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Crítica do filme Mulher Maravilha

Uma deusa revigorando os filmes DC

por
Thiago Moura

01 de Junho de 2017
Fonte da imagem: Divulgação/Warner Bros. Pictures
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Uma mistura de medo e anseio por algo surpreendentemente bom pairavam sobre o filme solo da “Mulher Maravilha”. Medo por conta das sucessivas falhas que a DC/Warner sofreram por conta de longas como “Esquadrão Suicida” e “Batman v Superman: Não Fala Assim da Minha Mãe”. E claro que essas falhas são do ponto de vista dos fãs mais chatos exigentes, já que esses filmes lucraram milhões e até ganharam um Oscar.

O desafio do primeiro filme solo com uma protagonista feminina nesse clube de meninos emburrados maduros fãs de quadrinhos era grande, mas a esperança é a última que morre. A aparição da Mulher Maravilha em BvS é um dos pontos altos do filme, e finalmente os fãs receberam um filme digno de uma heroína!

“Mulher Maravilha” segue a fórmula necessária para um filme de origem, partindo em seguida aos eventos de “Batman v Superman”. Diana Prince (Gal Gadot), recebe uma foto que mostra sua presença em meio a Primeira Guerra Mundial, e relembra sua história e como acabou no “mundo dos homens”.

Uma princesa que não precisa ser salva

Nascida na paradisíaca ilha de Temiscira, lar das Amazonas, uma raça de mulheres criadas pelos deuses para mostrar a humanidade a grandeza que poderia ser atingida pela mesma. E como os humanos sempre estragam tudo, eles acabam escravizando as Amazonas. Após uma gigantesca guerra, elas se refugiam em Temiscira, escondidas do mal desta raça maligna. Desde então, elas treinam para lutar e combater os homens, caso eles resolvam aparecer novamente.

Nesse ambiente, Diana é treinada para ser a melhor das guerreiras por Antiope (Robin Wright), sem negligenciar todas as outras artes e educação. Mas sua verdadeira origem é mantida em segredo por sua mãe Hipólita (Connie Nielsen). Em paralelo, a Primeira Guerra Mundial está acontecendo, e isso é revelado quando Steve Trevor (Chris Pine) surge em um avião desgovernado e é salvo por Diana.

Atrás dele, uma batalhão de soldados alemães trazem a guerra ao paraíso, em uma linda e triste sequência de ação, pois apesar de todo o treinamento das Amazonas, elas ainda são impotentes perante os tiros das armas de fogo, já que apenas Diana possui os braceletes para desviar as balas. Após Steve explicar o que acontece no mundo exterior, Diana resolve partir para o mundo dos homens e cumprir a missão final das Amazonas, acabar com a guerra, que ela enxerga como o deus Ares. Nesse ponto somos apresentados ao famoso laço da verdade, além da espada Matadora de Deuses e a clássica roupa da heroína.

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 A diretora Patty Jenkins encarou o desafio de atualizar um personagem icônico e admirado, tão relevante quanto qualquer outro. Batman e Superman foram apresentados nesse mundo sombrio e “maduro”, praticamente em preto e cinza (pois branco é claro e alegre demais), sem piadas, sem sorriso, sem alegria. Apenas temas sérios e ação desenfreada. É claro que com os filmes de sucesso da concorrente Marvel indo totalmente na direção oposta, os fãs acabaram ficando decepcionados com o resultado. E é aí que “Mulher Maravilha” se destaca, não com piadas forçadas e trilha sonora com músicas pop tocando aleatoriamente, mas com otimismo, leveza e o equilíbrio entre realidade e fantasia necessários para carregar uma história assim.

É muito divertido ver as reações de Diana ao se deparar com o horrível mundo dos homens, tal como uma criança que descobre um mundo novo no quintal de casa. Ela é inocente, mas não boba, tentando se encaixar nessa era de seres estranhos e inadequados, repletos de regras e costumes sem sentido. As cenas de ação coreografada estão incríveis, como pode ser visto nos trailers. A famosa câmera lenta / acelerada característica de Zack Snyder está presente, mas sem exageros e muito bem trabalhada. E aqui a luta é mais intimista, cada golpe é desferido contra outro humano, não um superser qualquer ou soldado alienígena.

 Sua prioridade é proteger uma pequena vila repleta de inocentes e feridos, e em seguida acabar com a Grande Guerra, matando quem Diana acredita ser a fonte de todo mal. É claro que ela é confrontada por dúvidas morais durante seu trajeto, mas está sempre pronta e confiante para qualquer desafio.

Uma deusa imperfeita

Mas nada disso significa que “Mulher Maravilha” é perfeito. Mesmo estando acima dos filmes vistos até agora, mostrando como deveriam e poderiam ser retratados os heróis DC. O final destoa um pouco do filme em geral, mantendo o padrão do grande chefão que precisa ser vencido em uma explosão. No entanto, infelizmente todo filme de super-heróis está fadado a essa fórmula, então não há muito do que reclamar nesse sentido.

O elenco de apoio é bastante inusitado, e muito mal aproveitado. Mas a dupla Gal Gadot e Chris Pine funciona bem, apesar do óbvio e desnecessário romance. Ele serve de guia para o mundo moderno, querendo protegê-la do mundo podre, mas é óbvio que ela não precisa de nada disso. As histórias acabam sendo construídas em paralelo, um salvando o dia, outro salvando o mundo. E felizmente isso se encaixa muito bem na história.

De todos os heróis que vão integrar a iminente “Liga da Justiça”, Mulher Maravilha é uma peça fundamental no meio de todos os moleques brigões emburrados. Nesse sentido, Diana simboliza perfeitamente todos os ideais que o Super Homem deveria representar, por exemplo. Ela traz esperança aos que já desistiram, protege os injustiçados, lutando lado a lado, não lutando pelos humanos. Aliás, seu senso de justiça é o que guia suas ações, seu maior receio é deixar de ajudar quando tem certeza que ela poderia fazer toda a diferença.

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Para aqueles que reclamam que a Gal Gadot é “muito magra, não combina”, preste bastante atenção. Ela está representando uma deusa guerreira, um dos ícones das histórias em quadrinhos, e isso não tem nada a ver com o ser saradona. Ela é irresistível sem precisar ser vulgar, não está ali pra ficarem olhando pra bunda dela. Com toda elegância de uma princesa, sua beleza é resultado de uma combinação de fatores tão maior do que simplesmente seu corpo, que nem cabe aqui dizer o quanto essa mulher é bela.

E só com um olhar, ela consegue representar qualquer sentimento de uma forma tão intensa que é capaz de deixar qualquer um paralisado. Sua empatia é inacreditável, mesmo que os humanos não mereçam sua presença, como citado por sua mãe Hipólita antes de sair da ilha de Temiscira, ela enxerga e demonstra a bondade em todos, sendo mais uma deusa de amor do que de guerra. E tudo isso é bem brega mesmo, não tem como negar. Mas é disso que são feitos os super-heróis, e finalmente a DC conseguiu fazer o tão temido filme com uma protagonista feminina que agrada até os mais chatos (eu incluso). A torcida agora é para que a DC use esse exemplo para os próximos filmes, e esperamos que o sucesso só torne tudo melhor, para alegria de todos.

Fonte das imagens: Divulgação/Warner Bros. Pictures

Mulher Maravilha

Tudo começa com ela! Descubra as origens da Mulher Maravilha!

Diretor: Patty Jenkins
Duração: 141 min
Estreia: 1 / Jun / 2017

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Thiago Moura

Curto as parada massa.

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