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Crítica do filme Mad Max: Estrada da fúria

A mulher é protagonista!

André Luiz Cavanha

por
André Luiz Cavanha

Quinta, 14 Maio 2015
Fonte da imagem: Divulgação/
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Pesquisei as notícias sobre Mad Max: Estrada da Fúria e vejo sendo anunciado hoje nos principais portais frases sem noção como “com mulheres ao volante, novo filme é ação aditivada”.

Sério, é vergonhoso que grandes portais ainda tenham a coragem de expor interpretações medíocres quanto às atuações das mulheres. A estes críticos parece novidade que elas saibam dirigir carros ou que somente a beleza das atrizes merece destaque nos comentários.

A atuação delas é muito mais do que isso: Furiosa (Charlize Theron) é a verdadeira protagonista, embora a história original e o título se concentre na figura masculina de Max Rockatansky (Tom Hardy).

Você conhece a história de Mad Max? Dane-se, isso pouco importa e o enredo nem faz questão de trazer maiores explicações sobre quem é quem na fila do pão. Mesmo que já tenha assistido à versão australiana protagonizada em trilogia por Mel Gibson, há muitas diferenças no contexto dessa releitura e que trazem grande riqueza temática.

Os acontecimentos se situam num futuro não muito distante, posterior a muita desgraça ocasionada nas disputas por fontes de energia. É a ficção retratando muito daquilo que já conhecemos navida real: há um líder ditador que se sustenta no poder por meio da imortalidade a custa do sacrifício de seu povo, escravizado de diversas formas. 

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A exploração que me pareceu mais chocante foi o modo como as mulheres são tratadas. Seus corpos são utilizados unicamente para fins de reprodução e produção de leite materno para crianças recém-nascidas.

As crianças nascem para servir e pertencer ao exército de Immortan Joe (Hugh Keays-Byrne). Soldados iludidos lutam para preservar a vida de quem concentra o poder, acentuando a fome e a sede da população. Todos seguem vivendo sob a lógica de que Valhala é a recompensa que o herói consegue por meio de sua bravura na hora da morte.

Mas, como já disse, tudo isso fica subentendido sem necessidade de maiores esclarecimentos: o enredo é pura ação, do início ao fim e sem pausas. Entretanto, distanciando-se daquele costume que os filmes do gênero tem de fazer com que carros explodam gratuitamente sem que nossa cabecinha seja colocada para funcionar.

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Impecáveis são os efeitos especiais e principalmente as cores, que transmitem com perfeição a sensação de viver num mundo desertificado. O inferno vermelho que se transforma o deserto em meio às tempestades de areia, a calma azulada da noite nos poucos momentos em que há pausas nos conflitos e o verde tão escasso sobre a terra saqueada pelos poderosos. Impossível assistir e ser indiferente ao trabalho realizado com as cores, detalhes notáveis mesmo aos olhos de quem pouco entende das artes visuais!

O figurino é bem trabalhado, salientando traços bizarros nos corpos dos personagens que ficam com visual bem monstruoso. E os carros são cheios de caveiras na decoração, alguns tão espinhosos dirigidos por motoristas camicazes e sem medo de morrer. São guerreiros com postura inconsequente, conduzidos ao combate pelo som de percussões tribais e acordes pesados de uma guitarra bem distorcida. É engraçado, pois há instantes em que é difícil saber se o que está acontecendo é uma guerra ou um show da banda Slipknot.

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Do clímax ao desfecho não tem como se decepcionar. Novos personagens surgem para mostrar que a resistência contra o sistema parte das mulheres que se mantiveram fortes, das jovens até as mais idosas. É tiro porrada e bomba para mostrar que sexo frágil é uma ova!

Apesar do título ser Mad Max e não Furiosa, tolos são aqueles que saem da sala do cinema sem perceber que ele não é o principal herói da trama.

Fonte das imagens: Divulgação/

Mad Max: Estrada da Fúria

Um mundo de fogo e de sangue

Diretor: George Miller
Duração: 120 min
Estreia: 14 / Mai / 2015

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André Luiz Cavanha

Todo coração é uma célula revolucionária.

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