log in
 

Crítica do filme O Sétimo Filho

Nem épico, nem legal, muito pelo contrário

Fábio Jordão

por
Fábio Jordão

Quarta, 11 de Março de 2015
Fonte da imagem: Divulgação/
ap 728x90 data 5463e
Mudar tema Padrão Noturno
Barra lateral X Desativar
Mudar fonte A+ A A-

Depois de muitas mudanças de data, a Universal Pictures finalmente lança o filme “O Sétimo Filho” no Brasil. A demora aparentemente se devia por problemas de conflito com outros grandes lançamentos, mas depois de ver o filme podemos ter uma outra ideia do porquê desse atraso.

O filme é mais um do tipo “Caça às Bruxas” e conta a história do Mestre Gregory (Jeff Bridges), o último guerreiro de uma ordem mística, que procura um aprendiz para derrotar as trevas que são mantidas pelas bruxas, seus aliados e, principalmente, pela Mãe Malkin (Julianne Moore).

Reza a lenda que somente o sétimo filho de um sétimo filho poderá ser capaz de — e terá poderes para — cumprir essa missão (e o final da história você já sabe). Arrancado de sua vida tranquila de colono, o príncipe Caspian Tom Ward (Ben Barnes) embarca em uma aventura ousada e repleta de monstros.

Dirigido pelo russo Sergei Bodrov (que você possivelmente não conhece de filme algum), “O Sétimo Filho” segue aquela velha história de mestre e pupilo, que devem se entender e combater um mal maior. O filme traz uma série de clichês e um roteiro previsível. Vamos entrar em detalhes.

História com potencial é mal contada

A primeira coisa que percebemos em “O Sétimo Filho” é que o roteiro tem pressa em contar as coisas, tanto que o filme nem é muito longo — o que é bom, no fim das contas. A ideia de apresentar o universo do filme acontece em poucos minutos e só depois ficamos sabendo quem é quem e o porquê dos problemas que existem na região.

Como outros tantos, o filme aposta na rivalidade entre homens e bruxas (que são odiadas porque têm uns poderes maneiros), mas tenta jogar algumas coisas interessantes na história. Uma pena que tudo é tão superficial que nada cola. A plateia fica desinteressada e apenas fica esperando o óbvio pintar na tela.

setimo0 7d9bf

Contudo, antes de entrar no desenvolvimento dessa briguinha, o filme resolve mostrar o recrutamento do protagonista, que acontece da forma mais bizarra, improvável e sem criatividade que se pode imaginar. Claro que o sétimo filho topa a ideia de encarar umas bruxas sem nunca ter lutado. E não espere atitudes heróicas, porque este personagem não sabe nem fazer cara de herói.

Não bastasse isso, os protagonistas (Mestre Gregory e Tom Ward) apresentam personalidades cheias de estereótipos e trejeitos desnecessários. O relacionamento deles é chato e somente algumas poucas cenas realmente empolgam a plateia — e muito mais graças aos inimigos e situações inesperadas do que por conta de suas qualidades.

Cheios de rostinhos conhecidos

Após sair da sala de cinema fiquei pensando se a diretora de elenco não chamou a pessoa errada para ser protagonista, já que estamos mais acostumados a ver Nicolas Cage nesses papéis de caçador de bruxas em filmes meia boca.

Pois bem, fato é que o Jeff Bridges é um talento desperdiçado. Ainda que ele se esforce em deixar o resultado interessante falando de um jeito enrolado, como se estivesse bêbado a todo momento, e lutando loucamente, a participação do bom velhinho não ajuda o filme a ir muito longe.

O jovem Ben Barnes não convence em nada, sendo apenas um personagem genérico no meio de uma história sem sal. Ele é obrigado, já que o roteiro assim manda, a entrar num romance bem desnecessário que acaba alterando todo o destino da trama com aquela coisa previsível de vou me sacrificar pela minha namorada que conheci há dois dias. Enfim.

setimo1 43199

Com Julianne Moore no papel da bruxa que vira dragão o filme ganha pontos positivos, mas a atriz só é mais um rosto muito bonito no meio da trama, já que sua personagem é tão ruim quanto a trama num todo. A irmã da bruxa suprema nada mais é do que alguém para ocupar lugar no cenário. Não há atuações de verdade aqui, apenas representações simples para encorpar a história.

O mais sofrível é restante da liga do mal. Eu até gosto de histórias assim, recheadas de monstros e seres sinistros, o problema é que toda essa galera sinistra tá na película errada. Eu esperava ver todos esses tipinhos em um episódio do Hércules, já que as bruxas podiam dar conta do recado e tocar o terror de uma forma bem mais aterrorizante.

Pelo menos a produção mandou bem no desenvolvimento de algumas criaturas, principalmente nas versões monstruosas. As lutas são bem coreografadas, ainda que os resultados sejam previsíveis, mas são o pouco que se salva na película. Os efeitos tridimensionais também não são de se jogar fora.

Novamente, uma produção Hollywoodiana mostrando como desperdiçar talentos. Então é isso aí, “O Sétimo Filho” é um filme que não consegue ser nem legalzinho e só é recomendado pra ver num dia em que você esteja desocupado e não queira gastar neurônios, já que a história é bem rasa e a execução pouco convincente.

Fonte das imagens: Divulgação/

O Sétimo Filho

A maioria das maldições da vida pode se tornar um presente

Diretor: Sergey Bodrov

Duração: 109 min

Estreia: 29 / Jan / 2015

Curtiu esse texto? Então deixe seu comentário e aproveita para compartilhar nas redes sociais!

Comentários

Este é um espaço para discussão. Você pode concordar, discordar ou agregar informações ao conteúdo, mas lembramos que aqui devem prevalecer o respeito e bom senso. O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade do autor da mensagem. Nos reservamos o direito de apagar comentários que não estejam em conformidade com nossos Termos de Uso.