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Crítica do filme Link Perdido

Ninguém quer viver sozinho

Thiago Moura

por
Thiago Moura

Sábado, 02 de Novembro de 2019
Fonte da imagem: Divulgação/Buena Vista International
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Este texto NÃO contém spoilers para que você possa ter a melhor experiência durante o filme.

Indo na contramão dos grandes estúdios de animação e focando no trabalho duro, o estúdio Laika vem desenvolvendo incríveis produções há mais de dez anos, utilizando a consagrada técnica de stopmotion. Apesar de ser bem mais trabalhoso e demorado, é inegável que esteticamente o estilo é inigualável.

Link Perdido” é o quinto título do estúdio, uma comédia com tons de aventura sobre o explorador Sir Lionel Frost (Hugh Jackman), um excelente investigador de mitos e monstros. Porém, nenhum de seus colegas o leva a sério, barrando sua filiação ao clube de caçadores de lendas e desdenhando de seus feitos.

Para finalmente ser aceito, ele decide desafiar o presidente do clube e provar de uma vez por todas que o Elo Perdido entre o homem e o macaco existe, sendo conhecido por muitos nomes em mitologias diversas, entre eles Sasquatch.

Muita paciência e trabalho

Para quem se interessa pelos detalhes técnicos, “Link Perdido” demorou cerca de dois anos para ser produzido, em média apenas um segundo de animação por cada semana de trabalho. Vale a pena conferir o making of para entender como a animação foi desenvolvida e todo o carinho da equipe em criar um experiência única.

Infelizmente, apesar de ser o mais impressionante título do estúdio no sentido técnico, acaba pecando por falta de personalidade e ousadia narrativa, algo bem presente nos filmes anteriores do Laika. Pessoalmente eu não aguento mais filmes sobre abomináveis homens das neves e suas variáveis, então já fico com um Pé atrás quando sei que o filme aborda esse tema. Mas no caso de “Link Perdido”, só a animação já compensa seu tempo.

É visível que tanto o roteiro quanto os personagens foram simplificados para atingir um público mais infantil. Toda a graça do filme recai sobre o famigerado “Sr. Link” (Zach Galifianakis), tornando o protagonista Sir Lionel bem menos interessante do que os seus companheiros, além de ter um desenvolvimento bastante convencional.

Sr Link, é o famoso elo perdido entre os humanos e os primatas ancestrais. É interessante como ele quebra a ideia de “bicho estúpido”, mostrando-se sensível em diversas situações e raramente tomando decisões agressivas, além de entender tudo de forma literal.

A difícil tarefa de entender seu lugar no mundo

Entretanto, o roteiro assinado pelo diretor de animação de longa data do estúdio Laika, Chris Butler, se esforça para apresentar Sir Lionel e Sr. Link como dois lados da mesma moeda. De fato, há uma falsa equivalência no desejo de Sir Lionel de juntar-se ao clube Optimates de Londres, um grupo conservador que simboliza tudo de ruim da cultura Vitoriana, e a busca de Sr. Link por seus parentes distantes, os Yetis que vivem na mística Shangri-La, para que ele não precise permanecer sozinho. Ambos buscam a validação de seus semelhantes e o pertencimento, porém os motivos de cada um são totalmente distintos.

Os personagens secundários não chamam atenção, temos Adelina Fortnight (Zoe Saldana) que serve apenas como apoio emocional de Sir Lionel e gosta de mostrar que sabe se virar sozinha, mas constantemente precisa ser resgatada, nem sempre por sua culpa. Os antagonistas mal aparecem e são totalmente dispensáveis, representando a sociedade Vitoriana e servindo de chacota para o que há de pior nos britânicos.

Ainda assim, não há como negar que Link Perdido pode ser considerado o mais belo trabalho do estúdio Laika até hoje, lembrando que eles são responsáveis pelo magnífico “Kubo e as Cordas Mágicas”. A impressão é que Butler e seu time de animadores tentaram explorar visuais variados para demonstrar tudo que o estúdio pode alcançar. Vemos desde a Inglaterra Vitoriana até viagens tempestuosas pelo oceano e os montes gelados do Himalaia.

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O stop motion do estúdio nunca esteve mais fluído e expressivo, complementado com efeitos especiais de pós-produção, mesmo que haja uma busca pelo realismo ao invés de uma estilização maior nos designs, rostos e formas, com a possível exceção dos animais, que sempre tem uma cara bem engraçada.

Por outro lado, é mais fácil ficar frustrado pelo roteiro sem graça e desenvolvimento fraco dos personagens quando se considera todo o tempo, trabalho pesado e paixão que claramente foram colocados para que o filme fosse produzido, nada que torne a experiência ruim, mas vale salientar que o público alvo são as crianças mesmo.

Considerando todas as coisas, Link Perdido é o perfeito filme robusto reforçado por uma bela animação. Embora padeça da falta de profundidade emocional e temas mais ricos, os fãs certamente apreciarão o comprometimento do Laika em preencher seus filmes com personagens estranhos e igualmente bizarro no humor.

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Aqueles que se interessam são bastante encorajados a conferir na telona do cinema, onde é possível apreciar com detalhes esse universo criado com muito suor e amor. Afinal de contas, se o filme fizer sucesso, talvez mais dez anos de animações maneiras estejam por vir.

Fonte das imagens: Divulgação/Buena Vista International

Link Perdido

O homem ainda faz o que o macaco fazia...

Diretor: Chris Butler

Duração: 93 min

Estreia: 7 / Nov / 2019

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Thiago Moura

Curto as parada massa.

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