salvam o mundo, mas não o filme

Fábio Jordão

por
Fábio Jordão

Sexta, 24 Junho 2016
Fonte da imagem: Divulgação/20th Century Fox
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Nós sempre soubemos que eles voltariam, diz a sinopse de “Independence Day: O Ressurgimento”. Contudo, a verdade é que a gente não sabia e nem fazia ideia que a Fox ia retomar este universo com 20 anos de atraso.

E como seria possível dar continuidade aos acontecimentos de “Independence Day”? Na verdade, depois do sucesso dos humanos no primeiro filme, os roteiristas tinham liberdade total para levar a história para qualquer rumo. E foi o que eles fizeram.

Nesta sequência, usando a tecnologia alienígena recuperada, as nações da Terra têm colaborado em um programa de defesa imenso para proteger o planeta. Com instalações na Lua e vários aparatos protegendo a atmosfera, os humanos vivem com medo de que os aliens possam voltar.

Todavia, nada vai poder nos preparar para a força avançada e sem precedentes dos alienígenas, que resolveram se vingar depois do desfeche do longa-metragem que nos apresentou este universo. Aí, é claro que o destino do mundo ficará sob a responsabilidade de alguns valentes homens e mulheres, incluindo atores como o belo Liam Hemsworth, que chega para dar vigor ao novo filme.

Muita ação, pouca preocupação

O filme começa bem, com visual arrojado e amedrontador. Os aliens chegam para destruir tudo, ainda que a aniquilação não seja desenfreada. Para dar um tom perigoso, o filme se apoia nas cenas de ação. Algumas são provenientes dos ataques extraterrestres, mas várias são protagonizadas pelos humanos.

Essas primeiras cenas aproveitam os recursos tridimensionais e enchem a tela de efeitos especiais. O show de truques visuais é o trunfo desde o começo de “Independence Day: O Ressurgimento”, só que não há como sustentar duas horas de filme apenas com naves intergaláticas, tiros com armas de alta potência, manobras impossíveis em veículos irados e alienígenas extremamente feios.

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O roteiro não perde tempo e logo faz a ponte com o antecessor, com o resgate de velhos conhecidos – ainda que faça a besteira de dar uma desculpa muito ruim para não trazer o personagem de Will Smith de volta – e a apresentação de novos personagens.

O resgate de nomes do primeiro filme é uma boa tática para vender ingressos e, incrivelmente, muitos até desempenham papéis relevantes. Todavia, para protagonizar as sequências de perseguições aéreas era preciso introduzir novos pilotos, já que os velhinhos do primeiro filme não dariam conta. Aí conhecemos Jake Morrison (Liam Hemsworth) e Dylan Hiller (Jessie Usher).

Artifícios visuais denotam o poderio dos aliens, mas o buraco negro no roteiro suga toda a grandeza das ameaças

Eles são os principais, mas a trama vai além e apresenta outros que estão ali apenas para preencher cotas ou fazer piadinhas. Neste grande bolo de personagens, muitos são irrelevantes, já que a história não consegue dar atenção a todos (e nem tem como, pois falta argumento para muitos personagens).

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É curioso que o filme não dá espaço para a plateia se importar com os novos personagens, pois já sabe, antes mesmo de entrar na sala de cinema, que ninguém vai se machucar. Isso é bem bizarro, na verdade, uma vez que temos a maior ameaça alienígena de todos os tempos, que, no fundo, não representa perigo algum.

A invasão que virou piada

No fim das contas, o pior é perceber que “Independence Day: O Ressurgimento” só funciona graças a uma série de conveniências. Tirando uma ou duas cenas que oferecem algum perigo, o título não faz a miníma questão de apresentar a ameaça real.

Ainda que os humanos sejam frágeis, você não vai ver muita gente angustiada ou preocupada com o fim do mundo. Pior, o filme prefere apostar num alívio cômico à la Marvel para arrancar risadas em momentos que deveriam ser preocupantes.

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Chega a ser triste que, “depois de redefinir o gênero de filmes de desastres” (algo exclamado pela Fox), os idealizadores desta sequência resolveram chutar o pau da barraca. Pode ser uma aposta coerente pensando na questão da bilheteria, mas a pegada mais cômica tira o mérito do filme que poderia receber bons olhares diante de uma ousadia mais incisiva nos desastres e na ficção.

É uma nave intergalática? São ETs perigosos? Não, é uma piada espacial mesmo!

Tudo é tão premeditado. Há ainda as questões de incoerências, bem ressaltadas quando vemos inimigos de proporções absurdas perdendo qualquer relevância ao focar em idiotices. Só que todas as promessas acabam se desvanecendo quando o ataque deixa de ser uma prioridade e fatos de pouca relevância se tornam prioridade.

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É aquela velha história de virar o jogo nos acréscimos do segundo tempo. “Independence Day: O Ressurgimento” é bem assim, um filme bom de ação e efeitos especiais, mas pautado em conveniências e pouco interessante do ponto de vista de ficção e drama.

Fonte das imagens: Divulgação/20th Century Fox

Independence Day: O Ressurgimento

Confira o trailer deste filme dirigido por Roland Emmerich

Diretor: Roland Emmerich
Estreia: 23 / Jun / 2016

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