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Crítica do filme O Estranho que Nós Amamos

O lar das mulheres empoderadas

Lu Belin

por
Lu Belin

Sexta, 18 Agosto 2017
Fonte da imagem: Divulgação/Universal Pictures
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Imagine um grupo de mulheres - muitas delas ainda meninas - vivendo sozinhas em uma casa bem no meio da guerra civil norte-americana. E eu digo bem no meio mesmo, com tiro, porrada e bomba rolando praticamente no quintal.

E aí, do nada, um cabo da União (um ianque), aparece no bosque próximo à residência, ferido gravemente na perna. O soldado é então recolhido pelas moradoras, tem o ferimento tratado e fica passando um tempo ali até se recuperar.

Neste drama que parece filme histórico mas tem gostinho de suspense, temos um remake de "O Estranho que Nós Amamos" que foi ao ar em 1971, na época estrelado por ninguém menos que Clint Eastwood.

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Desta vez, quem assume o papel de estranho amado é Colin Farrell - troca bem cagadinha, se você quer saber minha opinião. Mas, nesse emaranhado de mulher porreta, ele é quem menos importa, na verdade.

Quem assume a bronca da direção e adaptação do roteiro é Sofia Coppola, no que sem dúvida nenhuma foi seu melhor trabalho até agora.

A casa das sete mulheres

Em mais um trabalho primoroso, Nicole Kidman dá vida a Miss Martha, a responsável pela casa que acolhe e educa meninas de diferentes idades. Sua assistente, Edwina, é vivida por Kirsten Dunst, enquanto as moradoras da pensão são Alicia (Elle Fanning), Amy (Oona Lawrence), Jane (Angourie Rice), Marie (Addison Rickie), Emily (Emma Howard).

Curiosas com o mundo, reprimidas por padrões altamente conservadores e influenciadas pelo clima de tensão da guerra, elas enxergam na presença do estranho um universo de possibilidades a serem exploradas.

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Apesar da aparente simplicidade do roteiro, ele tem muito mais a oferecer do que se pode pensar à primeira vista. Ainda que o trailer entregue um bom tanto do que vai acontecer, o longa-metragem reserva ainda muitas supresas ao público.

Salvo alguns momentos de calmaria que fazem com que história se torne um tantinho entediante, na maior parte do tempo é possível se manter atento e interessado com o que acontecerá a seguir na casa de Miss Martha.

Vestidas para matar

Se tem uma coisa que se pode falar da Sofia Coppola é que ela não economiza em primor nos figurinos. Já foi assim em "Bling Ring" e "Maria Antonieta", e agora em "O Estranho que Nós Amamos" novamente ela capricha nas roupitchas.

Os vestidos das mulheres são lindos, adequados a cada uma das ocasiões das quais participam, e a equipe realmente investe nos detalhes e na reprodução das vestimentas da época - desde os estilos e cortes até os tecidos. As vestes inclusive estão conectadas com a história, virando referência em diversos momentos no desenrolar da trama. Mesmo um simples broche pode significar algo.

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E, claro, o figurino contribui para a ambientação histórica e fotografia do longa-metragem, já que as cores e tons utilizados conversam muito com o restante dos cenários.

Tons pastéis pra lá e pra cá dialogam com as paredes, os móveis clássicos, o piso de madeira, os cabelos loiros e castanhos das meninas tipicamente brancas que tinham acesso a esse tipo de residência antigamente.

Silêncio pulsante

Por falar em ambiente, a construção do espaço onde a trama acontece é outro componente que provavelmente contou pontos para dar a Sofia o Cannes de Melhor direção neste ano. Os detalhes da arquitetura e a conversa com a natureza em torno da casa fazem toda a diferença aqui.

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O silêncio característico de um lugar isolado, quebrado apenas ora pelo som dos grilos, ora pelos tiros pipocando ali fora, é crucial para marcar o ritmo do filme e envolver completamente o espectador no clima da história.  Quase não há trilha sonora, salvo por um ou outro momento de tensão ou então quando as meninas estão ensaiando música - e dar atenção a esses sons do ambiente foi uma escolha extremamente inteligente da diretora.

Tudo isso contribui e muito pra que "O Estranho que Nós Amamos" seja talvez o maior acerto da carreira de Sofia e um filmão, extremamente empoderador e bastante inteligente, com o olhar femininno que toda essa história merece, sem transformar as mulheres em vítimas indefesas, mas ao mesmo tempo sem dar superpoderes a ninguém.

Vale cada centavo investido!

Fonte das imagens: Divulgação/Universal Pictures

O Estranho Que Nós Amamos (2017)

Quem é o cativo e quem é o captor?

Diretor: Sofia Coppola
Duração: 91 min
Estreia: 10 / Ago / 2017

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Lu Belin

Eu queria ser a Julianne Moore.

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