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Crítica do filme Logan Lucky: Roubo em Família

Vários picaretas e um segredo

Fábio Jordão

por
Fábio Jordão

Segunda, 09 Outubro 2017
Fonte da imagem: Divulgação/Diamond Films
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O mundo capitalista não é fácil, ainda mais com tanta gente milionária esfregando o luxo na cara dos menos abastados. Viver uma vida simples é ainda mais difícil, afinal todo mês os boletos batem na nossa porta e na nossa cara.

Assim, se você é pobre, só tem duas escolhas: trabalhar duro ou bolar um plano para ficar rico. Pegar no pesado não é para qualquer um, ainda mais quando você é azarado e não consegue manter o emprego.

Este é mais ou menos o caso da família Logan, que parece sofrer com uma maldição. Jimmy (Channing Tatum) e Clyde (Adam Driver) são dois irmãos que sabem bem como é essa vida de gaiteiro e bolam um plano para dar a volta por cima. A ideia genial? Explodir um cofre durante um importante evento de corrida da NASCAR.

É claro que essa não é uma tarefa para uma dupla de caipiras, então eles decidem solicitar a ajuda da irmã Mellie (Riley Keough), de um bandido com expertise no assunto, Joe Bang (Daniel Craig), e de seus irmãos-comparsas, Fish (Jack Quaid) e Sam (Brian Gleeson). O plano é genial, mas as chances de “dar ruim” são grandes.

No melhor estilo “Xis Homens e Um Segredo”, o diretor Steven Soderbergh volta com tudo às telonas com “Logan Lucky” e mostra mais uma vez que manja tudo de assaltos mirabolantes com bons toques de ação e diversão. Pegue seu café e vamos dar uma volta num possante enquanto falamos dessa obra cheia de entretenimento.

Uma gangue que vai dar o que falar...

Filmes de roubo a bancos ficaram tão populares que dá para se dizer que existe até um gênero só para estes títulos. Nesse sentido, “Logan Lucky” não deve ter grandes surpresas em relação a filmes como “Atração Perigosa”, “Swordfish” e outros parecidos que têm um mesmo rumo: uma série de ações inesperadas, truques na manga e o objetivo final: muita grana.

É claro que existe espaço para inúmeros roteiros, ainda mais com tantos casos reais que dão base para muitos longa-metragens. Então, qual a grande sacada para que este filme seja tão divertido ainda que aposte numa fórmula já desgastada? Bom, nem sempre dá para reinventar a roda, mas a verdade é que existe inúmeras formas de apresentá-la.

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A grande sacada são os personagens principais, que vão na contramão de muitos criminosos. Eles não têm nada de elegância como os “Onze Homens” e não são pura adrenalina como os “Caçadores de Emoção”. O segredo? Eles são caipiras, simples, desengonçados, azarados e talvez até “meio burrinhos”. As chances estão contra eles e aí é que está a graça da coisa.

Na verdade, se você não for o maior defensor do sistema capitalista e não for o cara mais religioso que luta com todas as forças contra crimes, não tem como não torcer pra um bando de pé rapado se dar bem numa situação tão adversa — quer dizer, pelo menos nos filmes é massa torcer pelo time dos vacilões.

E como deixar tudo ainda melhor? Colocando atores que tão surfando na onda do sucesso para interpretar essa gangue. Você pode até achar o Adam Driver feioso, pode não curtir os papéis genéricos do Chaning Tatum ou pode estar cansado já do charmoso Daniel Craig como James Bond, mas não dá pra negar que os cara são foda (the guys are fuck)!

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Aí, pra fechar o pacote, entra em cena beldades como Riley Keough, Katie Holmes, Katherine Waterston e Hilary Swank. Só que, novamente na contramão, não tem nada de apelação ou agarração desnecessária. As moças tão aqui pra fazer a coisa acontecer e desempenham tão legal quanto os caras. Só vitória e muito assalto!

A simplicidade é a chave do sucesso

O roteiro aqui (assinado pela desconhecida — e talvez inexistente — Rebecca Blunt) é uma peça fundamental para fazer um filme dar certo, porém, muitas vezes, são os detalhes que deixam a história ainda mais funcional e divertida. Não se trata apenas de personagens azarados, mas de toda uma situação simples e cômica. Temos uma região humilde, situações rotineiras e um plano cheio de furos e incertezas.

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Pois é, a ideia mirabolante de Jimmy é uma lista cheio de inconvenientes que podem levá-los para a cadeia, numa série de opções do tipo “merda acontece”. O desenvolvimento da história fica ainda mais hilário com a magnitude do plano, afinal estamos falando de um roubo em plena luz do dia.

Tudo fica ainda mais engraçado quando os protagonistas revelam suas personalidades, defeitos e humores pouco comuns. Um personagem é manco, outro é maneta, outro está preso e dois são bem ruim das ideias. E antes que você pense que o filme fica fazendo pouco caso de minorias, pode parar por aí, pois as situações são montadas para dificultar ainda mais a missão e mostrar o lado difícil de seguir esse lado criminoso.

A situação da NASCAR, os carros envenenados, a cadeia com segurança reforçada e outros pormenores — como a trilha sonora muito animada — são importantes, mas boa parte do brilhantismo aqui é do diretor. Soderbergh usa e abusa de muitos jogos de câmera, de boas cenas de ação e de uma forma animada para contar a história.

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E paralelamente a todo esse esquema do roubo, o filme ainda tem espaço para desenvolver a história de Jimmy, principalmente seu relacionamento com sua filha, a pequena Sadie (Farrah Mackenzie). Aqui, o filme pega os mais desprevenidos com um toque de fofura e o lado humano do bandido que só quer melhor para sua filha.

No fim das contas, “Logan Lucky: Roubo em Família” é um filmão que abraça de tudo um pouco e diverte de muitas formas. Uma ótima opção para quem curte ação descompromissada e quer dar umas risadas no cinema.

Fonte das imagens: Divulgação/Diamond Films

Logan Lucky: Roubo em Família

Malandro é malandro e mané é mané...

Diretor: Steven Soderbergh

Duração: 119 min

Estreia: 12 / Out / 2017

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