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Crítica do filme O Juiz

Feridas abertas sempre vêm à tona

Douglas Ciriaco

por
Douglas Ciriaco

Sexta, 17 Outubro 2014
Fonte da imagem: Divulgação/
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Em uma pequena cidade do interior dos Estados Unidos, o falecimento de uma mãe de família revive velhas amarguras familiares e acaba por escancarar uma árdua relação entre pai e filho. Arrogância, medo e lembranças adormecidas vem à tona para nos lembrar que alguns problemas jamais se resolverão sozinhos.

Em “O Juiz”, a história começa com Tony Stark Hank Palmer (Robert Downey Jr.), um advogado prepotente e bem-sucedido, usando mais uma de suas artimanhas para livrar um culpado das garras da lei em Nova York. Ele é surpreendido por um telefone de seu irmão avisando que, em sua terra natal, sua mãe acabara de falecer, e, ao retornar para onde nasceu, Palmer se vê diante de situações familiares mal resolvidas que vem à tona.

A má relação com seu pai, o juiz Joseph Palmer (Robert Duvall), transparece no primeiro reencontro entre eles: um frio aperto de mão em pleno velório de sua mãe. A trama se mantém morna e com com Downey Jr. basicamente trazendo para a tela os mesmos trejeitos que o consagraram no papel do Homem de Ferro, até que o carro de seu pai aparece amassado e Juiz é acusado pelo homicídio de um homem.

A partir daí é que o filme “começa” de fato, com Hank brigando com seu pai para defendê-lo, o Juiz tentando manter sua honra e diversas feridas sendo abertas diante do público.

Trama em dose homeopática

Um ponto interessante de “O Juíz” é a forma como as histórias que compõem a trama vão sendo apresentadas ao espectador. De pouco em pouco, você descobre a vida que Hank Palmer deixou para trás quando se mudou, entende um pouco da sua personalidade e começa a vê-lo baixar as defesas, o que contribui para reduzir a aura de Tony Stark da interpretação de Downey Jr.

Outro destaque quando o assunto é interpretação é o de Robert Duvall mandando bem no papel de um senhor de idade avançada, com problemas de saúde e muita mágoa com o seu filho do meio. A angústia pela perda de sua esposa, companheira de toda uma vida, fica latente no velhinho que, apesar das circunstâncias em que se encontra não deixa de ser o Juiz — alcunha pela qual é conhecido na cidade depois de 42 anos como maior autoridade judiciária do município.

O Juiz

Apesar do título, e de boa parte do filme se passar em tribunais, esse é um filme sobre relações familiares. Ao longo da trama, muitas questões serão levantadas pelos espectadores sobre as ações tomadas pelo pai em relação ao seu filho, mas todas serão respondidas a tempo, um feito positivo da dupla Nick Schenk e Bill Dubuque, que assina o roteiro.

Mulheres em segundo plano

Se os roteiristas acertaram na forma como trataram com as questões familiares em “O Juiz”, criando de forma competente personagens geniosos e que guardam entre si muitas semelhanças de personalidade — e talvez daí venha parte da relação espinhosa entre pai e filho —, eles falham ao deixar as personagens femininas basicamente em segundo plano ao longo de toda a trama.

Se o espectador reparar, vai notar que apenas uma mulher foge um pouco à regra, ela é Samantha Powell (Vera Famiga), uma antiga namorada de Hank Palmer que se deu bem na vida apesar de ter continuado na pequena cidade. No mais, às poucas mulheres inseridas na trama é relevado um papel estereotipado (por exemplo, a adúltera esposa de Palmer e a própria mãe, que representava um certo bastião de paz dentro da família). As mulheres de “O Juíz” tem pouca personalidade e estão sempre orbitando em torno dos homens — acontece isso inclusive com Powell e sua fila, Carla (Leighton Meester)

Apesar desses problemas, algo que, logicamente, não foi inaugurado (e, infelizmente, não acabará) em “O Juiz”, o filme é muito bem construído. Os personagens apresentam coerência em suas posturas, a história é bonita e consegue causar certa comoção. O final ainda guarda algumas surpresas, fugindo da obviedade para qual apontava durante toda a película.

Fonte das imagens: Divulgação/

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Douglas Ciriaco

Cê tá pensando que eu sou lóki, bicho?

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