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Crítica do filme Locke

Fazer a coisa certa nem sempre é fácil

por
Fábio Jordão

05 de Julho de 2015
Fonte da imagem: Divulgação/

Ao longo de nossas vidas, somos ensinados a fazer o que é certo. Quer dizer, esse negócio de certo e errado é uma coisa de convenção, então, na verdade, somos induzidos a seguir a cartilha ditada pela sociedade, que geralmente é repassada de pais para filhos.

Ter boas maneiras, estudar, trabalhar, fazer amizades, comprar um carro, encontrar um par, trabalhar ainda mais, comprar uma casa, casar, manter as aparências, estudar um pouco mais, ter filhos, evoluir na carreira, ser fiel, educar os filhos, ser cordial.

Enfim, isso tudo é apenas uma parte pequena dos objetivos traçados por muitas pessoas. Levamos muitos - e longos - anos para chegar em um estágio da vida, no qual alcançamos parte de nossa meta, mas basta um simples erro para acabar com tudo.

Ivan Locke (Tom Hardy) é um cara que seguiu essas regras direitinho, sendo dedicado a sua família e tendo uma boa carreira como engenheiro civil. Entretanto, tudo pode virar do avesso após uma simples ligação em um dos momentos mais importantes de sua vida.

Uma longa viagem

Em “Locke”, você senta no banco do carona e acompanha, ao longo de quase noventa minutos, uma viagem que o levará a repensar várias atitudes de sua vida. Com longos diálogos realizados somente através de chamadas telefônicas, podemos conhecer um pouco da vida de Ivan Locke. É tipo aqueles programas de televisão que o apresentador diz: "Você liga e fala qualquer coisa com o palhaço mais sensual do Brasil".

Aliás, é bom comentar logo de cara que o filme se passa dentro do carro, com apenas algumas cenas externas mostrando o veículo trafegando por uma rodovia repleta de mais carros. É bom deixar bem avisado, pois muita gente pode acabar se decepcionando com essa proposta diferente.

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Particularmente, eu achei essa ideia bem interessante, pois montamos toda a história do personagem apenas no imaginativo. Uma ligação completa a outra e, aos poucos, isso vai mexendo mais com o personagem.

Para desenvolver a trama e envolver o expectador, a interpretação de Tom Hardy é mais do que fundamental - e ele faz isso com maestria. Sério, ver ele falando sozinho e discutindo com o fantasma do falecido pai é algo impressionante. Não é por acaso que ele tem ganhado cada vez mais destaque em Hollywood.

Através das reações que ele tem ao volante, do tom de voz amedrontado ou até apreensivo, das expressões faciais preocupantes e dramáticas, o ator consegue passar os sentimentos de um homem que cometeu um pequeno deslize, mas que busca fazer a coisa certa para tentar continuar a vida e deixar tudo certo para todos ao seu redor.

Decisões que mudam vidas

Como diria a “lei de Murphy”: se uma coisa pode dar errada, ela vai dar errada. Ivan Locke pôde perceber isso da pior forma possível e sem ter meios de lutar contra o destino - nem tudo dá pra fazer pelo telefone e cada ligação pode ser pior do que a anterior. Basta um único deslize para estragar o trabalho de décadas. E tudo isso nos faz refletir muito.

A grande sacada reside justamente nessa indagação sobre as decisões que tomamos e de que forma isso nos impacta. A situação de Locke talvez seja exagerada, por conta da corrente de coisas erradas, mas não precisamos divagar muito para ver como temos uma visão limitada das coisas e que talvez não fosse diferente se fosse conosco.

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A sequência de ligações e cenas bem executadas por Hardy são acompanhadas de uma trilha sonora que coloca o público para pensar. Às vezes, não temos muito tempo para respirar, pois as notícias ruins são bombardeadas na tela, mas se já é complicado para quem vê, certamente é muito mais tenso para quem passa por tudo isso.

O longa dirigido por Steven Knight tem uma premissa interessante no que diz respeito à construção da trama, já que opta por um tipo de comunicação inusitado. É bom ver essa mídia fugindo do comum, afinal, se podemos nos emocionar através de um diálogo ou de uma ligação na vida real, qual seria o empecilho para esse tipo de coisa num filme?

Possivelmente, “Locke” não é um filme para todos, principalmente por pecar no fator surpresa. O roteiro se desenvolve bem e consegue passar algumas reflexões, mas quem espera uma reviravolta talvez se decepcione. Ainda bem que o roteirista foi piedoso, pois o pobre Ivan sofre demais em pouco mais de uma hora.

Locke” está disponível no Netflix :)

Fonte das imagens: Divulgação/

Locke

Sem olhar para trás

Diretor: Steven Knight
Duração: 85 min
Estreia: 6 / Fev / 2016

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