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Crítica Kubo e as Cordas Mágicas

Origamis e lendas que falam ao coração

Fábio Jordão

por
Fábio Jordão

Quinta, 27 de Outubro de 2016
Fonte da imagem: Divulgação/Universal Pictures
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A Laika é uma empresa relativamente nova no ramo da cinematografia, mas que já supera grandes estúdios com um trabalho primoroso na confecção de animações que abusam da técnica de stop-motion.

A companhia leva um longo tempo para criar suas animações, mas o cuidado nos mínimos detalhes garantiu ao público experiências maravilhosas em filmes como “Os Boxtrolls”, “ParaNorman” e “Coraline”.

Desta vez, somos levados para um mundo completamente distinto, inspirado em várias referências da cultura japonesa, incluindo desde as dobraduras de origami até grandes inspirações como os filmes de Kurosawa.

Em “Kubo e as Cordas Mágicas”, conhecemos o jovem e bondoso Kubo, um menino que mora em uma caverna com sua mãe e que ganha a vida humildemente contando histórias para as pessoas de sua cidade litorânea. Ele é especialista em dobraduras e leva entretenimento ao público com seu bandolim mágico (que é um shamisen).

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A vida era relativamente simples e Kubo deveria seguir apenas os conselhos de sua mãe, mas tudo vira do avesso quando ele acidentalmente invoca um espírito de seu passado que desce violentamente dos céus para impor vingança.

Na tentativa de escapar dessa maldição, o garotinho junta forças com duas criaturas inusitadas: o Sr. Macaco e o Besouro. Eles partem numa emocionante jornada em busca da salvação para a família de Kubo e também para resolver o mistério de seu falecido pai, o maior guerreiro samurai que o mundo já conheceu.

Um mundo vivo e cheio de inspiração

O Japão encanta o mundo com sua cultura peculiar, a qual é aproveitada constantemente na construção do mundo de Kubo. Desde o começo do filme, somos levados a conhecer um mundo mágico, com ambientes de tirar o fôlego, personagens bastante caricatos e elementos recorrentes em várias obras artísticas do país do sol vermelho.

A cidade do jovem garotinho já teria material suficiente para desenvolver um longa-metragem. Com riqueza de detalhes que mostra desde a culinária e as vestimentas costumeiras do Japão, até chegar às danças e artes de dobradura, esta animação da Laika encanta o espectador a cada nova cena.

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Todavia, o filme não centra em um único ambiente. Com uma jornada que começa no mar, passa por terra firme, faz um pouso em um local soterrado pela neve, leva a plateia até cavernas perigosas, dá um passeio pelos lagos e dojos, esta obra em stop-motion se apresenta como um verdadeiro cartão-postal do Japão.

E não estou falando apenas de elementos comuns, já que o filme também faz uma abordagem dos mitos e lendas orientais, mostrando magias, criaturas inacreditáveis e até espíritos sombrios. O pacote de “Kubo e as Cordas Mágicas” é bem completo, sendo um prato cheio para os apreciadores da cultura japonesa ou mesmo para o público geral.

Todos esses detalhes são resultado da dedicação incessante da equipe de produção, que construiu os cenários a mão e realizou todo o processo de captura com minúcia de detalhes. A cada passo que Kubo e sua trupe dão em uma parte do Japão, a plateia fica encantada com este mundo vivo e inspirador.

Melancolia, humor e coisas incomuns

É válido constatar ainda que não estamos falando apenas de um filminho para crianças. Apesar de o protagonista ser um jovenzinho simpático, há vários elementos nesta obra que remetem mais a temáticas adultas, principalmente pela abordagem que dá um tom mais de melancolia e até terror em algumas situações.

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Kubo e as Cordas Mágicas” lembra bastante grandes obras japonesas, principalmente alguns títulos do mestre Akira Kurosawa. Da mesma forma, o longa-metragem também aproveita outras referências, algumas que parecem provenientes de jogos como “Fatal Frame”, outras que conseguem dar um tom de comédia inesperado.

É um filme que mexe com as emoções, algo que também só é possível por conta dos personagens carismáticos e bem humorados. O trio principal é muito dinâmico, com estilos diferentes que se complementam. Os diálogos são pontuais e bem humorados, mas os destaques mesmo ficam para o personagem Besouro, que, tal qual o espectador, fica meio perdido nesse universo diferente, mas que logo se encontra com a alegria dos seus parceiros.

“Kubo e as Cordas Mágicas” é uma obra inspiradora, executada com maestria e com mensagem profunda que toca o coração

Todo esse mundo que mistura aventura, amor, fantasia, magia, terror e tantas descobertas é embalado, principalmente, pelo instrumento musical de Kubo, mas há também alguns sons provenientes da própria trilha sonora. As músicas são muito orgânicas, com referências claras às músicas de origem nipônica. A sonoridade, inclusive, desempenha papel importante em várias situações, uma vez que ela casa adequadamente com todo o contexto.

Dá também para dizer que o filme é um tanto experimental, misturando a cultura japonesa com o estilo próprio da Laika. O resultado dá muito certo, principalmente do ponto de vista  mais técnico. A história foge do padrão americano, o que é muito legal, mas algumas pessoas podem não se identificar tanto com os personagens e a história japonesa. De qualquer forma, vale a ida ao cinema para conhecer algo novo e surpreendente!

Fonte das imagens: Divulgação/Universal Pictures

Kubo e as Cordas Mágicas

Uma jornada épica. Três heróis improváveis.

Diretor: Travis Knight

Duração: 101 min

Estreia: 13 / Out / 2016

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