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Crítica do filme Melancolia

Lars von Trier é ousado e transpõe sentimentos

Fábio Jordão

por
Fábio Jordão

Quinta, 15 Setembro 2011
Fonte da imagem: Divulgação/
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Melancolia é o tipo do filme que revela o final logo no começo, mas que, apesar disso, consegue prender a atenção do espectador com o desenrolar da história. A história basicamente aborda a mudança de comportamento de duas irmãs quando um planeta chamado Melancolia se aproxima da Terra.

A introdução do filme é grandiosa, no melhor estilo von Trier, ou seja, com música clássica, cenas em câmera lenta e visões que fazem o espectador refletir sobre o que aquilo realmente representa para o restante da trama.

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E logo no início o público já faz ideia do que vai acontecer no final. Isso mostra que o diretor tem ousadia e prefere desenvolver o longa baseado em cenas sólidas que farão o todo ganhar sentido. Depois das cenas iniciais, o espectador se depara com a primeira parte do filme, focada na personagem Justine (muito bem interpretada por Kirsten Dunst).

Metade do filme então se concentra no casamento de Justine e na profunda depressão dela. Nessa sequência, no entanto, o público passa por certa divisão de sentimentos, chegando a passar por momentos de angústia, raiva, alegria (com algumas cenas engraçadas protagonizadas pelo pai da noiva) e até um certo menosprezo - por parte da mãe da noiva.

Nota-se nessa primeira parte que Lars von Trier fez questão de mostrar a complexidade de Justine, que ela desenvolve, aparentemente, com a aproximação do planeta Melancolia. Ao mesmo tempo, fica claro que um pedaço da sequência é dedicada às reações da família. E, sem dúvida alguma, tudo que é apresentado nessa metade do longa é necessário para que a película ganhe um sentido.

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Deixando Justine de lado, o longa concentra-se na irmã da noiva, Claire (interpretada por Charlotte Gainsbourg). Nessa sequência o foco deixa de ser a confusão de sentimentos e passa a ser o medo do ser humano perante acontecimentos astronômicos.

A película então é dominada por cenas que mostram o planeta Melancolia se aproximando, mas sem deixar de lado a depressão de Justine - moça que algumas vezes leva o público masculino à loucura, com cenas em que a atriz mostra todo o potencial do seu corpo escultural.

E é na segunda metade do filme que revemos algumas cenas do começo modificadas. Aqui, é possível interpretar que talvez o início do longa seja uma composição de visões de Justine, as quais revelaram à personagem o que aconteceria quando o planeta Melancolia se aproximasse da Terra.

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Durante toda a película, o longa é movimentado por uma trilha sonora espetacular. Apesar de se concentrar em um conjunto limitado de músicas, o público fica apreensivo com os sons, os quais seguem o ritmo das imagens e são muito mais notáveis nas cenas em que o planeta Melancolia (ou acontecimentos relacionados à ele) está em foco.

Com certeza Melancolia é uma obra de arte de Lars von Trier. De certa forma, considero o longa semelhante ao maravilhoso Árvore da Vida, visto que em ambos vemos a raça humana diante de situações em que ela é impotente, apesar de que os focos são completamente diferentes. Para mim, Melancolia consegue ser um dos melhores filmes do ano, principalmente por não ter medo de finalizar de forma magnífica, cena que esperei toda minha vida para visualizar nos cinemas.

Fonte das imagens: Divulgação/

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